Quarteira

Exposição de Relógios da Academia do Saber de Quarteira

A Turma de Projetos Criativos da Academia do Saber de Quarteira realizaram mais um projeto, criando relógios decorativos com materiais recicláveis que estão agora patentes ao público no Centro Autárquico de Quarteira.

A professora deste módulo, Magali Gouveia, disse ao PlanetAlgarve que se trata de “uma exposição de relógios decorativos feitos durante as minhas últimas 4 aulas. São cerca de 20 alunas e cada uma explora a sua criatividade de maneira diferente. Muita gente pergunta o que é isso de Projetos Criativos porque nós fazemos coisas muito variadas e muito diferentes. O objetivo é pegar numa ideia e, a partir daí, fazer um projeto grande. Temos exposições, temos aulas teóricas, temos aulas práticas e às vezes estamos em eventos. O objetivo é que elas explorem a sua criatividade, a sua espontaneidade e as suas habilidades manuais”, acrescentando que o resultado “é fantástico. Tudo o que fazem é realmente extraordinário. Até eles próprias ficam surpreendidas. Muitas delas nem sabiam que seriam capazes de fazerem aquilo que fazem. Portanto, a criatividade, as habilidades manuais e a improvisação são extremamente importantes nestas idades porque as pessoas começam a não ter motivações, ficam em casa, o cérebro passa a trabalhar menos e começa a perder células e a desgastar-se. Com esta ocupação, a pessoa envelhece um pouco mais tarde. Depois, aliado ao próprio convívio nas aulas, tudo isto é positivo. Por outro lado, tudo aquilo que elas fazem são coisas úteis para elas”.

A Academia do Saber é um projeto resultante da parceria entre a AS-CQ – Associação Sócio-Cultural de Quarteira e a Junta de Freguesia de Quarteira, cujo presidente, Telmo Pinto, “olho para este projeto e este grupo, primeiramente, pela parte cultural devido ao trabalho que se vai fazendo na Academia do Saber. Depois, a parte da reciclagem, que também é muito importante. Então, elas estão a olhar um bocado para aquilo que é a reutilização de recursos, uma reciclagem de produtos que já foram utilizados. Portanto, este trabalho cultural que fazem aqui é fenomenal e tem, cada vez mais, criado dinâmicas que enaltecem o trabalho desenvolvido. Neste caso concreto, é a revelação de talentos na criação de peças artísticas mas temos outras situações, como é o caso da Tuna Académica onde muitos dos seus elementos nunca tinha pegado num instrumento musical, chegaram aqui, experimentaram, começaram a tocar, uma ambição que tinham e aqui foi a oportunidade de o fazer, o que, para nós, é gratificante”.

Há muitas instituições similares à Academia do Saber de Quarteira pelo país fora mas esta, embora seja uma das mais novas, se não a mais nova (2 anos), tem apresentado um volume invulgar de trabalhos e com uma qualidade louvável. Para Telmo Pinto, “Quarteira é assim. É natural. Então, olhámos para isso e tentámos perceber a melhor forma de avançar. No início, era para ser uma Universidade Sénior mas, depois, começámos a aperceber-nos do que era uma Universidade Sénior e entendemos que não era bem aquilo que queríamos. Pretendíamos algo que fosse mais ao encontro das necessidades, no fundo daquilo que as pessoas queriam. O importante, nestas idades, é aquilo que queremos. Não estamos aqui para tirar cursos universitários. Estamos aqui para ter prazer, para aprender e, outro fenómeno que aprendemos com todas estas pessoas, alunos e professores, foi que, para além de aprenderem, tinham muita vontade de ensinarem, passarem aos outros aquilo que aprenderam ao longo de uma vida. Essa foi a dinâmica que se criou na Academia do Saber: Ensinar aquilo que tenho para ensinar, conhecimento que ganhei ao longo da vida mas também aprender com o pensamento de todos os outros. Essa foi a parte mais gratificante e que para nós também foi um ensinamento”.

Esta é ainda uma atividade que combate o isolamento e fomenta a coesão social. Para Telmo Pinto, “ainda não sinto na pele o que é acabar a minha vida profissional mas, por aquilo que vejo e olhando para o futuro, as pessoas têm cada vez mais vontade de não estar sem fazer nada, têm muita vontade de fazer, de participar e isso dá vida às pessoas. Fecharam-se durante muito tempo, a seguir à reforma, parecia que era esperar pelo fim mas não é isso que acontece aqui. As pessoas têm muitos anos para viver. A esperança média de vida nas mulheres passou para 85 anos. Portanto, há aqui um grande tempo da nossa vida que temos de ocupar e aqui as pessoas estão a fazê-lo e nós só cá estamos para ajudar”.

O PlanetAlgarve recolheu ainda o testemunho de duas alunas.

Segundo Gabriela Pereira Dinis, “eu gosto de fazer trabalhos manuais e vim para os Projetos Criativos para fazer qualquer coisa. Gosto das aulas, gosto das colegas e da professora e sinto-me aqui muito bem. Até em casa, nos tempos livres, vou fazendo coisinhas e assim sinto-me útil. Uma pessoa velha sozinha em casa tem que fazer qualquer coisa e a Academia do Saber foi uma grande ideia, muito útil para pessoas como eu. Estou no teatro, na música e agora nisto”.

Já para Zelinda Pinto Nascimento, “o relógio que fiz deu muito trabalho mas valeu a pena. Ando com a Prof. Magali há 2 anos e adoro as aulas dela. Gosto de tudo mas principalmente de mosaiquismo, que aprendi no ano passado, e onde fui buscar a inspiração para o relógio. A primeira coisa que fiz foi um tabuleiro e agora tentei fazer uma coisa parecida, usando os mesmos materiais e as mesmas cores porque pensei oferecer à minha filha mais velha para sua cozinha. Este módulo da Academia do Saber é muito interessante. Gosto muito e fazia muita falta. A Magali é super e isto é um grupo. Andei 7 anos numa psicóloga, com muitos problemas e esqueci-me da psicóloga desde que entrei para aqui. Infelizmente, fui obrigada a reformar-me muito cedo e ficar em casa fez-me muito mal e tudo isto me tem ajudado imenso. Portanto, agradeço imenso à Academia do Saber, ao José Paulo Gonçalves (Presidente da AS-CQ), ao Telmo Pinto, toda a gente está incluída, como o Banco de Tempo, que também me ajudou muito”.

A iniciativa conta com o apoio da Junta de Freguesia de Quarteira.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

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