Hugo Santos faz a melhor volta da semana no Onyria Palmares, em Lagos, com 5 abaixo do par. Mónia Bernardo vencedora antecipada do torneio feminino. Joaquim Sequeira partilha liderança do de seniores com Bart van der Wind
Tiago Cruz mostrou ontem porque razão venceu recentemente o Open da Ilha Terceira e saltou para o posto de n.º 1 da Ordem de Mérito da PGA de Portugal, ao assumir, isolado, o comando do Campeonato Nacional PGA.
Cruz, antigo campeão nacional amador, em 2005, em Ribagolfe, sagrou-se vice-campeão nacional de profissionais em 2012 na Quinta do Peru e em 2013 no Pestana Vila Sol e persegue de novo um dos poucos títulos nacionais que lhe faltam.
No torneio da Federação Portuguesa de Golfe, que a PGA de Portugal está a organizar no Onyria Palmares Beach & Golf Resort, no Algarve, com 12 mil euros em prémios monetários, o profissional do Banco Big soma 137 pancadas, 7 abaixo do Par do compósito dos percursos Lagos e Praia.
Ontem, com o vento a soprar desde o início da volta e não apenas a meio como na véspera, Cruz juntou um cartão de 69 (-3) ao de 68 (-4) do dia anterior e a consistência continua a ser a sua marca pessoal.
No primeiro dia da prova (quarta feira), o jogador do Estoril fez o front nine e o back nine em -2, ontem dobrou os primeiros 9 em -1 e os segundos 9, nos quais não perdeu qualquer pancada, em -2.
Um chip e 3 putts no 9 custaram-lhe 1 duplo-bogey, o único aspeto realmente negativo em dois dias de prova. Em 36 buracos fez apenas 2 bogeys e 1 duplo. Um contraste em relação aos dois Ricardos que com ele lideravam aos 18 buracos – Santos e Melo Gouveia –, qualquer um deles com eagles, birdies mas também bogeys e duplos!
Irmãos Santos completam trio de n.º 1
Ricardo Santos, campeão nacional de 2011 em Ribagolfe e n.º 1 do Ranking da PGA de Portugal, caiu para o 2.º lugar e admite que foi menos consistente do que o resultado de 70 deixa transparecer (-2). Está a apenas 1 pancada do líder e tem tudo em aberto.
Com o vento a tornar o jogo mais lento, ao ponto de alguns grupos terem levado cinco horas e meia, mas, ao mesmo tempo, a fazer a bola rolar ainda mais nos greens, só um dos candidatos ao título conseguiu jogar melhor do que no 1.º dia: Hugo Santos, o autor da melhor volta do torneio, em 67 pancadas, 5 abaixo do Par.
Aparentemente melhor de uma dolorosa lesão nas costas, o campeão nacional de 212 na Quinta do Peru e n.º 1 da Ordem de Mérito da PGA de Portugal entre 2011 e 2013 só perdeu 1 pancada em 18 buracos, pareceu dominar os ventos e saltou para o 2.º lugar (-6), empatado com o seu irmão mais novo.
7 jogadores abaixo do Par aos 36 buracos
São estes três jogadores a sair hoje no último grupo, a partir das 9h48. Um trio de luxo, um trio de n.º 1 da Ordem de Mérito e do Ranking da PGA de Portugal.
Mas não serão apenas eles os candidatos ao título. Há mais quatro jogadores abaixo do Par, com algumas hipóteses, à espreita de um percalço dos da frente.
Ricardo Melo Gouveia, que coliderava aos 18 buracos, no dia em que completou 23 anos, desceu para 4.º (-5), depois de hoje fazer 71 (-1); Gonçalo Pinto fecha o top-5 (-3) depois de hoje entregar um cartão de 71 (-1); e o 6.º posto (-2) é partilhado pelo 11 vezes campeão nacional, António Sobrinho (72 hoje) e pelo espanhol Juan Martín (duas voltas de 71).
Nacionais Feminino e de Seniores arrancaram ontem
Ontem arrancaram também os torneios feminino e de veteranos. Havendo apenas uma inscrita, já se sabe que Mónia Bernardo recuperará o título nacional que foi seu em 2007. Hoje, a madeirense residente no Algarve jogou em 76 (+4).
No Nacional de Seniores, Joaquim Sequeira, o campeão do ano passado, lidera com 77 (+5), empatado com o holandês Bart Van der Wind.
Hoje, concluem-se os três torneios, com as primeiras saídas registadas às 08h00 e com o último grupo a sair às 9h48. No sábado disputar-se-á o Pro-Am.
Declarações dos 4 primeiros
Tiago Cruz
Jogar com o Ricardo Santos é sempre um prazer, há muito tempo que não jogava com ele, foi uma volta ótima.
Esteve mais vento hoje do que ontem. Como começámos mais tarde, foi a volta toda com vento. Tive um pouco de mais dificuldade nos greens, porque com este vento termos uma ideia da linha com mais ou menos força, mas consegui adaptar-me bem.
Foi uma boa volta, apesar de um erro no buraco 9 que me custou um duplo-bogey, foi um chip e 3 putts, o que não é admissível, mas, no final do dia, 3 abaixo é um ótimo resultado com este tempo.
