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Quarteira acolhe primeira formação canina de IGP nacional

A formação terá lugar na Iron Dog Algarve, em Quarteira, dia 10 de novembro, será ministrada pelo coordenador nacional da modalidade desportiva e é reconhecida pelo Clube Português de Canicultura.

O objetivo é atrair o maior número possível de potenciais praticantes interessados em descobrir no que consiste o desporto canino de IGP, que na verdade, é um dos mais antigos e mais praticados transversalmente em todo o mundo.

A formação realiza-se já no próximo sábado, dia 10 de novembro, pelas 9 horas, e será a primeira de um conjunto de 3 formações de divulgação certificadas a nível nacional. Será ministrada pelo próprio coordenador nacional da modalidade, Júlio Santos, e organizada em cooperação com a escola de treino canino Iron Dog Algarve, localizada em Quarteira.

De acordo com João Paulino, o treinador canino responsável pela escola de cães, esta formação «é uma oportunidade única para aprofundar conhecimentos base sobre a modalidade, bem como para os praticantes atualizaremos seus conhecimentos», pelo que aconselha todos os amantes de cães, com ou sem experiência, a «virem descobrir um pouco mais sobre este interessantíssimo desporto canino».

A formação é gratuita e confere um certificado de participação aos formandos. Para mais informações contactar 966092964. As inscrições são obrigatórias para o info@irondog.pt.

Originário da Alemanha, o IGP deriva do Schutzhund e há mais de 100 anos que serve para avaliar o carácter, versatilidade e equilíbrio dos exemplares caninos. Foi concebido com o intuito de testar o temperamento e carácter dos cães e determinar a sua aptidão para reprodução. Pode ser comparado a um género de «triatlo» para o cão, pois avalia-o de forma rigorosa em três complexas disciplinas: pistagem, obediência e proteção. Considerado um desporto de elites, é a modalidade mais praticada em todo o mundo, a mais bem estabelecida, consensualmente reconhecida e praticada transversalmente em todo o mundo. E Portugal não é exceção!
O IGP desafia cães e donos como nenhum outro: é praticado ao ar livre e estimulante física e mentalmente. Exige a perfeição por parte do condutor e do cão, mas também dá grande importância à alegria, concentração e vontade de trabalhar com que o cão executa os exercícios. Para além de proporcionar aos donos e aos cães uma oportunidade única de interagirem e trabalharem em equipa (binómio), faz sobresair as aptidões naturais e inatas de cada raça. É um desporto apreciado e praticado por pessoas de profissões e idades variadas, que se unem em espírito de camaradagem, fruto de um interesse comum: tirar o maior partido da companhia dos seus cães, estimulando-os e avaliando-os na plenitude das suas aptidões. E se por um lado o IGP é a confirmação das características mais desejáveis num exemplar de trabalho, por outro é a prova de que o mesmo deve simultaneamente ser, um excelente companheiro de casa.

O que é o IGP?

A modalidade de IGP testa a estabilidade mental, resistência, coragem, destreza física e mental, a capacidade de discriminação olfativa, vontade de trabalhar, bem como a capacidade e qualidade do treino do cão. Enquanto desporto canino, o IGP é composto por três disciplinas (pistagem, obediência e proteção).

Em cada uma das três disciplinas, o binómio (cão-condutor) inicia a competição com 100 pontos (300 no total) que vão sendo progressivamente “descontados” consoante os erros ou falhas cometidos ao longo da prova. Para que o binómio se qualifique, deverá conseguir um mínimo de 70 pontos em cada uma das disciplinas.
A disciplina de Pistagem (A) avalia a capacidade olfativa dos cães bem como a sua vontade de trabalhar num campo aberto, seguindo o rastro (as pegadas) deixado previamente por um traçador e indicando vários objetos que vai encontrando pelo percurso. O nível de dificuldade aumenta consoante os graus (1, 2 ou 3). O cão deverá apresentar uma atitude de concentração, estar motivado para executar o exercício, pistar com precisão e a um ritmo constante.

A disciplina de Obediência (B) avalia a capacidade de resposta do cão em várias situações como o  andamento ao lado, uma série de mudanças de direção e velocidades, paragens, distrações, posições e uma passagem por um grupo de pessoas. Existem ainda exercícios de saltos, busca de apports, chamadas, entre outros exercícios. A atitude de permanente alerta, concentração, vontade de trabalhar do cão e a harmonia do binómio são também avaliadas.

