Algarve

Centro Hospitalar do Algarve coloca primeiro bomba de insulina em criança

Parceria entre a Unidade de Diabetologia e Associação Children’s Diabetic Trust proporciona nova abordagem no tratamento de crianças e jovens algarvios com Diabetes Mellitus Tipo 1

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O Gonçalo tem 9 anos, mas quando fala aparenta mais maturidade. É simpático, cordial e muito desenvolto para a tenra idade. Pratica desporto de competição – trampolins. É campeão na modalidade. E tem Diabetes Mellitus Tipo 1 desde os 5 anos, quando começou a ter de administrar insulina várias vezes ao dia.

As visitas de rotina ao hospital de Faro, onde é seguido pela equipa da Unidade de Diabetologia, são frequentes mas a do dia 01 de Julho de 2014 foi diferente. A ansiedade e entusiasmo eram notórios. Tinha chegado o dia tão aguardado pelo Gonçalo e pelos pais para colocação de um Sistema de Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina (Continuous Subcutaneous Insulin Infusion- CSII), mais vulgarmente conhecido como bomba de insulina. O entusiasmo era partilhado pela equipa de saúde que acompanha o Gonçalo, pois foi a primeira bomba de insulina a ser colocada na Unidade.

A oportunidade surgiu por intermédio da Associação Children’s Diabetic Trust, sedeada no Algarve, que se propôs a estabelecer um acordo com o Centro Hospitalar do Algarve de modo a viabilizar a oferta anual de 10 sistemas de perfusão subcutânea contínua de insulina.

Petra Evertsz, holandesa a residir há mais de duas décadas no Algarve, é a fundadora e presidente da Associação. A experiência pessoal de ter um filho com Diabetes Mellitus Tipo 1 e a vontade de contribuir para que outras crianças possam ter acesso mais facilitado a estes sistemas levou-a a tomar a iniciativa de “assegurar a colocação de pelo menos 10 bombas de insulina para melhorar a vida das crianças com diabetes que vivem no Algarve e cujas famílias não têm possibilidades financeiras para as adquirir”.

A vantagem terapêutica destes sistemas perfusoras de insulina reside principalmente no facto de se conseguir “otimizar o controlo metabólico das pessoas com Dibetes Mellitus Tipo 1, permitindo ajustar a administração da insulina ao centésimo de unidade e com o intervalo horário adequado a cada pessoa, de forma mais precisa e ajustada às necessidades do seu utilizador”, esclarece Manuela Calha, pediatra da Unidade de Diabetologia que segue o Gonçalo e outras crianças com diabetes, em estreita articulação com os restantes elementos da equipa multidisciplinar que integra a Unidade (ver caixa). “Consegue-se obter um controlo metabólico muito parecido à que resulta da função do pâncreas, sendo por isso a forma mais fisiológica de administrar a insulina”, prossegue a pediatra.

O acompanhamento por parte da equipa de saúde é fundamental, sobretudo no período de adaptação pois “todos os ajustes e dosagens têm de ser programados, numa primeira fase em consulta e, depois, no ambiente familiar, quando os pais e a criança já dominam o dispositivo e conseguem ajustá-lo autonomamente”, contando sempre com o apoio de retaguarda dos profissionais de saúde que estão permanentemente disponíveis para tirar todas as dúvidas.

Protocolo permitirá candidatura a Centro de Colocação

A amplitude da parceria agora estabelecida com a Associação Children’s Diabetic Trust ultrapassa a oferta anual dos 10 dispositivos e respetivos consumíveis durante o primeiro ano. A iniciativa irá permitir à equipa de saúde dotar-se da experiência necessária para que a Unidade de Diabetologia do hospital de Faro se constitua como Centro de Tratamento para Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina. Como explica Elsa Pina, responsável da Unidade de Diabetologia da unidade de Faro “o uso terapêutico por CSII tem sido regulamentada em Portugal pela Direção Geral de Saúde, que define os requisitos necessários às instituições que pretendam candidatar-se como Centros de Tratamento para Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina, sendo que um desses requisitos consiste em ter um mínimo de 10 doentes em tratamento com CSII”.

