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Colaboradores do Tamera no 20.º Aniversário da Comunidade pela Paz na Colômbia

Quatro colaboradores do Tamera – Centro Internacional de Pesquisa pela Paz em Portugal, viajaram até San José de Apartadó, Comunidade pela Paz na Colômbia. Martin Winiecki, coordenador do Instituto para o Trabalho Global pela Paz em Tamera e Sabine Lichtenfels, co-fundadora de Tamera fazem parte deste grupo que participará na celebração do 20.º aniversário da comunidade com a qual Tamera colabora.

A Comunidade pela Paz foi fundada a 23 de Março de 1997 no norte da Colômbia em tempos de extrema violência e quando agricultores de pequena escala estavam a ser expulsos das suas terras. Mais de 1000 camponeses e refugiados, encurralados pelas forças armadas, comprometeram-se a não exercer violência e a não colaborar com qualquer um dos lados da guerra civil.

Ainda que mais de 200 destes camponeses e refugiados tenham sido mortos pela guerrilha e por paramilitares, os que sobreviveram não desistiram do seu compromisso e tornaram-se um exemplo para dezenas de outras aldeias pela paz em todo o país.

Nos últimos 12 anos, Tamera acompanha San José de Apartadó através de caminhadas pela paz, visitas recíprocas, educação e transferência tecnológica.

Com Juan Manuel Santos, Presidente Colombiano galardoado com o Prémio Nobel da Paz, e a sua campanha de desarmamento da guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), a Colômbia tem neste momento uma hipótese de alcançar a paz.

ontudo, a situação é extremamente perigosa nestes tempos de transição. Grupos paramilitares, também conhecidos como “esquadrões da morte”, corporações multinacionais e políticos corruptos usam a chamada “paz” como cobertura da prolongação da guerra contra civis indefesos e todos os que resistem os seus planos.

É por isso que a delegação de Tamera irá também reunir-se com membros do governo colombiano e, possivelmente, com o Presidente Santos.

“Eu tenho a visão de convencer o Presidente Santos a assumir uma posição pública por San José e outras comunidades pela paz no país e desta forma assegurar que estes projectos serão protegidos da violência.

A Colômbia encontra-se numa encruzilhada: Será que um verdadeiro processo de reconciliação e construção de paz irá começar? Ou “paz” será só mais uma palavra para esconder guerras?

Como podemos ver, a Comunidade pela Paz de San José de Apartadó poderia assumir um papel fundamental em relação ao futuro do país.

Com tudo o que viveram e com todo o sofrimento, com o conhecimento profundo que têm sobre o perdão, a não-violência e a solidariedade, poderiam tornar-se professores para lutadores desarmados em termos de educação pela paz”, afirma Sabine Lichtenfels.

Sabine Lichtenfels e a sua equipa numa das visitas à Comunidade pela Paz de San José de Apartadó, na Colômbia

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