Por fim, a disciplina de Proteção (C) determina a coragem, autoconfiança, agilidade e resiliência do cão, bem como o seu controlo por parte do condutor. Os exercícios exigem que o cão procure por um figurante escondido num abrigo, e que ladre ao encontrá-lo (alertando assim o seu condutor), e permaneça a guardá-lo até à chegada do condutor. Seguem-se uma série de ataques simulados pelo figurante, o qual usa uma manga de proteção (o único sítio onde o cão pode morder). Sempre que o figurante cessa o ataque, o condutor dá o comando para o cão largar a manga e este deverá permancer a “guardar o figurante” até à chegada do condutor. O total controlo e disciplina do cão são absolutamente fundamentais.
Apesar de ser a disciplina onde os cães em prova mais brilham, o trabalho de proteção ainda é, infelizmente, a área mais incompreendida por quem desconhece a modalidade. Somente os cães confiantes, equilibrados, com temperamentos estáveis e nervos fortes, têm a capacidade e astucia para executar com sucesso esta importante disciplina. Acima de tudo, um cão de IGP é um companheiro confiante e confiável: as suas reações são previsíveis e controláveis sob qualquer circunstância! E como se a avaliação das disciplinas não fosse já rigorosa o suficiente, as três devem ser superadas no mesmo dia e pela seguinte ordem: pistagem, obediência e proteção. As competições acontecem em todo o país e são organizadas por clubes locais e no âmbito do campeonato nacional de IGP.

História do IGP no mundo

A história do IGP começa no início do século passado. Pensado para ser um teste para cães de trabalho, o  objetivo inicial era determinar e selecionar cães para serem usados para reprodução: somente os que tinham realmente capacidades e aptidões de trabalho deveriam ser dignos de reprodução! Muitos ainda seguem esta ideologia na atualidade. A crescente demanda por cães de trabalho exigiu exames e treinos cada vez mais sofisticados. Se inicialmente os cães eram usados para diversos fins (treino policial, patrulhas, segurança, militar, e pastoreio) à medida que os testes evoluíram, cada vez mais pessoas se interessaram em participar pelo simples prazer de ver se seus cães a competir de uma forma tão eficaz quanto a dos “cães de trabalho”. Mais de um século depois, após a introdução da primeira versão do regulamento do IGP, as competições mundiais da modalidade são inequivocamente as que mais participantes atraem! O IGP é cada vez mais um desporto em forte ascenção, com milhares de praticantes por todo o mundo. Embora a história do IGP no mundo tenha mais de 100 anos em Portugal a modalidade iniciou-se só no final da década de 80.

IGP em Portugal

Atualmente existem 54 praticantes de IGP em Portugal, e na temporada passada, o campeonato nacional contou com 10 provas realizadas de norte a sul do país. Em 2017-2018, participaram nestas provas 86 concorrentes, ajuizados por alguns dos sete juízes nacionais. No entanto, a prática do IGP é mais forte no norte do país, onde existem mais participantes ativos. Mas afinal, o que torna este desporto tão espetacular? De acordo com Júlio Silva, coordenador nacional da modalidade, a resposta é simples: “é o desafio permanente de superar o regulamento!”. “Um regulamento que é muito rico, exigente e complexo. A diversidade das 3 disciplinas é tão grande, que o importante é realmente o participante superar-se a si próprio para tentar vencer o Regulamento, e não os outros competidores”, defende. “Um regulamento tão especial que para além de premiar a regulariadade nas três disciplinas, permite algo extraordinário: que um concorrente tenha mais pontos que os outros mas não ganhe! (basta ser suspenso numa das disciplinas)”. Os exercícios do IGP são quantificados e qualificados. Por exemplo, para obter um “excelente” é necessário conseguir 96% ou mais pontos do exercício e para ter suficiente é preciso ter pelo menos 70% dos pontos”. Em IGP o único adversário é o próprio regulamento.

Que raças podem praticar IGP?

Qualquer raça pode praticar esta modalidade mas a verdade é que nem todas conseguem! Seria extremamente difícil um Chihuahua conseguir ultrapassar um salto de 1 metro ou transportar um apport (objeto) com dois quilogramas! Regra geral, as chamadas “raças de trabalho” são as que reunem mais condições e aptidões para conseguirem superar todas as provas com sucesso. Em Portugal e no mundo, as raças de cães com maior participação em provas de IGP são o Cão de Pastor Alemão e o Cão de Pastor Belga Malinois. Apesar das provas serem abertas a todas as raças, a nível nacional, participam ou já participaram raças tão variadas como o Cão de Pastor Alemão e Belga, Dobermann, Rottweiler, Boxer, Bouvier da Flandres, Cão da Serra da Estrela, Cão de Água Português, Border Collie, Retriever do Labrador e Cane Corso.

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