Opinião

Fiel amigo, por Carolina Figueiras

Carolina Figueiras

Faz hoje um mês que te perdi, ou será que foste tu quem me perdeste? Um mês de angústia, tristeza e deceção. Um mês sozinho no meio da multidão.

Na verdade, até hoje não entendo o que fiz de errado, talvez o meu único erro tenha sido amar-te tanto, ser-te fiel, teu amigo, teu companheiro,… Eu nunca fui nada disso para ti, pois não? Fui apenas uma diversão…, fui usado e depois maltratado. Usaste-me enquanto te fui conveniente, usaste-me para teu próprio proveito, e depois quando percebeste que já não te servia, deitaste-me fora, como se não fosse nada. Nada… mas tu para mim eras tudo.

Achas, o quê? Que eu não sinto? Sinto pois, sinto, sofro e penso, e é uma dor profunda porque eu era capaz de tudo por ti e achava que tu farias tudo por mim. Enganei-me, claro. Agora vejo que não passou de uma ilusão, uma ideia que não foi mais do que fruto da minha imaginação.

A princípio, achei que era uma brincadeira, fiz algumas asneiras, é verdade, tu “chateaste-te” e eu pedi desculpa da melhor maneira. Achei que o problema estava em mim, não era como os outros que estavam à tua volta, não era tão especial, não era diferente, não era melhor. Tinha de haver uma justificação para o teu abandono, para o teu desaparecimento, para a perda da tua amizade, mas não vejo nada. Porque nada justifica o abandono, nada justifica a desistência de uma amizade. Amizades reais não acabam.

Afinal qual era o meu problema? Diz-me. Onde é que eu errei? Fala, porque pelo menos deves-me uma explicação. Sim podes falar, eu entendo. Nós eramos amigos, sabes o que isso é? Acho que não, tenho pena, pena de ti e de mim. Ainda dizem que o irracional aqui sou eu…enganam-se, os únicos irracionais são vocês, humanos, que não pensam, que não conseguem ver, que não sentem… que são fúteis, que apenas se preocupam com banalidades, quando na verdade amar é tudo o que precisam para ser felizes. O que eu vejo agora? És um simples cobarde, triste. Como retribuíste o amor que tinha por ti? Deixando-me sozinho, ao frio, com medo…imagina-te no meu lugar. És desumano, irónico não é? Pois é…, aquilo que mais devias ter, é aquilo que menos tens, Humanidade. Já estás esquecido?…

…Eras o meu melhor amigo… Não te sentes mal? Não tens peso na consciência? Como é que consegues ser assim? Espera… acho que já sei, porque no final das contas, o único animal aqui és TU!

– Sentimentos de um cão – se um cão falasse…

Nota de autor: “Olá fui abandonado – um vídeo para todos os amantes de animais” https://www.youtube.com/watch?v=EcaacQEU6m0. Este vídeo é forte, mas está excelente e foi tal como a minha visita ao canil, uma fonte de inspiração para escrever este texto.

HORIZONTE

No horizonte
vejo um rio.
Observo.
Perdi-me nele.
Ou já estava perdida?
Perdida no meio de tanta gente.
Gente que me é indiferente…
Perdida num mundo desigual,
Porque não lhe pertenço
De onde vim? Para onde vou?
Quem sou eu afinal?
Estarei a caminhar para um abismo
escuro… ?
Não. O escuro só vence se a luz permitir.
Estou só, só, muito só…
mas livre e a caminhar para a luz,
porque a luz vence as trevas e
a luz,
é o Horizonte.

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