Quarteira

Enterro do Entrudo 2016 | Cumpriu-se a tradição em Quarteira

A cidade de Quarteira encerrou esta noite a Quadra Carnavalesca com o Enterro do Entrudo, uma tradição quarteirense nascida há 25 anos e que todos os anos se vem reavivando, envolvendo a comunidade local e atraindo muitos visitantes e turistas.

Tudo começou pelas 21 horas com o ponto de partida localizado na Rua da Alegria, com o ‘carro funerário’ a percorrer grande parte das artérias da Quarteira antiga, num ‘funeral’ ao qual se foram juntando muitas pessoas à sua passagem, atraídas pelos gritos lamuriantes da viúva inconsolável em constante diálogo com o padre, sempre com muita ironia e malícia quanto baste.

O funeral culminou na Praça do Mar, onde já havia uma boa moldura humana à espera das ‘exéquias finais’, altura em que foi lido o Testamento do Entrudo, em forma de quadras, cuja tónica dominante foi a sátira às figuras maiores da política portuguesa, sobretudo governantes e ex governantes.

Lido o Testamento, por parte de Alexandre Rodrigues e Esmeralda Brito, o funeral seguiu para o areal, onde foi pegado fogo ao defunto.

O Enterro do Entrudo 2016 foi uma organização da Junta de Freguesia com a participação de voluntários e o apoio da GNR e do Grupo Motard de Quarteira.

A tradição do Enterro do Entrudo

O Enterro do Entrudo é um ritual pagão secular que encerra o período de folia dos festejos carnavalescos. Por um lado, extravasa todas as tensões e energias. Por outro lado, prepara o espírito para o sossego da Quaresma que se aproxima.

Diz a tradição que, na noite de Carnaval, a rapaziada corre em cortejo as principais ruas da localidade onde é comemorado, levando numa padiola um defunto fictício e nas mãos os fachuqueiros ou “chafusqueiros” (pedaços de palha de centeio atados para que não queimem depressa demais) a arder. Transportam, também, chocalhos, latas velhas e penicos. Ao percorrerem as ruas, durante a noite, fazem um funeral simbólico, cantando num barulho ensurdecedor: “Ó meu Entrudo, Cabeça de Burro, Roubaste-me a Chicha e Deixaste-me os Ossos!”. Outros jovens transportam baldes de farinha que lançam aos curiosos que lhes aparecem pelo caminho ou os que assomam às janelas.

Carnaval também é sinónimo de Entrudo, tendo sido registado por D. Afonso III em 1252. “Entrudo”, que deriva do latim “introitu”, quer dizer, começo… é portanto o intróito à Quaresma Cristã, sentido que se sobrepôs a festividades pagãs que assinalavam o início de um novo ciclo agrário”.

Era vulgarmente uma vingança dos rapazes aos velhos mais embirrentos, aproveitando o facto de que “no Carnaval ninguém leva a mal”.

Caçada era outra das brincadeiras. Dentro de uma lata velha, lata e loiças quebradas (cacos) que de longe atiravam para dentro de uma casa, onde as pessoas desprevenidas se assustavam.

É, porém, o Enterro do Entrudo que se realiza na Quarta-feira de Cinzas que mantém toda a tradição e grande popularidade.

Atrás de um boneco de palha cheio de bombas de foguete e que é transportado numa padiola (maca), centenas de populares percorrem as ruas, gritando como se estivessem chorando um ilustre morto. Chegados à Praça, é ensaiado um discurso acusatório do Carnaval. Depois, o boneco é queimado numa fogueira entre o barulho das bombas rebentando. De regresso a casa, vão cantando músicas alegres e a tocar os chocalhos.

Também em Quarteira era costume queimar um boneco na praia mas nos últimos anos esse detalhe não vinha acontecendo, tendo sido reavivado esta noite.

Assim, Quarteira vai reavivando a tradição do Enterro do Entrudo, tradição essa que comemorou este ano um quarto de século.

Quarteira, uma terra de tradições graças à grande capacidade de mobilização das suas gentes, fazendo de cada evento um verdadeiro sucesso. O Enterro do Entrudo 2016 não fugiu a esta regra.

Leia em anexo O Testamento do Entrudo A

Texto e Fotos: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

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