Loulé

Entrevista com António Silva Lopes, presidente da Fundação António Aleixo (7 fotos)

Natal no Centro Comunitário de Quarteira com Projeto Reciclarte, Exposição de Quadros de Natal, Solidariedade, Feira de Natal, Festa de Natal e Convívio Intergeracional

O PlanetAlgarve realizou uma entrevista com o presidente da Fundação António Aleixo, António Silva Lopes. A Fundação está sediada na cidade de Loulé e tem o Centro Comunitário António Aleixo, na cidade de Quarteira, onde se situa a creche Os Meninos do Aleixo, gerindo igualmente a creche Espaço Infantil, localizada no Centro Social Autárquico de Loulé, num edifício cedido pela Câmara Municipal de Loulé para o efeito.

António Silva Lopes - Presidente da Fundação António Aleixo - foto Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

António Silva Lopes – Presidente da Fundação António Aleixo – foto Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

PlanetAlgarve (PA) – O que está previsto para o Natal aqui no Centro Comunitário de Quarteira?

António Silva Lopes (ASL) – Nós encerramos para férias do pessoal – o que aliás, acontece desde a fundação desta casa – de 15 a 31 de dezembro. Por conseguinte, antecipámos o Natal uns dias mas temos uma série de atividades programadas que já começaram a funcionar. Vamos fazer um tema por projeto pedagógico comum à creche e à animação infantil que se chama ‘Reciclarte’. As crianças expõem o que construíram, autênticas obras de arte em materiais reciclados, como aquilo que nós tivemos oportunidade de ver há pouco lá em baixo, à entrada, julgo que com agrado (ver foto);

Vamos fazer uma exposição de quadros de Natal e, para isso, as crianças já estão a trabalhar nesse sentido. Cada uma delas tem vindo a construir um quadro, também com materiais recicláveis, que são apresentados na Exposição de Quadros de Natal aqui no Centro Comunitário de Quarteira;

Vamos fazer a recolha de tampinhas e jornais, que também continua a ser um convite à reciclagem mas também à solidariedade, que se vai fazer ao longo de todo o mês de dezembro e serão 500 jornais e tampinhas que serão entregues a uma criança que nós protegemos e que tem paralisia cerebral. É nossa obrigação também olhar para esses casos. Para mim, Natal é exatamente isso: Olhar para aqueles que mais precisam e este caso é especialíssimo. Então quando se trata de crianças, não há hesitações. Tudo a favor das crianças;

Fizemos a Feira de Natal, que consistiu na construção, também pelas crianças, de uma Árvore de Natal, igualmente com materiais recicláveis, que ficou exposta na Praça do Mar para apreciação da comunidade que visitou a Feira, que teve lugar no dia 6 de dezembro, juntamente com a degustação de alguns mimos confecionados pelos nossos cozinheiros mas também com o apoio das crianças. Por exemplo, são elas que burilaram as massas, entre outras coisas. Acho isso giríssimo. É isso que se deve fazer porque tudo isto é formação. No meu tempo não havia nada disto mas ainda bem que agora as crianças têm todas estas oportunidades ao seu dispor;

Vamos ter a Festa de Natal. As famílias são convidadas a participar ativamente na festa. Há aqui realmente um empenho enorme no sentido de motivar a população para as despesas. A população quando não tem, tem alguma dificuldade em assumir mas, se for motivada e convidada, fazem. E às vezes até fazem quando têm. É preciso é motivá-los para isso. A Festa de Natal é desenvolvida com a peça de teatro ‘Para a Luz dos Seus Olhos’, com Hip Hop, contará com a presença da nossa mascote Zita, sempre com sucessos atrás de sucessos nas nossas atuações e nos encontros que temos, vamos ter o Coro da Fundação e o Grupo de Cordas da Fundação. Ou seja, vamos ter em movimento todas as atividades que se vão desenvolvendo aqui e que vão criando laços junto à instituição. Em suma, nós temos tudo, só não temos é dinheiro;

Vamos promover também um Convívio Intergeracional. Consiste em reunir as crianças e os idosos que frequentam o Clube de Convívio do Centro Comunitário António Aleixo. Isto, no intuito de trocarem lembranças. Isto tem muita humanidade porque as crianças juntam-se e trocam lembranças com os idosos. Ao mesmo tempo, vão aproveitar para desenvolver atividades lúdicas. Temos aqui uma senhora com 91 anos que vem aqui todos os dias. E vem a pé. Tem umas mãos de ouro. Faz uns bordados e umas pinturas lindíssimos e diz que não vivia sem isto. Isto realiza as pessoas. Portanto, o objetivo é promover um convívio o mais salutar possível entre crianças e idosos. É muito importante que se cultive também estes intercâmbios intergeracionais. No fundo, é isto que vamos fazer durante o Natal.

