Opinião

«O autorretrato que a todos fica bem!», Por Carolina Figueiras

Carolina Figueiras

Autorretratar-nos é como se vivêssemos sem proteção e na sociedade atual é muito difícil, mas na verdade há um que se encaixa sempre bem, digamos que é a mascara socialmente aceite….

Na verdade vivemos numa sociedade preconceituosa. Por isso aprendemos a sobreviver e a defender-nos, negando aquilo que somos evidenciando qualidades que nunca existiram em nós, mas sabendo que essas qualidades são bem aceites e por isso, gritamos para que todos nos ouçam, EU SOU… bla, bla e simpática,  EU SOU bla, bla e amiga, EU SOU bla, bla e sensível aos problemas da sociedade e EU SOU bla, bla…e EU SOU bla, bla!

Na verdade fazer o autorretrato físico é fácil, não podemos negar o nosso aspeto, então dizemos: Eu sou alta, eu sou morena, eu tenho olhos azuis e cabelo preto, eu sou nariguda, eu tenho orelhas grandes, tal como na história do capuchinho vermelho quão facilmente descobrimos pela informação dada que na frente do capuchinho está o lobo mau e não a sua avozinha.

O problema surge quando o autorretrato pretende decifrar  aquilo que eu sou, aquilo  que eu desejo, por outras palavras  a minha essência, como se pode falar sobre isto numa sociedade como a nossa, onde todos se sentem no direito de opinar, criticar e julgar!?

Fácil, vivendo num mundo do faz-de-conta, por isso apenas se diz aquilo que o outro quer ouvir, aos pais dizemos: “Eu sou muito verdadeira, eu nunca minto”, aos amigos e colegas: “Eu guardo segredo, podes contar, podes desabafar…”, aos professores: “Eu estudo muito, eu faço os trabalhos de casa todos”, e à sociedade “eu não sou corrupto, eu protejo a natureza, eu ajudo os necessitados, eu aceito a diferença eu sou muito trabalhadora!”…

Este é o autorretrato que encaixa sempre bem.

O problema são as atitudes e comportamentos e aí nada se encaixa com o autorretrato que fazemos de nós próprios, assim “não bate a bota com a perdigota”.

O que fazer? Talvez tomar o papel do capuchinho vermelho e não se deixar enganar pela voz melosa do lobo mau, esse é o maior desafio! Descobrir o que está para além das aparências, pois, na verdade não é apenas no Carnaval que se usam máscaras!

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