Lagos

Património Natural e Histórico de Lagos tema central das Comemorações do Dia da Cidade

Lagos comemorou os 442 anos de Elevação a Cidade com algumas iniciativas de caráter cultural e turístico, que incluíram a abertura de duas exposições e a conferência inaugural alusiva ao tema O Infante D. Henrique e Lagos”, integrada no Ciclo de Conferências que a autarquia vai promover durante todo o ano de 2015, dedicado à temática “Os 600 Anos da Conquista de Ceuta”.

O programa, de dois dias, contou com a participação de guias-intérpretes, operadores turísticos, representantes de unidades hoteleiras, empresas de animação turística e outras com atuação na área do município e de vários outros convidados e interessados na temática.

O dia 26 foi preenchido com uma ação de promoção e divulgação, cujo principal objetivo foi potenciar a capacidade de atração do município enquanto destino turístico, numa ótica de valorização da sua história, da sua cultura, do seu património natural e da sua identidade enquanto cidade dos descobrimentos. A parte da tarde foi dedicada a um passeio pedestre pelo património arquitetónico religioso do centro histórico, cujo ponto alto foi a visita à Igreja de São Sebastião e à sua Capela dos Ossos, desconhecida pela maioria dos participantes.

Durante a manhã, as várias intervenções tiveram lugar no Salão Nobre dos Antigos Paços do Concelho que acabou por ser pequeno para acolher tanta gente. A Presidente, Maria Joaquina Matos, deu as boas vindas a todos os participantes, agradecendo a sua presença “nesta iniciativa tão importante e que assinala a Elevação de Lagos a Cidade”. O programa preparado para celebrar esta efeméride é “modesto, mas do qual nos orgulhamos bastante, e, tenho a certeza, de que sairemos, no final destes dois dias, muito mais enriquecidos, assim saibamos apreender todo o conhecimento a que teremos acesso”, frisou a autarca.

Uma ideia corroborada pela Vereadora com o Pelouro da Cultura, Maria Fernanda Afonso, que não quis deixar de frisar que “o nosso produto «sol e praia» é importantíssimo, mas é sazonal e não permite um desenvolvimento económico durante todo o ano”. Por isso é importante, defendeu a autarca, “saber tirar partido de outras valências como a cultura, o património ou, por exemplo, o turismo da natureza. Estamos agora a apostar e a promover estas vertentes, para que possamos potenciar todos os recursos do nosso Município”.

A primeira intervenção esteve a cargo de João Fernandes, vice-presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), que focou a sua abordagem no tema “Património Natural – O Turismo de Natureza”. O representante da RTA apresentou alguns dos pontos integrados na visão estratégica daquele organismo para o turismo do Algarve, no período temporal 2015 – 2018, dando a conhecer os principais produtos estratégicos ou elementos diferenciadores e qualificadores da região (nomeadamente, o sol e praia, o golfe, o turismo náutico, o turismo residencial e o de natureza, entre outros). Aproveitou também para apresentar os números de viagens integradas no Turismo de Natureza, na Europa, que em 2011 foi de 16.8 milhões, “e que se prevê que aumente para mais de 20 milhões este ano”, uma vez que, e de acordo com o mesmo, “segundo alguns estudos já efetuados, a previsão é que este mercado ligado às experiências com a natureza venha a aumentar bastante nos próximos anos”.

A terminar, João Fernandes chamou a atenção para a realização, entre os dias 11 e 19 de abril da primeira edição da “Algarve Nature Week”. O Turismo do Algarve vai promover esta iniciativa que “pretende ser uma montra do turismo de natureza junto de operadores do setor e do público em geral”. Trata-se de uma semana em que as empresas de animação turística e de alojamento relacionadas com o segmento distribuídas pela região irão promover-se junto do mercado regional, nacional e internacional.

