Algarve

Protesto da CUVI – excesso de zelo da GNR impede distribuição de informação aos automobilistas

Realizou-se no dia 24 de março mais um protesto público contra as portagens na Via do Infante, organizado pela Comissão de Utentes (CUVI). Estiveram presentes diversos populares, entre eles associados e dirigentes do Motoclube de Faro, bem como o deputado pelo Algarve do Bloco de Esquerda, João Vasconcelos, como é sabido um dos principais animadores desta luta.

Com esta iniciativa a CUVI quis aproveitar a vinda habitual de muitos turistas espanhóis ao Algarve em virtude do período de férias da Páscoa. A ação consistiu numa marcha lenta que partiu do início da Ponte Internacional do Guadiana no lado português, entrou em Espanha e regressou ao local do pagamento de portagens, no outro lado da via. Aí os manifestantes empunharam diversas faixas e cartazes de protesto contra a continuação das portagens, exigindo a sua rápida suspensão.

Desde o início da ação até à sua paragem nas portagens a afluência de carros espanhóis pela Ponte foi sempre bastante grande. Muitos foram passando sem parar nas portagens, sabendo que evitavam circular na A22. Mas, muitos outros, foram-se acumulando em quatro grandes filas e parando às dezenas e dezenas para serem portajados, apesar de haver diversos funcionários da concessionária a instruir o modo de pagamento.

Estranhamente, um pouco antes e até à chegada da marcha da CUVI à praça da portagem, as autoridades da GNR “limparam” toda a área, fazendo com que os condutores fossem desviados pela A22 sem qualquer tipo de pagamento. Todavia, nos instantes seguintes as filas de automóveis congestionaram o local da portagem para pagamento. De onde teriam partido as instruções para tais procedimentos?

Muitos cidadãos espanhóis manifestaram o seu apoio e concordância com o protesto que decorria. E a ação ter-se-ia realizado com toda a “normalidade” não fosse o excesso de zelo dos elementos da GNR, o que obrigou os manifestantes a ficarem todos na beira do passeio exterior que ladeia as portagens, impedindo-os de chegar perto dos carros que nelas paravam.

O próprio deputado do Bloco e membro da Comissão de Utentes que se dirigiu aos passeios das portagens interiores para contactar e entregar folhetos informativos aos turistas foi de imediato abordado por vários guardas que exigiram a sua retirada. João Vasconcelos, embora pudesse invocar o seu estatuto de deputado, acabou por voltar ao passeio exterior para evitar maior conflito com a GNR.

No entanto, o excesso de “zelo” da GNR indignou diversos populares que também pretendiam distribuir a informação e eram impedidos de o fazer pelos guardas que os empurravam, não os deixando abeirar-se dos carros. Só ao fim de muita insistência e de muita discussão é que foi permitido a um cidadão e apenas a um (?!) aproximar-se dos carros e ir entregando alguns folhetos.

O corpo da GNR justificou para a sua intransigência “ordens superiores” que nunca apresentou, e foi invocando o Código da Estrada, a perturbação do fluir do trânsito ou um eventual risco para a segurança dos próprios manifestantes.

Mas, na realidade, nenhuma dessas razões era verossímil nem razoável, pois, só por si, a necessidade de proceder ao pagamento é que obrigava os carros a pararem e acumularem-se uns atrás dos outros. Nessa situação era simples e sem qualquer problema para a marcha dos carros ou para a segurança, fosse de quem fosse, que alguns dos manifestantes se deslocassem dois ou três (!!) passos e fossem entregando os folhetos aos ocupantes dos veículos cuja maioria até estava parada.

Tratou-se assim de uma atitude excessiva e desnecessária por parte da GNR. E até anómala, pois em bastantes outras ações já realizadas ao longo dos vários anos desta luta, com a presença das forças da GNR, provavelmente sendo alguns os mesmos presentes nesta ação, foi sempre possível aos manifestantes distribuir a sua informação aos automobilistas em trânsito, sem qualquer perturbação de maior e até em condições menos favoráveis do que no protesto de agora.

Será que desta vez alguém quis evitar o contacto mais direto com os turistas espanhóis? Ou algum comando superior que não dormiu bem na véspera? Terá sido o sol de março que “faz pegamaço” nas cabeças das “forças da ordem”? Fosse pelo que fosse, desta vez não agiu bem o corpo da GNR.

Sem qualquer justificação válida – se é que alguma é válida – impediu que cidadãos exercessem a sua liberdade de expressão e o seu direito de informação, constitucionalmente consignados, ao manifestarem legal e pacificamente o seu justo protesto contra uma medida injustificável, criminosa, empobrecedora da região algarvia, incómoda e também onerosa para quem nos visita e que, há muito, já deveria ter sido anulada.

Por tudo isto, porque infelizmente neste caso o atual governo está-se acobardando de fazer o que deve e a que, em parte se comprometeu, espera-se que para os próximos protestos os agentes da GNR estejam melhor instruídos e tenham mais bom senso.

A Comissão de Utentes da Via do Infante

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