Quarteira

Contestatários boicotam apresentação do Plano de Mobilidade Sustentável Quarteira-Vilamoura

Nesta segunda-feira, dia 25 de fevereiro, pelas 21:00 horas, estava agendado para o Auditório do Centro Autárquico de Quarteira uma sessão de apresentação do PMUS – Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Quarteira – Vilamoura, seguindo-se a apresentação do Projeto Quarteira Lab e da Ciclovia.

Uma hora antes, respondendo ao repto lançado nas redes sociais, formou-se uma manifestação junto à Rotunda do Terminal Rodoviário que seguiu a pé em direção à Rotunda do Polvo – área da implementação da contestada ciclovia -, seguindo depois até ao Centro Autárquico, um grupo de cerca de 300 pessoas, que entraram no auditório de forma muito ruidosa, espaço esse que já se encontrava quase lotado por pessoas interessadas nas apresentações e nos esclarecimentos agendados, entre as quais se podia ver, na segunda fila, o presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, Telmo Pinto (que se demitiu recentemente de adjunto do presidente da câmara), acompanhado pelo seu executivo. A primeira fila foi ocupada pela vereação da autarquia louletana, entre outros. Não couberam todos na sala e mais de uma centena ficou à porta e na rua.

Ao entrar na sala, o edil louletano foi alvo do apupo dos manifestantes. Vítor Aleixo procurou acalmar os ânimos, passando a palavra à consultora Paula Teles, que tentou apresentar o do PMUS – Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Quarteira – Vilamoura mas sem sucesso, perante os apupos dos manifestantes.

Vítor Aleixo interveio novamente, sempre muito apupado, anunciando que as apresentações previstas ficavam sem efeito, saltando para o assunto da ciclovia, tema que não se encontrava inicialmente previsto mas que a edilidade louletana achou por bem incluir no programa. Passou então a palavra ao responsável por essa apresentação que não conseguiu, igualmente, explanar qualquer ideia devido às constantes interrupções ruidosas dos manifestantes, que não compareceram no local para ouvir explicações ou apresentações mas sim, única e exclusivamente, na esperança que a sua força levasse o autarca louletano a anunciar o desmantelamento da ciclovia mas não viram os seus intentos satisfeitos.

Perante tal cenário de anarquia, eram cerca das 21h30m quando Vítor Aleixo toma novamente a palavra, anunciando o fim da sessão. Aí, a nossa equipa de reportagem abandonou a sala, tendo sido informada posteriormente que a sessão se havia prolongando até depois das 23 horas, desconhecendo nós o que se passou.

O que é o Quarteira Lab

Em resposta ao desafio lançado pelo Ministério do Ambiente, através do Fundo Ambiental, o Município de Loulé decidiu intervir numa área delimitada entre as Avenidas Carlos Mota Pinto e Francisco Sá Carneiro, em Quarteira, criando um espaço de teste de ideias e medidas para a descarbonização (diminuição de gases com efeito de estufa) e melhoria da sustentabilidade ambiental. As medidas a implementar passam, por exemplo, pela integração de soluções nos domínios dos transportes e mobilidade, como a criação de uma ciclovia e estruturas de apoio à mobilidade suave e eficiência energética, como, por exemplo, disponibilizando aos cidadãos o acesso a fontes de energia renováveis, serviços ambientais inovadores, como a criação de um sistema inteligente de gestão do tráfego (cujos trabalhos iniciaram ontem) ou o desenvolvimento da Plataforma EcoLab (aplicação móvel), bem como a promoção da economia circular, entre outras.

Ministro do Ambiente na apresentação do Quarteira Lab

Recordamos que o próprio Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, participou na apresentação do “Quarteira EcoLab”, um projeto para a promoção da defesa ambiental desenvolvido pelo Município de Loulé, uma das doze candidaturas de Laboratórios Vivos (Living Lab), aprovadas pelo Governo para fomentar a descarbonização.

Segundo o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, «trata-se de um projeto que tem como ideia base pegar num quarteirão da cidade de Quarteira, isolá-lo para permitir a reorganização e promover a implementação de soluções tecnológicas que aumentem a eficácia e reduzam o consumo de energia, incentivem o uso da mobilidade suave / o uso da bicicleta, apostem na reabilitação da rede de iluminação pública e num conjunto de medidas práticas para melhor adaptação do espaço urbano às alterações climáticas».

Durante a sua intervenção, o Ministro Matos Fernandes referiu que «as alterações climáticas são coisas do presente. Temos de alterar o nosso modo de vida. O apoio a projetos demonstrativos a nível nacional vai ser uma semente de capital. As cidades inteligentes são muito mais que cidades tecnológicas. O futuro é das cidades sustentáveis e das cidades partilhadas. Genericamente esta iniciativa tem múltiplos objetivos, nomeadamente, fomentar a descarbonização das cidades com aumento da eficiência e a redução do consumo de energia e estimular a cocriação de cidades inovadoras que visem a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos».

