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12.º Festival MED reúne World Music e Culturas do Mundo, Fado, Cante Alentejano e Dieta Mediterrânica em quatro dias de muita animação | 25 a 27 de junho

 

Este ano, o evento presta homenagem às três expressões da cultura portuguesa declaradas como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO | De 25 a 27 de junho e com dia aberto no domingo (dia 28), na Zona Histórica de Loulé.

Quatro dias de música e culturas do mundo com a diversidade de sempre e, este ano, a associação ao Património Cultural Imaterial da Humanidade, vão marcar a 12ª edição do Festival MED, que decorre na Zona Histórica de Loulé, de 25 a 27 de junho, com um dia aberto ao público (28 de junho) dedicado exclusivamente à Dieta Mediterrânica. O cartaz completo e todas as novidades deste ano foram ontem anunciados pela organização do evento, numa cerimónia no Cine-Teatro Louletano, apresentada pela jornalista da Antena3, Raquel Bulha, e que contou com um concerto surpreendente da cantora moçambicana Selma Uamusse.

Alamedadosoulna (Espanha), Brass Wires Orchestra (Portugal) e Babylon Circus (França) são os últimos nomes divulgados e que fazem parte da lista de artistas que irão passar por Loulé. No total serão 42 bandas, de 15 nacionalidades, distribuídas por seis palcos que levarão o melhor da World Music ao coração do Algarve.

A par dos três palcos principais – Matriz, Cerca e Castelo –, o Bar Bafo de Baco irá apresentar uma programação de nove bandas para o Palco Bica, enquanto que a Casa da Cultura de Loulé levará ao Palco Arco seis projetos.

Durante os três dias de Festival, o MED Classic propõe uma programação para a Igreja Matriz, às 19h30, que contará com os concertos do Ensemble MED, do Ensemble de Flautas de Loulé e Ensemble de Alaúdes de Évora e o projeto musical Symbiosis de Lilia Donkova e Gonçalo Pescada.

Mas a grande novidade em termos musicais vai ser o MED Fado, a recriação de uma Casa de Fados, nos Claustros do Convento, por onde vão passar fadistas locais. Esta pretende ser uma homenagem ao Fado enquanto Património Cultural Imaterial da Humanidade. É também neste âmbito, enquanto elementos integrantes da cultura portuguesa distinguidos pela UNESCO, que o Cante Alentejano e a Dieta Mediterrânica vão estar em destaque. O primeiro inserido no programa de animação do recinto, com grupos em vários pontos do recinto que levarão esta expressão popular do Alentejo ao MED. A segunda no dia de entrada livre, domingo, 28 de junho, que será integralmente dedicado à gastronomia e aos sabores e saberes da alimentação da Bacia do Mediterrâneo, distinguida em 2013 como Património Imaterial da Humanidade, reconhecimento para o qual a região algarvia também deu o seu contributo.

Ao nível da animação de rua, 5 grupos vão estar espalhados pelo recinto diariamente, interagindo com os visitantes, com muitas surpresas e momentos musicais improváveis como um concerto de serrotes.

A gastronomia de países como Grécia, Marrocos, Itália, Líbano ou Espanha é outra das componentes importantes do MED, tal como o artesanato nacional e internacional representado por 80 expositores. Nas artes plásticas o programa propõe 4 exposições em vários pontos do recinto.

As questões ambientais continuam de mãos dadas com o Festival MED e, nesse sentido, o Eco Ecológico, lançado em 2014, irá manter-se, mas desta vez gratuito para todos os que adquirirem bilhete. “De acordo com a contabilização feita pelo ambiente e serviços urbanos da Câmara Municipal de Loulé, esta iniciativa permitiu reduzir a produção de plástico em quase 1 tonelada por noite”, explicou o diretor do evento e vice-presidente da Autarquia, Hugo Nunes.

Por outro lado, o MED irá aderir este ano ao Movimento Zero Desperdício.

Para este responsável, “ao ser um festival do mundo, ao ter essa dimensão e a envolvência, é um festival que assenta que nem uma luva na cidade de Loulé”. “É um hino à diversidade. Essa diversidade esteve presente nos nomes que vimos aqui, nas culturas, nas pessoas, nos rostos que por aqui passaram e que também eles correspondem, noutra escala àquilo que é o nosso Concelho. Um Concelho com uma diversidade muito grande e por isso também um Concelho muito rico”, sublinhou o vice-presidente da Autarquia, Hugo Nunes.

Já o presidente da edilidade, Vítor Aleixo, sublinhou o facto do Festival MED ter tido o mérito de valorizar a Zona Histórica da cidade. “Este é um local absolutamente primoroso que os louletanos conheciam mal, frequentavam pouco, e foi graças ao Festival MED que começaram a despertar para o Centro Histórico da nossa cidade. A cada ano que passa há qualquer coisa de novo mais para nos apercebermos que temos ali uma jóia”, afirmou Vítor Aleixo.

Recorde-se que o Festival MED surgiu em 2004, com o objetivo de criar um festival de música “diferente e único”. Ao longo dos anos tem alargado essa dinamização cultural e, dos países da Bacia do Mediterrâneo, o MED está aberto ao mundo. “Abriu fronteiras até porque a música e a cultura não conhecem, não podem conhecer fronteiras! O próprio conceito de World Music tem sido cada vez mais esbatido e o Festival MED tem contribuído para essa divulgação alargada”, explicou Raquel Bulha, coordenadora de programas de rádio ligados à World Music.

