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Treinos abertos ao público na Via Algarviana com Ester Alves

Ester Alves está entre as 10 atletas da elite feminina do trail mundial e vai liderar os treinos gratuitos e abertos ao público a realizar à margem da Algarviana Ultra Trail (ALUT).

A Algarviana Ultra Trail, a “prova que vai pôr o Algarve à prova”, tem início a 30 de novembro, em Alcoutim junto ao Rio Guadiana, e termina a 3 de dezembro junto ao Cabo de São Vicente, em Vila do Bispo.

Pelo caminho de 60 privilegiados atletas, de 6 nacionalidades, estão as serras do Caldeirão, Espinhaço de Cão e Monchique. São 300km pelo interior algarvio, em que os atletas atravessam em 72 horas os pontos mais altos do Algarve.

Ester Alves vai estar presente nesta primeira edição da ALUT, acompanhando e participando em treinos gratuitos e abertos ao público. No dia 1 às 10h o Treino aberto é entre Salir e Barranco do Velho. No dia 2 também às 10h, a Ester acompanha o Treino aberto entre o Marmelete e Monchique. No domingo, dia 3, o treino é às 11h entre o Cabo de S. Vicente e Vila do Bispo. Os treinos têm um máximo de 15km e realizam-se sempre no sentido oposto ao do ALUT.

Para além dos treinos, a Ester vai estar na partida dos atletas, às 18h30 de 30 de novembro em Alcoutim, e acompanha-os nos primeiros 15/20 km de prova. Ester nasceu no Porto, onde é investigadora na Faculdade de Medicina. Começou o seu percurso desportivo no remo, onde integrou a Seleção Nacional. Mais tarde passou pelo ciclismo, representando Portugal em várias provas internacionais. A paixão pelo trail nasceu ao participar no Ultra Trail dos Amigos da Montanha em 2011. Desde então tem-se destacado na modalidade a nível mundial.

O ALUT atravessa 9 concelhos do Algarve (Alcoutim, Castro Marim, Tavira, São Bras de Alportel, Loulé, Silves, Monchique, Lagos e Vila do Bispo) e o percurso é quase exclusivamente na Via Algarviana, um percurso pedestre de longa distância classificado como Grande Rota (GR13). A prova decorre sobretudo em zonas florestais, com o principal objetivo de promover o interior algarvio como produto turístico alternativo à habitual escolha do destino para praia.

É um evento desportivo de trail running que vai percorrer a região de um extremo ao outro dando a conhecer a beleza do seu interior e decorre na sua quase totalidade na Via Algarviana”, explica Germano Magalhães, presidente assembleia geral da associação desportiva Algarve Trail Running (ATR), principal organizadora do evento.

A Via Algarviana está inserida maioritariamente no interior algarvio, tem história, natureza e um percurso de excelência para a prática de várias atividades desportivas. Uma combinação de fatores que atraíram inscritos de países como Portugal, Espanha, Brasil, Equador, Uruguai, Escocia. Os portugueses representam o grosso dos inscritos, com atletas de norte a sul do país e ilhas.

O evento tem como principal objetivo promover o desenvolvimento das economias do interior do Algarve, combate à sazonalidade por via do turismo desportivo/cultural. Os atletas irão percorrer quase exclusivamente a grande rota da Via Algarviana.

O ALUT é co-organizado pela RTA – Região de Turismo do Algarve, com o apoio da ANA – Aeroportos de Portugal, VISACAR, Toyota-Grupo Salvador Caetano.

A equipa da ATR – Algarve Trail Running responsável pela organização e direção do ALUT é reconhecida pelo organização de outros eventos de trail running, entre outros, o UTRP – Ultra Trilhos Rocha da Pena e o Trail Ossonoba.

Sobre a Via Algarviana

Inicia-se em Alcoutim, junto ao Rio Guadiana, e estende-se até ao Cabo de São Vicente, em Vila do Bispo, passando pelas Serras do Caldeirão, Espinhaço de Cão e Monchique. Atravessa, por isso, quase todos os Concelhos do Algarve, desenvolvendo-se sobretudo em zonas florestais passando por aldeias e montes ricos na cultura e tradições de toda a região algarvia.

A ideia original do seu traçado teve como base os caminhos de peregrinação de São Vicente, um mártir do início do século IV que sofreu o martírio em Valência, após ter recusado oferecer sacrifícios aos deuses durante a perseguição aos cristãos na Ibéria por parte do imperador romano Diocleciano. A sua morte terá ocorrido no ano 304.  Após a conquista árabe o corpo de São Vicente foi trasladado para o  Promontorium Sacrum (Cabo Sagrado como era chamado pelos romanos) e o cabo ficou a chamar-se Cabo de São Vicente.  Desde então, tornou-se num local de peregrinação durante séculos. Em 1173 D. Afonso Henriques ordenou que essas relíquias fossem transferidas para Lisboa. A nau que transportou para Lisboa é hoje representada na sua bandeira com os corvos que a acompanharam na viagem, sendo São Vicente o padroeiro de Lisboa. (o texto não está bom, mas acho que podiamos referir este facto, que São Vicente é o padroeiro de Lisboa representado na sua bandeira pela nau e os corvos) No entanto, o carácter místico que o Cabo de São Vicente detém deste o período Neolítico mantêm-se até hoje.

Foi também no Cabo de São Vicente que D. Henrique, “o Navegador”, acolhia estudiosos da Europa e do Mundo: cristãos, muçulmanos e judeus que se interessavam por navegação, mapas e construção de embarcações. Esse grupo ficou conhecido como Escola de Sagres e foi muito importante no aperfeiçoamento de instrumentos como o astrolábio e a balestilha e na construção das caravelas.

Seguindo a história, a natureza e a geomorfologia do Algarve, a Via Algarviana é muito mais do que uma rota pedestre. É um encontro com as nossas raízes mais profundas na necessidade de superação de obstáculos frente a um rumo desconhecido.

Poderá saber mais sobre a Via Algarviana em: http://www.viaalgarviana.org. Poderá também contribuir para a manutenção desta via, através de donativo à sua entidade gestora. Para tal, siga as instruções em: www.viaalgarviana.org.

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