Os Laboratórios Vivos para a Descarbonização constituem uma iniciativa que se traduz numa abordagem de incentivo à criação de espaços de promoção do desenvolvimento de tecnologias inovadoras de baixo impacte ambiental e cujo projeto pretende fomentar a descarbonização das cidades através de soluções tecnológicas que aumentem a eficácia e reduzam o consumo de energia, contribuindo para criar cidades inovadoras, sustentáveis e inclusivas, que melhorem a qualidade de vida dos cidadãos.

Quarteirenses demitiram-se da participação no processo

Para os responsáveis do Município de Loulé, seria fundamental para este processo o envolvimento da comunidade local na adoção de comportamentos e hábitos ambientalmente mais responsáveis e sustentáveis e na cocriação das tecnologias e soluções urbanas a testar. Nesse sentido, a autarquia promoveu a realização de sessões de trabalho abertas aos munícipes, sempre com baixa participação, tendo a Câmara Municipal de Loulé apelado ainda ao contributo de todos com as suas sugestões, através das plataformas digitais da Autarquia, desafiando quem reside, trabalha ou estuda na área do Quarteira EcoLab:https://goo.gl/ix7gtF; e quem tem um estabelecimento de comércio ou serviços na área do Quarteira EcoLab: https://goo.gl/21ytah mas parece que os que agora se manifestaram esqueceram-se de participar, deixando que as decisões de uma minoria afetassem o todo, manifestando agora a sua indignação perante o facto consumado. Mais uma vez se confirma que os portugueses (não é exclusivo dos quarteirenses) continuam a manter-se alheados dos processos de decisão, mesmo quando a eles são chamados. Se exercessem mais os seus direitos e deveres de cidadania, tudo poderia ser diferente. Pode ser que este caso seja uma lição para o futuro e a intervenção dos cidadãos seja mais ativa. No entanto, e neste caso concreto, nada está perdido para os contestatários, pois trata-se de uma intervenção que faz parte um conjunto de ações experimentais, ou seja, nada é definitivo.

Cronista da Antena 1 apoia Vítor Aleixo e ironiza contestatários

Rui Cardoso Martins, na série de crónicas matinais na Antena 1, O Fio da Meada, com pistas que alimentam uma reflexão sobre o país e o mundo, desconcertou ironicamente os contestatários da ciclovia de Quarteira com este apontamento transmitido esta manhã: «Estava em Loulé (Quarteira) , onde o presidente da câmara, Vítor Aleixo, um autarca que acredita que a cultura é tão necessária como o resto, aguentava ataques brutais e insolentes na rua e cobardes e ultra ordinários na Internet porque se atrever a fazer uma ciclovia no centro de Quarteira. Imaginem, uma via para bicicletas numa cidade balnear plana. Onde é que já se viu ideia tão disparatada, enquanto se reluzia na estupidez das pessoas que ainda não perceberam que a mudança tem que começar já e que um dia olharão com vergonha para os disparates que fizeram, Vítor Aleixo lembrou uma quadra do seu avô António: «Que me importa perder a vida / Na luta contra a traição / A razão mesmo vencida / Não deixa de ser razão»

Posição pública da FPCUB face à contestação pela oposição às alterações efetuadas pela Câmara Municipal de Loulé na Avenida Mota Pinto / Francisco Sá Carneiro, em Quarteira

A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) vem manifestar o seu apoio à CM de Loulé por estar a implementar em Quarteira obras que concretizam projetos de mobilidade ativa.

Estamos a assistir a uma mudança de paradigma na mobilidade urbana, que consubstancia a redução da excessiva dependência do automóvel particular e das suas externalidades negativas e aposta no caminhar, no pedalar, no uso de transportes coletivos, na requalificação do espaço público, nas acessibilidades e na humanização das vilas e cidades. Relembramos que Portugal assumiu o compromisso de atingir a neutralidade carbónica em 2050 e este tipo de intervenções contribuem para essa descarbonização e estão previstas nas medidas de fundo.

A FPCUB tendo consultado o projeto Quarteira Lab na Avenida Mota Pinto / Francisco Sá Carneiro, dá o seu aval às soluções preconizadas, que seguem as boas práticas a nível europeu e internacional e ainda contribuem para a redução dos limites de velocidade e incremento da segurança. A FPCUB faz uma ligeira recomendação técnica para a redução do separador central da referida avenida, de ambos os lados, de forma que os transportes públicos circulem com maior margem de manobra.

A FPCUB sublinha que estes projetos, além dos incontestáveis benefícios para a mobilidade e qualidade de vida urbana, vai permitir fazer ligações seguras à Rede EuroVelo / Ecovia do Algarve, dando resposta à cada vez maior procura do Turismo em Bicicleta, que representa uma receita de 44.000 milhões de euros a nível europeu.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

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