De seguida foi a vez de Luís Azevedo Rodrigues, diretor executivo do Centro Ciência Viva de Lagos (CCVL), intervir. A apresentação teve como mote “O Centro Ciência Viva de Lagos e as saídas de campo”, começando aquele professor por afirmar que o CCVL “assume-se como dinamizador local e regional de uma modificação na oferta turística, um apontar para que o Algarve apresente muito mais do que areia, sol e mar”. Para Luis Azevedo Rodrigues é claro que “as saídas de campo de índole geológica têm permitido identificar um novo segmento turístico – o Geoturismo-, nomeadamente através da identificação de algumas praias, arribas e outros locais, em resumo, parte do património geológico e paleontológico do Barlavento Algarvio”. Para este doutorado em Paleontologia “é importante que se fique a saber que o trabalho do Centro Ciência Viva de Lagos não acontece e não se desenvolve apenas «dentro de portas»”, defendendo aliás a este propósito, que estas saídas de campo “têm permitido não só às Escolas e aos professores, mas também aos turistas, uma ferramenta para que o partilhar a Ciência não seja uma mera transmissão passiva de conceitos, mas sim a criação de ambientes favoráveis à construção ativa do saber, do saber fazer, e do saber estar no que à preservação do Património Natural diz respeito”.

De referir que as saídas de campo realizadas pelo CCVL incluem vários pontos dos concelhos de Lagos e de Vila do Bispo, integrando conteúdos como: Geologia Estrutural (praias do Castelejo, da Luz, do Amado, da Amoreira e da Salema) Paleontologia (praias da Salema, Santa de Porto Mós e da Luz) e Estratigrafia (praias da Salema e Santa). A terminar, Luis Azevedo Rodrigues partilhou a informação com todos os presentes de que está prevista para Lagos, para o final do mês de maio (28 a 30), a realização da 3ª edição do Congresso de Comunicação da Ciência. Considerando que as primeiras duas edições decorreram em Lisboa e no Porto “será muito importante para o Algarve, e mais concretamente para Lagos, acolher esta 3ª edição”, ressalvou a terminar a sua breve intervenção.

Para o final da manhã ficou a preleção de Valdemar Coutinho, que falou um pouco sobre o Património Arquitetónico Militar de Lagos, o “mais característico património construído na cidade”, defendeu o conhecido historiador e investigador algarvio, acrescentando que “através dele podemos ficar a conhecer muita da história de Lagos”. Falando de improviso, Valdemar Coutinho sublinhou “a elevada importância de várias construções aqui existentes que nos transmitiram uma série de conhecimentos históricos”, nomeadamente as Muralhas de Lagos, a edificação militar que corresponde ao Forte Ponta da Bandeira, o Forte da Meia Praia ou a Janela Manuelina. Para este antigo professor o que devemos reter é o facto de que “o património de Lagos felizmente não desapareceu, está cá e à vista de todos, saibamos nós preservá-lo e promovê-lo”.

No dia 27 decorreu a Conferência Inaugural do Ciclo de Conferências que a autarquia vai promover durante todo o ano de 2015 subordinadas à temática “Os 600 Anos da Conquista de Ceuta”. O orador convidado, e Coordenador Científico deste Ciclo, foi João Paulo Oliveira e Costa, professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa e autor de várias obras, que falou sobre “O Infante D. Henrique e Lagos”.

Da sua intervenção, bastante apreciada por todos os presentes, incluindo pela Directora Regional de Cultura do Algarve, Alexandra Gonçalves, destacou-se, para além do brilhante enquadramento histórico e da importância para o país da presença do Infante D. Henrique no município de Lagos, a leitura que este historiador fez no final e que, por tão bem ilustrar a relação de Lagos e o Infante, aqui divulgamos (pode ser lida em documento anexo).

O dia foi ainda marcado pela abertura ao público de duas importantes exposições: uma de Pintura de Antero Anastácio, nos Antigos Paços do Concelho e uma Exposição de Banda Desenhada, no Centro Cultural de Lagos, patente até ao dia 11 de abril. A não perder!

Por: Câmara Municipal de Lagos

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