Albufeira

Albufeira implementa programa para reduzir vítimas de morte súbita cardíaca

Na passada quinta-feira, o Município de Albufeira apresentou ao público o Programa de Desfibrilhação Automática Externa (PDAE), com o objetivo tornar o concelho mais seguro em situações de emergência médica relacionadas com a ocorrência de doença súbita. No arranque do projeto “Autarquia Segura”, a Câmara Municipal procedeu à entrega simbólica de um conjunto de equipamentos, que irão ser instalados na via pública, junto a edifícios municipais e em zonas chave do concelho, para que se possa atuar imediatamente em caso de paragem cardiorrespiratória.

A Câmara Municipal de Albufeira apresentou, no passado dia 14 de setembro, o Programa de Desfibrilhação Automática Externa de natureza comunitária, que entrará em funcionamento no próximo mês de outubro.

O projeto, que terá um grande impacto na qualidade de vida da comunidade concelhia, consiste na instalação de 11 desfibrilhadores automáticos na via pública e outros dois em veículos, bem como na formação em Suporte Básico de Vida (SBV) e Desfibrilhação Automática Externa (DAE) de 170 pessoas, entre civis, funcionários municipais e elementos da GNR e dos Bombeiros Voluntários.

“A morte súbita cardíaca representa nos países desenvolvidos, incluindo Portugal, a principal causa de mortalidade. Em Portugal estima-se que existam todos os anos 10 mil casos de morte súbita cardíaca, o que corresponde a uma média de 27 casos por dia. Nestas situações temos que ser muito rápidos a atuar porque a cada minuto que passa, a probabilidade da vítima sobreviver diminui cerca de 2%, o que significa que ao fim de 10 minutos pode chegar a melhor equipa médica do mundo, que já não vai poder fazer nada pela vítima”, explicou Marco Castro, diretor da empresa Ocean Medical, responsável pela instalação dos DAE.

Os equipamentos DAE serão instalados na via pública, em cabines especialmente preparadas para o efeito e sinalizadas, junto a edifícios âncora como são algumas das infraestruturas municipais, juntas de freguesia e outros locais de maior afluência de pessoas: Paços do Concelho, Pavilhão Desportivo Municipal, Piscinas Municipais, Av. Sá Carneiro, Av. Da Liberdade, Posto GNR na Av. 25 de Abril, Miradouro do Pau da Bandeira, Freguesia de Ferreiras, Freguesia da Guia, Freguesia de Olhos de Água, Freguesia de Paderne, Bombeiros de Albufeira (DAE móvel para utilização de eventos), Polícia Municipal (DAE móvel).

“No nosso país, as doenças cardiovasculares constituem um dos problemas de saúde mais graves para a população, representando a principal causa de morte. Em Albufeira estamos atentos a esta realidade e, por isso, decidimos promover a assistência à vítima em paragem cardíaco-respiratória, com a implementação de desfibrilhadores automáticos externos em todas as freguesias do concelho, oferecendo, deste modo, a quem reside e a quem nos visita uma segurança acrescida”, referiu Carlos Silva e Sousa, explicando que em Albufeira, além da população residente, há uma população flutuante que chega a atingir o meio milhão de pessoas. “Espero que estes equipamentos cumpram o seu propósito que é salvar vidas. Vamos trabalhar em rede com as diversas entidades policiais, proteção civil, autoridade marítima e bombeiros, desenvolvendo um programa de formação para todos os interessados. Um minuto pode salvar uma vida!”, concluiu o autarca.

Durante a cerimónia de apresentação pública, que decorreu no exterior dos Paços do Concelho, foi realizado um simulacro de socorro a uma vítima de paragem cardiorrespiratória, com a participação dos socorristas de proximidade, já formados no âmbito do PDAE. A abertura das cabines é realizada remotamente através da central de comunicações dos Bombeiros Voluntários de Albufeira, que funciona 24 horas por dia durante todo o ano. Quando uma cabine é aberta são de imediato contactados, através de chamada telefónica automática, todos os socorristas de proximidade, num sistema inovador, que permite iniciar mais rapidamente as manobras de reanimação, ainda antes da chegada do 112, e com isto aumentar significativamente a probabilidade de sobrevivência da vítima. Refira-se que apenas 3% das vítimas de uma morte súbita cardíaca sobrevivem, ou seja, 97% acabam por morrer. “Temos que combater este número e aproximarmo-nos de países com a Holanda ou a Bélgica, que têm taxas de sobrevivência a rondar os 30%. E isso faz-se através deste tipo de iniciativas”, frisou Marco Castro.

A Câmara Municipal de Albufeira e as Juntas de Freguesia integram o Plano Nacional de Desfibrilhação Automática Externa, que se encontra em licenciamento junto do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Refira-se ainda que a Guarda Nacional Republicana participa ativamente no programa DAE, com cerca de 50 militares devidamente formados em SBV-DAE, assim como os Bombeiros de Albufeira tem 36 operacionais alocados ao projeto. Qualquer residente pode integrar a equipa de socorristas de proximidade, devendo para isso frequentar um curso de Suporte Básico de Vida e DAE.

“Congratulo-me por haver uma Câmara a lançar este projeto, que vai ter capacidade de reanimação e desfibrilhação precoce e, assim, conseguir salvar vidas num concelho que tem uma população flutuante que, em determinados momentos do ano, ultrapassa largamente o número de residentes”, salientou o cardiologista Jorge Mimoso, membro da direção da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, acrescentando que “a autarquia está a prestar um serviço não só a Albufeira, mas também ao país e a todos os que nos visitam”.

De acordo com os dados divulgados pela Ocean Medical, Portugal tem menos de dois DAE por 10 mil habitantes enquanto a Dinamarca tem cerca de 20 DAE e a Holanda 60 por 10 mil habitantes. Segundo o INEM, em 67% das paragens cardíacas presenciadas, a pessoa que assiste não faz nada até à chegada do 112, tornando-se imperativo a intervenção precoce. “Este é um projeto com o objetivo de promover o bem-estar e a valorização da vida humana e que conta com a colaboração de muitos voluntários empenhados no exercício de salvar vidas e que o fazem num primeiro momento, crucial para assegurar a sobrevivência das vítimas”, referiu Paulo Freitas, presidente da Assembleia Municipal de Albufeira, a encerrar os discursos.

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