Opinião

O Camarão de Quarteira: Uma Oportunidade!

Artigo de Opinião de João Santos

João Carlos Santos

João Carlos Santos

O melicertus kerathurus, vulgarmente conhecido por “Camarão de Quarteira”, entra  nas listagens de animais marinhos identificados pela ciência em 1775, pelas mãos do explorador e naturalista sueco Peter Forsskal. A sua primeira descrição científica é a seguinte:

camarao

“Rostro desenvolvido, com bordos denteados, prolongado para trás por uma carena, sulcada na sua metade posterior. De cada lado da carena e ao longo de todo o comprimento da carapaça existem dois sulcos, limitados exteriormente por outra carena. Terceiro par de pereópodes terminados em pinça, ligeiramente maior que o segundo. Bordo lateroposterior da placa do primeiro segmento a cobrir o bordo latero-anterior do segundo. As fêmeas não transportam os ovos com o auxílio dos pleópodes”.

Este camarão da costa algarvia detêm grande importância para a freguesia de Quarteira, nomeadamente, para a sua comunidade piscatória. Face a esses contornos, convido o leitor a questionar todo e qualquer quarteirense acerca dos mesmos e garanto que atestará a popularidade deste malacostraca.

Não é difícil, o tema vir ao de cima e rapidamente os elogios desdobram-se, focando-se na sua qualidade e requintado sabor. Tornando-o num camarão de imensa fama e apetecível concorrência. Numa simples busca na internet é possível vislumbrar a quantidade de receitas de gastronómicas que fazem uso do Camarão de Quarteira, destacando-se: o Creme de Camarão de Quarteira.

Este icónico embaixador da Aldeia, Vila e agora Cidade, acaba por sê-lo, sem ter sido nomeado para o efeito. Este autoproclamado embaixador é um activo local bastante valioso, veja-se: várias comunidades do litoral algarvio são conhecidas pelas espécies capturadas nas suas águas, e por detrás de cada uma existe uma raiz histórica; a sardinha em Portimão, devido à dinâmica industrial conserveira e larga frota de traineiras dos séculos XIX e XX; o polvo em Santa-luzia denominando-a “Capital do Polvo”, Olhão pelos seus moluscos nascidos da Ria Formosa, com o seu “Festival do Marisco”. E em Quarteira a sua vasta praia e fundos arenosos, habitat ideal desta espécie.

No entanto, devemos questionar: uma espécie que comporta um altíssimo valor económico, actualmente impossibilitada a sua pesca de forma legal pelas embarcações locais, estas que contribuem directamente para o tecido económico local, não seria pertinente a atribuição de licenças para esta pesca?

Proposta! Se fosse levada a cabo a sua legalização no Verão (1 mês), atribuindo um número restrito de licenças, não viria a permitir um rendimento extra a alguns pescadores e não seria benéfico para evitar o definhar da marca “Camarão de Quarteira”? Hoje em dia quem apanha o dito “Camarão de Quarteira” são os arrastos, privando a comunidade local de ter qualquer tipo de rendimento proveniente da sua captura.

Problema! As malhagens da rede de tresmalho utilizadas para a captura desta espécie, capturam outras espécies ainda em estado juvenil. Em 2002, o anterior IPIMAR – Instituto de Investigação das Pescas e do Mar, em parceria com a Quarpescas – Associação dos Armadores Pescadores de Quarteira, levaram a cabo um estudo no terreno a bordo de embarcações de pesca, tendo sido concedidas licenças com fins experimentais, com o objectivo de terem acesso a dados. Até hoje, continua proibida o uso de determinadas malhagens na pesca ao “Camarão de Quarteira” pelas embarcações locais.

Recentemente, o executivo socialista da Câmara Municipal de Loulé, liderado por Vítor Aleixo, demonstrou o seu interesse em trabalhar com a Universidade do Algarve a temática da Economia do Mar. Considerando o actual mediatismo em torno das questões relacionadas o Mar, não seria este o momento de voltar a pegar na questão do “Camarão de Quarteira”?

Quem sabe, desbloquear pelo período de um mês, licenças para a sua pesca e criar um evento em torno desta marca que encerra um grande valor. O “Festival do Camarão de Quarteira”, poderia ser uma realidade com a qual a freguesia e o concelho só teriam a ganhar fazendo proveito de uma marca que anseia ofegantemente por ser valorizada.

João Carlos Santos

Deputado Municipal

Coordenador do Gabinete de Apoio à Economia do Mar/JSDLoulé e Quarteira

Categorias:Opinião

PlanetAlgarve

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