De dia para dia estou a melhorar o meu swing e a dar melhores shots, tenho evoluído, com mais competição vem mais confiança e tudo está a sair-me melhor. As saídas estão boas e estou a patar bem.
Já fui, pelo menos, duas vezes 2.º classificado neste Campeonato Nacional e este ano fui 2.º em todos os torneios menos na Terceira onde ganhei. Vamos lá a ver se agora consigo o 1.º lugar.
Se tudo correr bem será a minha primeira vitória como campeão nacional, mas ainda faltam 18 buracos, o Hugo e o Ricardo são grandes jogadores, ainda há muito que trabalhar.
O Ricardo Santos tem evoluído muito, principalmente na personalidade, já não se irrita com os maus shots, mantém mais a calma nesse aspeto.
O jogo curto dele já era bom e agora ainda está melhor. No Tour os greens são sempre rápidos, são duros e é preciso ter bom toque (de bola) e a pior parte dele é o putt.
Ele está com alguma dificuldade no putt, mas acho que vai conseguir nos torneios que faltam o cartão para o próximo ano.
Hugo Santos
Hoje correu bem e saio satisfeito com a minha prestação, tendo em conta as condições difíceis devido ao vento. Hoje fui bastante regular, joguei bem do início ao fim, cometi dois erros mas consegui recuperá-los e houve situações em que errei mas evitei que isso se refletisse no resultado.
Na segunda-feira comecei a fazer tratamento às costas e graças a Deus na terça-feira já doíam um pouco menos, ontem já joguei ainda um pouco a medo mas a coisa foi correndo, hoje senti-me melhor do que ontem e obviamente que me dá mais confiança para amanhã por estar a sentir-me melhor fisicamente.
Antes de começar o torneio não sabia se iria conseguir jogar, devido à dor nas costas. Uma vez começado, as coisas foram melhorando pouco a pouco e quando entro para um torneio o objetivo é vencer.
Sei que é difícil, para mais neste torneio que tem um field de muito bom nível, com alguns jogadores do Challenge Tour um do European Tour – que é o meu irmão, como toda a gente sabe – e tenho consciência das dificuldades. No entanto, o meu objetivo continua a ser o mesmo.
A confiança (para amanhã) aumenta (depois de um resultado destes) mas isso pode não querer dizer nada porque os dias são sempre diferentes.
Gosto muito deste campo, é espetacular e já tive aqui no passado bons resultados.
Ricardo Santos
Aconteceu de tudo, não estive nada consistente, nem do tee nem no putt, tive buracos bons mas também tive outros muito maus, quero com isto dizer muito maus do tee porque não fiz pior do que bogey, mas também tive bons putts, também dei bons shots, resumindo, acho que não foi uma volta nada consistente.
Mas, no final, o resultado de 2 abaixo é positivo, visto as condições que estavam, pois começámos a jogar desde o 1 com vento bastante forte, e a jogar como joguei não é fácil sentir-me confiante para fazer um grande resultado.
Fica tudo em aberto e espero amanhã jogar um pouco melhor para dar luta ao Tiago e também ao meu irmão, fazendo um melhor resultado.
Isso foi outra parte negativa do dia de hoje (mais de cinco horas de jogo). Havia muita espera nos tees, quase sempre 10 a 15 minutos, e perdemos um pouco o ritmo do jogo.
Eu senti isso e os outros jogadores também. Não vou dizer que eu sinto mais do que os outros porque há jogadores que também andam em circuitos lá fora com árbitros atrás.
No European Tour temos de fazer em quatro horas e meia, caso contrário temos os árbitros atrás, somos multados, etc.
Obviamente que aqui não temos árbitros para controlar isso e temos de adaptar-nos às condições. O vento é o fator mais complicado para que os jogadores possam cumprir os horários porque é fácil falhar shots, ter de jogar bolas provisórias, ter de andar à procura de bolas e com isso perde-se muito tempo.
Há jovens portugueses que passaram a profissionais há pouco tempo e que estão aqui esta semana.
Falta o Pedro Figueiredo para defender o título, infelizmente ou felizmente porque está a competir no Challenge Tour e desejo-lhe a melhor sorte porque é lá que ele deve estar, embora fosse bom estar cá para termos o field completo.
Também falta o António Rosado que está na África do Sul, mas acho que o Campeonato nunca teve um field tão forte como este ano.
Está a ser um bom treino, está a trazer-me volta ao ritmo competitivo porque estive quatro semanas sem competir, é sempre bom competir com jovens com muito talento como é o caso desta semana e num campo competitivo como este, especialmente com o vento que se tem apresentado.
Ricardo Melo Gouveia
Foi uma volta com altos e baixos que começou mal, fiz um duplo logo no início, mas sabia que tinha alguns Par-5 para recuperar e foi o que fiz. Também não estava a patar bem no início e depois ganhei o ritmo do putt, e acabei com -1 que, no fundo, com tanto vento como hoje se fez sentir, acho que não foi mau e amanhã posso tentar assaltar o 1.º lugar.
Hoje não senti pressão, estava muito calmo, não estava a pensar muito na liderança e nos resultados. O Tiago estava a fazer um bom jogo e eu estava a tentar concentrar-me no meu jogo e acabar o mais possível perto dele para amanhã ter hipóteses.
Gabinete de Imprensa da PGA de Portugal



