Consumidor

“A marmelada será mesmo da avó?”

Delegação Regional do Algarve

CONSULTÓRIO DO CONSUMIDOR / DECO

A DECO INFORMA…

Avós, mães e tias arregaçam as mangas e fazem receitas várias ¬ afiançam as alegações ¬ que, depois, são embaladas com lindos rótulos. Mas a aparência esconde o que, numa investigação mais aprofundada, se percebe ser uma história contada para soar bem aos olhos dos potenciais compradores.

O cepticismo previne cerca de um terço de consumidores de serem apanhados de surpresa quando de publicidade se trata: reconhecem a estratégia de marketing e a lista de ingredientes não lhes escapa.

A sequência de ingredientes, que contradiz a remissão para ambientes caseiros e tradicionais, é maior do que poderíamos supor e esse factor não os diferencia muito de outros produtos na mesma prateleira do supermercado.

Artesanal, caseiro, original ou avó são designações que não se encontram explícitas na legislação. Deste modo, são recursos usados livremente pelos fabricantes que nos remetem para o universo emocional da família e casa, onde os doces e os bolos são confeccionados com paciência e com os ingredientes esperados. E não com ovos em pó, aromas, conservantes, corantes, espessantes e outros aditivos.

Menos processado, logo, melhor qualidade, é uma ligação de ideias confirmada por uma sondagem junto de 300 consumidores, quando questionados sobre o que representam, nos rótulos de produtos alimentares, os termos “artesanal” e “caseiro” e outros. “Tradicional”, “original”, da “avó”, entre outros, sugerem que a receita é antiga. Porém, a credibilidade é afectada, quando se encontra à venda em grandes quantidades, o que faz cair por terra um certo cenário doméstico.

Os conservantes são aceites, ao contrário dos corantes, espessantes e aromatizantes, dado o carácter artificial e industrializado. Os ovos em pó apenas são tolerados em produções mais industriais e, como tal, tendem a afastar os consumidores à procura de um produto mais autêntico. Embora o preço possa ser dissuasor, segundo os consumidores com quem contactámos, justifica-se por supostamente ser um produto menos massificado e com mais sabor.

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