PA – Segundo julgamos saber, a Festa de Natal serão duas. Será assim?

ASL – Sim, é verdade. Fazemos duas em dias separados porque não temos espaço para meter tudo numa festa só. As instalações já não dão. Só em Loulé, entre crianças e pré-escolar, são 180. Depois, temos as crianças de Quarteira, que são mais de uma centena. Se cada uma levar pelo menos só um dos pais, estamos a falar de mais de 500 pessoas. É uma multidão e não temos onde metê-los. É por isso que vamos ter duas festas em dias separados porque isto já envolve muita gente.

PA – A Festa de Natal é realizada todos os anos?

ASL – Sim e, já agora, é interessante referir que os pais participam e trazem sempre qualquer coisa, uns bolinhos e coisas assim. No ano passado, houve uma senhora que trouxe umas coisas lindas que se chamam Papas de Milho. O que eu gozei com as papas de Milho que já não comia há tanto tempo. Era uma coisa tradicional no Algarve e são estes pequenos nadas que acabam por nos trazer muita satisfação porque esta casa cresceu muito.

PA – Neste cenário de crise e de cortes, qual é a situação financeira da Fundação?

ASL – Ainda ontem estive a ver a primeira proposta para o próximo ano e nós vamos precisar de mais de 1,5 milhões de euros. Esta casa já tem foros de empresa. Eu tenho aqui mais de uma centena de pessoas a trabalhar. Só para vencimentos, todos os meses, é um montante considerável. Acabei agora de assinar os vencimentos deste mês, que é outra coisa que me dá muita alegria. Toda a gente tem o seu vencimento em dia. Também temos as contas acertadas com todos os nossos fornecedores. Não temos é depósitos mas também não precisamos disso. O que precisamos é de ter a possibilidade de ir aguardando mês a mês e quando fecho o mês com saldo zero fico muito contente. Não tenho dívidas. Sou feliz. E isto tem sido possível porque tenho um corpo de trabalho muito bom, com uma dedicação exemplar. E o Jorge sabe isso. Vem cá tantas vezes que é quase parte desta família.

PA – Nestes tempos de crise que criaram tantos problemas sociais, esta casa também desenvolve uma ação social no âmbito da Cantina Social. Quantas famílias tem sido possível ajudar?

ASL – Sim, desenvolvemos também a Cantina Social onde apoiamos em permanência 100 famílias, entre as que vêm cá buscar as refeições e o apoio domiciliário, que totalizam 40. Começámos com o apoio a 80 famílias, depois a Segurança Social passou para 100 e o grupo mantém-se com alguma surpresa e não são mais porque não podemos. Estamos sempre no máximo que podemos em virtude dos acordos que temos com a Segurança Social.

PA – Portanto, há carências na comunidade quarteirense?

ASL – Sim, nesta freguesia há carências e muitas. Mais do que as pessoas possam pensar. Dizem que Loulé é um concelho muito rico mas acaba por ter as mesmas carências dos outros todos. Há muito desemprego e nós aqui notamos isso. Por outro lado, felizmente que, no caso presente, a Fundação, não sei se pela natureza dos seus serviços, se pela forma como os exerce, se pelo bom nome que tem na praça, não nos podemos queixar dos mecenas que temos. Temos alguns realmente muito bons. Houve uma altura em que nos queixávamos muito dos centros comerciais instalados no concelho e hoje todos eles têm apoiado a instituição. Temos o exemplo flagrante da Sonae, através da Worten, que tem sido um parceiro com uma valia extraordinária na oferta de equipamentos. Ainda agora, recentemente, e já não é a primeira vez, equiparam totalmente a nossa lavandaria com máquinas de lavar industriais.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Categories: Loulé, Quarteira

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