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QUERENÇA: Antestreia do Documentário “Os Últimos Dias da Pide” do Jornalista da RTP, Jacinto Godinho | 11 de abril

A Fundação Manuel Viegas Guerreiro, em Querença (Loulé), vai ser palco, no dia 11 de abril, pelas 16 horas, da antestreia do documentário “Os Últimos Dias da PIDE”, da autoria do jornalista da RTP, Jacinto Godinho.

Jacinto Godinho - imagem RTP

Jacinto Godinho – imagem RTP

Jacinto Godinho, Jornalista da RTP, é Professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens.

No âmbito desta iniciativa, será ainda apresentado o livro “Os Militares e o 25 de Abril”, de Luísa Tiago de Oliveira, a qual tece as seguintes palavras da sua obra:

Luísa Tiago de Oliveira - foto Facebook

Luísa Tiago de Oliveira – foto Facebook

Em Portugal, no dia 25 de Abril de 1974, os homens das câmaras cinematográficas e fotográficas convergiram para dois locais que se tornaram os palcos mediáticos da revolução militar. Ao longo de 40 anos, a narrativa histórica oficial concentrou-se nesses dois locais de Lisboa, Terreiro do Paço e Largo do Carmo, privilegiando a história do capitão Salgueiro Maia. Maia tornou-se no herói romântico do 25 de Abril desde a manhã, quando pôs em fuga os Ministros do Terreiro do Paço até à tarde, quando obteve a rendição do presidente do Conselho Marcelo Caetano, no Largo do Carmo, por volta das 18 horas. Ao longo de 40 anos, a memória comemorativa dos média e a historiografia oficial não só não fugiram desta narrativa como ainda a foram aprofundando, tornando-a icónica da revolução.

No entanto, uma investigação alternativa da historiadora Luísa Tiago Oliveira, realizada por alturas dos 40 anos do 25 Abril, mostra que houve outros acontecimentos tão ou mais decisivos para a revolução e cujo conhecimento altera a história conhecida.

Assim, os homens fieis ao Estado Novo, quando se renderam aos revoltosos, entregaram-se ao general Spínola. Para eles, o regime não caía, apenas mudava de mãos.

A verdadeira revolução não foi planeada. Iniciou-se no próprio 25 de Abril, fora dos locais mediáticos. Aconteceu na Rua António Maria Cardoso, na sede da PIDE/DGS, a temida polícia política do Estado Novo, apenas a 500 metros do Largo do Carmo, onde estavam os militares e se concentravam praticamente todas as objetivas de filmar e fotografar.

Na rua António Maria Cardoso, desde a madrugada do dia 24 até ao fim do dia 26, aconteceram inúmeros casos dramáticos mas, para espanto atual, mal ficaram registados em filmes e fotos, apesar de, nesse dia, todos os profissionais credenciados estarem na rua a filmar e fotografar sem censura.

Houve duas tentativas de ocupação da sede da PIDE/DGS por parte das forças de fuzileiros. Aconteceram três manifestações populares que terminaram num massacre com 5 mortos e 45 feridos. Naquela rua, revolução não foi a dos cravos. O vermelho era mesmo do sangue que escorreu nas ruas e da muita violência exercida pela polícia. No entanto, contam-se pelos dedos de uma mão as fotos que registam, de forma fugaz, estes incidentes.

Esta investigação colocou-se perante o seguinte dilema: Podem as mesmas imagens do arquivo audiovisual e fotográfico contar uma narrativa diferente e ajudarem a desvelar a história oculta do 25 de Abril?

Esta investigação decidiu usar e cruzar todas as fontes possíveis para recolher o máximo de informações. Isto só foi possível devido aos recentes processos de digitalização no arquivo audiovisual da RTP, tanto de televisão como de rádio. Recorreu-se também ao espólio digitalizado dos fotógrafos que se destacaram no 25 de Abril. Usámos também os jornais e revistas da época digitalizados. Só assim foi possível fazer este trabalho inédito de cruzar imagens, fotos, reportagens radiofónicas, páginas de jornais, documentos recolhidos por historiadores e testemunhos dos protagonistas.

No interface do computador, foi possível cruzar imagens e fotos para reconhecer protagonistas; Imagens e sons para afinar melhor as horas em que ocorreram efetivamente os acontecimentos e resolver dilemas da memória pessoal.

Descobriram-se imagens inéditas dos mortos, momentos antes dos massacres, identificaram-se manifestantes feridos, desconhecidos durante 40 anos. Refez-se uma história oculta que permite interpretar os acontecimentos do 25 de Abril através de novas linhas de interpretação. Percebe-se todo o processo que foi um golpe militar e acabou numa revolução se deve à inesperada queda dos serviços secretos portugueses e especialmente a tomada dos seus preciosos arquivos.

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