Algarve

SAÚDE no Algarve l Carta dos directores de departamento do Centro Hospitalar do Algarve requer que Governo tome medidas imediatas

Em Março do presente ano, num acto oficial com vista a dar posse ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve, o Ministro da Saúde, Adalberto Marques Fernandes, declarou: “Eu comprometi-me que, até 31 de maio, nós não entraremos no verão com dificuldades inaceitáveis no Algarve”.

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Cristóvão Norte, deputado pelo Algarve, confrontou o Ministro com estas declarações, assinalando que  “a vaga de demissões e corte de orçamento não levam o problema crónico da saúde no Algarve mais perto da solução”  e que “infelizmente o precipitado compromisso ficará por cumprir: não temos mais médicos, temos menor orçamento, menos actos médicos, mais demissões nos serviços. Ou seja, temos mais descontentamento dentro dos hospitais e menos ‘cá fora’, já que quem está hoje na oposição faz as coisas sem criar alarmismo”.

Foi esta semana conhecida uma carta de altos responsáveis do Centro Hospitalar do Algarve na qual se apontava a situação crítica da instituição, a qual se mostra agravada ao longo dos últimos meses, e que para além de apontar um conjunto de aspectos que exigem correcção imediata – muitos de organização interna – , contradiz claramente o que o Ministro afirmou sublinhado a gravidade da degradação da oferta assistencial. Perante a insistência do deputado Cristóvão Norte, o Ministro assumiu que viria ao Algarve no próximo mês inteirar-se da situação.

O PSD, como sempre, alertou que o Algarve sofre estruturalmente de uma crónica escassez de médicos e que, por isso, sem resolver esta debilidade as dificuldades maiores não seriam superadas.

Foi recentemente tornado público um conjunto de demissões de Directores de Serviço – Urgências, Neurocirurgia e Ortopedia – facto que determinou que o Presidente do conselho de Administração, em declarações públicas, aludisse a que “A saída de profissionais e as necessidades de resposta a agravarem-se provocaram situações de mal-estar , visto os médicos não conseguirem desempenhar, da melhor forma, as suas funções.” Quer isto dizer que não estão a ser tomadas medidas capazes de inverter esta tendência, até agravada pelos cortes que o Centro Hospitalar do Algarve sofreu no Orçamento de 2016, apesar de se somarem as declarações nesse sentido e o ruído organizado e partidariamente orientado ter desaparecido.

O PSD continua a acompanhar o problema que reiteramos ser estrutural – basta atentar na disparidade de 17 anestesistas Algarve e 110 em Coimbra, facto que impede a realização de operações e tendencialmente elimina a idoneidade dos serviços o que a prazo afasta a fixação de médicos – e assume o propósito de contribuir para a solução do problema.

Por isso, o PSD Algarve, pelos seus deputados,  questionou o Governo sobre quando haverá médicos suficientes, que medidas já foram e serão tomadas e quais os efeitos que delas se esperam. O cariz excepcional de protocolos celebrados com unidades fora do Algarve, que já nasceu há alguns anos, não é o antídoto para debelar o problema, pois só pode ser transitório e não definitivo, sob pena  de deixar o Algarve mais longe da saúde.

Por outro lado, no Algarve existem cerca de 25 médicos de família que fazem noites nas Urgências do CHA (Lagos, Portimão, Albufeira, Loulé, Faro e VRSA), pelo que há um potencial de perda de 1000 dias/ano de consulta nos centros de saúde, o que representa cerca de 21.000 consultas/ano a utentes, por força da revisão do acordo colectivo de trabalho e que não está claro como será colmatada.

Veja também:

Link intervenção

Carta dos novos diretores de departamento do CHA

Circular de nomeação dos referidos diretores

A Comissão Política Distrital do PSD Algarve

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