Tecnicamente aptos para tal, os profissionais da unidade têm agora a oportunidade para colocar e seguir as crianças residentes no Algarve, cujas famílias muitas vezes excluíam este tipo de tratamento, não só pelos custos directamente relacionados com a aquisição dos dispositivos e respectivos consumíveis, mas também porque os Centros de Tratamento mais próximos se localizam em Lisboa e Almada.

Por outro lado, a constituição formal como Centro de Tratamento permitirá que “os nossos utentes possam vir a beneficiar da comparticipação do Serviço Nacional de Saúde no âmbito da colocação e tratamento por Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina”.

A confiança no objectivo proposto é partilhada por todos os envolvidos na parceria, como revela a pediatra Manuela Calha “a expectativa é que até ao final do ano, com o apoio da Associação, consigamos atingir esta meta de 10 bombas colocadas”.

Prosseguindo portanto o caminho da diferenciação e excelência dos cuidados, a Unidade de Diabetologia congratula-se com a parceria estabelecida e com os amplos benefícios que a sua materialização comporta para a população que serve.

«Sempre quis a bomba»

Uma semana depois de colocar a bomba de insulina, o Gonçalo regressa ao Hospital com os pais para uma consulta de monitorização. Tivemos a oportunidade de falar com o Gonçalo e com o pai Luis Martins que não esconde a satisfação. “Faz hoje uma semana que colocou a bomba e tem corrido tudo bem”, revela o pai assumindo que o filho “domina o aparelho melhor que nós e já sabe mexer nas funções todas”.

Ao falar com o Gonçalo facilmente se percebe que é efetivamente um rapaz inteligente e responsável, completamente ciente da sua doença e apto para lidar com ela. Como confirma o pai, “o Gonçalo já encarava a vida pela positiva e não gostava de distinções, mas sempre quis a bomba para não ter que andar com as canetas [de insulina] atrás e conseguir andar mais controlado” e prossegue recordando que “quando recebemos a notícia pela Dr.ª Manuela Calha de que ele iria receber a bomba, o Gonçalo ficou radiante. Quando a colocou então, não cabia em si de felicidade”.

Para o Gonçalo, o desejo de colocar a bomba sempre esteve associado à função terapêutica do dispositivo pois “queria controlar melhor os meus níveis de glicemia e esta oportunidade vai-me permitir ter os níveis mais equilibrados”.

A par do melhor controlo metabólico pretendido, o próprio conforto potenciado pela bomba configura uma mais-valia da sua colocação. “Antes tinha que dar 5 a 7 picas por dia, agora apenas tenho que substituir o cateter de 3 em 3 dias”, esclarece o menino que desde cedo aprendeu a importância de ter os níveis de açúcar no sangue estabilizados e, talvez por isso, sempre quis a bomba porque sabia que lhe daria mais autonomia e qualidade de vida.

A Unidade de Diabetologia da unidade de Faro do CHAlgarve segue aproximadamente 380 doentes com Diabetes Mellitus Tipo 1, dos quais cerca de 100 são criança e jovens até aos 16 anos.

A equipa multidisciplinar da Unidade de Diabetologia é constituída por:

·         10 médicos (8 Internistas e 2 Pediatras)
·         2 Enfermeiros
·         3 Dietistas
·         1 Psicóloga

A equipa dedicada ao acompanhamento clínico das crianças e jovens com Diabetes é integrada pelas pediatras Manuela Calha e Guida Gama, pelas enfermeiras Isabel Santos e Cristina Mendonça, pela dietista Célia Lopes e pela psicóloga Laura Nunes.

Por: ARS Algarve

Categorias:Algarve, Saúde

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