Com uma média diária de 7mil pessoas, nestes 11 anos já passaram pelo MED 366 bandas de 35 países, em cerca de 500 horas de música. A seleção musical e a aposta na qualidade artística é dos fatores mais importantes e que surpreende, ano após ano, o público. Pelos palcos do MED já passaram nomes conceituados do panorama internacional da World Music como Amadou&Mariam, Solomon Burke, Kimmo Pohonen, a Orquestra Buena Vista Social Club ou Bajofondo Tango Club.

Artistas em destaque

Este ano sobe ao palco do Festival MED o grupo Sul coreano Jambinai. Um quinteto jovem que integra músicos ligados mais à formação clássica sul coreana e outros mais ligados à vertente contemporânea do Rock. Ligações que irão tornar-se explosivas na composição dos temas ao vivo e com grande ênfase ao Geomungo, um instrumento de cordas, uma espécie de cítara, tocado com uma palheta provocando um turbilhão de sensações e emoções consoante a intensidade e constância com que é tocado. Para além desse instrumento a banda faz-se acompanhar por outros tradicionais – o de arco chamado “hegam” e o de sopro piri. Juntam-se a bateria e o baixo. O cenário é o ideal de fusão entre o Pós-Rock eletrónico e a tradição da música da Ásia, mais concretamente, tradição da Coreia do Sul.

Danças Ocultas & Dom La Nena é outro dos projetos em evidência no cartaz deste ano do MED. Apresenta a ligação de Portugal e Brasil e o melhor dos dois mundos. Esta união começou pela curiosidade mútua de fundirem canções, da violoncelista brasileira Dom La Nena e os instrumentais do quarteto português de concertinas Danças Ocultas. Começaram a tocar juntos em 2012 e editaram no início deste ano o EP ArCo.

Os holofotes irão incidir também sobre uma artista que vem da Argélia. A cantora e percussionista Saharaui Aziza Brahim irá mostrar ao público louletano a tradição e pertinência da música do Sahara Ocidental, uma região massacrada pelos conflitos político-religiosos. Cresceu num campo de refugiados da Argélia e cedo percebeu que a música não se resumia à função de entretenimento, ela permitia expressar sentimentos e ideias fundamentais da resistência. Consegue estudar em Cuba, durante uns anos e, em 2007, criou um super grupo com elementos de diferentes nacionalidades (Espanha, Senegal, Colômbia). O ano passado editou o seu terceiro álbum “Soutak”, com músicos de Barcelona e Mali.

Baloji é o nome do artista congolês que irá subir ao palco da Cerca no dia 27 junho. É também a palavra que em swahili quer dizer feiticeiro. Baloji nasceu no Congo e foi viver muito novo para a Bélgica. Regressou bem mais tarde, já depois de ter gravado o seu primeiro disco o “Hotel Impala” com sonoridades mais ligadas ao hip hop. Quis, a partir daí, explorar as suas tradições. A meta seria gravar uma nova versão desse seu disco mas o que descobriu nas ruas de Kinshasa surpreendeu-o tanto que começou a gravar um álbum novo, o “Kinshasa Succursale”.

Ester Rada é outra forte aposta na edição deste ano do Festival MED, juntamente com os Balkan Beat Box marcam a presença de Israel. Quem a influencia é Nina Simone, Stevie Wonder ou Erykah Badu, personalidades ligadas à Soul e ao R&B. Ester junta um ethio Jazz hipnótico, Funk com toda a vanguarda cosmopolita de Israel. Traz um som inovador, melódico, atual, definindo-o como Ethio Soul.

Programa Palcos Principais

Quinta-feira, 25 junho

CASTELO

21h45 TAPE JUNK (c/ FRANKIE CHAVEZ)  (Portugal)

23h45 BRASS WIRES ORCHESTRA (Portugal)

01h45 CLUBE CONGUITO (Portugal)

MATRIZ

22h15 CARMINHO (Portugal)

00h15 BABYLON CIRCUS (França)

CERCA

21h15 CATI FREITAS (Portugal)

23h15 JAMBINAI (Coreia do Sul)

01h15 SKIP & DIE (Holanda/África do Sul)

Sexta-feira, 26 junho

CASTELO

21h45 DANÇAS OCULTAS & DOM LA NENA (Portugal + Brasil)

23h45 BATIDA (Portugal/Angola)

01h45 DRUMSPROJX BY SYLVA DRUMS (Portugal)

MATRIZ

22h15 ESTER RADA (Israel)

00h15 CUMBIA ALLSTARS (Peru)

CERCA

21h15 RAQUEL TAVARES (Portugal)

23h15 AZIZA BRAHIM (Sahara Ocidental)

01h15 BALKAN BEAT BOX (Israel)

Sábado, 27 junho

CASTELO

21h45 GIANA VISCARDI convida SARA TAVARES (Brasil + Cabo Verde)

23h45 TIAGO BETTENCOURT (Portugal)

MATRIZ

22h15 NNEKA (Nigéria)

00h15 FERRO GAITA convidam DINO D’SANTIAGO (Cabo Verde)

02h15 DJ MARFOX (Portugal)

CERCA

21h15 KARYNA GOMES (Guiné Bissau)

23h15 BALOJI (República. Democrática do Congo)

01h15 ALAMEDADOSOULNA (Espanha)

Por: Município de Loulé

Fotos: CMLoulé / Mira

Categories: AGENDA, Loulé

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