Loulé

Casas da Benémola: Centro de investigação ou simples anexo da Quinta da Ombria?

Um ano e meio depois de o projecto ter dado entrada nos serviços da autarquia, ficou recentemente formalizado o apoio do Município de Loulé à criação em Querença de  “um centro de investigação científica, ligado às questões ambientais”.

Este “centro de investigação”, apelidado de Casas da Benémola, será financiado pela Arto Carpus Castelo Foundation, uma fundação finlandesa.

Ora o patrono da Arto Carpus Castelo Foundation é, nada mais nem menos, Arto Takala, promotor inicial do famigerado projecto da Quinta da Ombria, e foi também Arto Takala que fundou a empresa Casas da Benémola – Gestão de Produtos Turísticos.

O “centro de investigação” Casas da Benémola inclui um hotel rural de 4 estrelas com 17 quartos e duas suites e o seu projecto é da autoria do Arq. Fernando Pessoa.

A Associação Almargem começa por considerar positivo que o Sr. Arto Takala queira promover um projecto turístico de qualidade e de pequena dimensão em Querença. Ainda por cima virado para as questões espirituais e apostado em apoiar a investigação científica no Barrocal Algarvio, para além de ter a chancela de uma personalidade tão marcante para o ambiente no Algarve como é o Arq. Fernando Pessoa.

Gostaríamos até de nos congratular acerca do facto de o Sr. Arto Takala, embora com 16 anos de atraso, vir aparentemente reconhecer que a Almargem sempre teve razão ao estar totalmente contra o seu projecto na Quinta da Ombria, defendendo, em alternativa, a ocupação daquele espaço com um projecto inovador e de grande qualidade, virado para o turismo de natureza.

No entanto, a Almargem considera estranho e contraditório que Casas da Benémola, o novo projecto do Sr. Arto Takala, tenha feito questão em se localizar num terreno de 10 hectares confinante com a área de implantação do projecto Quinta da Ombria, hoje detido por outros investidores finlandeses (Pontos Group), e que, infelizmente, se prepara para avançar. Isto é, o “centro de investigação com o qual se pretende proteger os ecossistemas mediterrânicos do Barrocal” vai ter afinal uma relação directa e uma vista privilegiada sobre um campo de golfe, um hotel de luxo e 400 moradias e apartamentos que vão destruir, justamente, uma das zonas do Barrocal Algarvio com maior valor natural e paisagístico…

Acresce a tudo isto, a preocupação da Almargem acerca do futuro da Paisagem Protegida Local da Fonte Benémola. Para além da Quinta da Ombria, a sul, complementada agora com as Casas da Benémola, continua a pairar a ameaça de um outro megaempreendimento turístico a norte (Vida Vital) que, há algum tempo atrás, já deu que falar ao ter começado por destruir uma zona de Barrocal para suposta implantação de um olival intensivo.

O executivo municipal de Loulé tem de olhar para esta pressão intolerável que se tem vindo a intensificar em torno do Vale da Benémola e decidir se vai permitir que este território magnifico e incomparável – autêntica jóia do Barrocal Algarvio – se venha a tornar numa espécie de parque privado de lazer para os muitos milhares de turistas que ameaçam vir a instalar-se mesmo ali ao lado.

Assim, a Associação Almargem apela ao Município de Loulé para que organize, com urgência, um fórum de debate acerca das áreas protegidas e sítios da Rede Natura 2000 que possui no seu território, de forma a discutir as melhores formas de gerir este património que é de todos nós e não pode, por isso, ser aproveitado apenas por alguns.

Por: Associação Almargem

Casas da Benémola

Casas da Benémola

Categories: Loulé, Opinião

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.