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Raspadinha e Euromilhões impedem crescimento de casinos em Portugal

No ano de 2018, os casinos físicos em Portugal registaram 318,8 milhões de euros em receitas com as apostas em jogos de fortuna e azar. Segundo a Associação Portuguesa de Casinos, este valor traduz-se num crescimento de apenas 3,1%, um valor baixo quando comparado com as percentagens de crescimento registadas há mais de 10 anos atrás, antes da crise económica se ter instalado no país.

São várias as razões apontadas para este bloqueio no crescimento, o facto de existir muita concorrência e os rendimentos dos portugueses não registarem um crescimento são alguns dos motivos referidos. Verifica-se que a propagação dos jogos sociais, como as raspadinhas e o Euromilhões, assim como o aparecimento de novas plataformas de casino online, são fatores de peso que contribuem para este cenário.

Desde que o jogo online em Portugal foi devidamente regulado, com a emissão da primeira licença em 2016 pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos – SRIJ, que o panorama do casino online tem vindo a crescer a olhos vistos. Neste momento são 9 os operadores autorizados a explorar os jogos de fortuna ou azar, onde se incluem as populares slot machines. Os casinos online apresentam bastantes vantagens em relação aos casinos físicos, como por exemplo permitirem aos jogadores apostar a qualquer hora e a partir de qualquer lugar, a disponibilização de vários métodos de pagamento e a oferta de bónus e promoções especiais. Esta evolução dos casinos online acabou por roubar popularidade aos casinos tradicionais, especialmente junto das gerações mais novas.

Assim, as marcas de casinos tradicionais viram-se obrigadas a investir também nestas plataformas digitais para não ficarem para trás. Neste seguimento surgiram os websites do Casino Solverde e ESC Online, marcas de prestígio que já tinham conquistado o mercado do casino em Portugal. O grupo Estoril Sol, detentor do casino do Estoril, de Lisboa e da Póvoa de Varzim, é aquele que mais se destaca a nível de faturação, tendo atingido 196,8 milhões de euros em 2018, o que representou um crescimento de 2,4% em relação ao ano de 2017. O grupo Solverde é responsável pelo Casino de Espinho, Chaves e do Algarve, e apresentou um crescimento mais positivo na ordem dos 4,8%, tendo gerado 93,6 milhões de euros em 2018.

De acordo com declarações de Manuel Violas, presidente da Solverde, “2018 foi um ano razoável, dentro das projeções”, para o empresário os casinos “já não têm muita margem” para aumentar as receitas. Como o próprio indica “Há cada vez mais concorrência, pela entrada no mercado dos jogos online e de mais jogos sociais, o rendimento das pessoas não é elástico, e com estas condições é difícil recuperar os níveis de 2008”.

Efetivamente, os jogos sociais, como as raspadinhas e o Euromilhões, têm representado uma forte concorrência para os casinos. Estes jogos existem há vários anos em Portugal, tendo conquistado uma grande popularidade junto dos portugueses. Disponíveis em qualquer esquina, numa tabacaria ou papelaria, fazem parte da rotina de muitos apostadores portugueses.

Perante este cenário, e com as concessões das zonas de jogo a chegarem ao fim, existem muitas decisões que podem estar em aberto. O prazo de exploração da zona de jogo do Estoril, pelo grupo Estoril Sol, termina já no final de 2020, terminando também nesta altura a concessão da zona da Figueira da Foz. Adicionalmente, existe a possibilidade de lançamento de concursos públicos para atribuição das próximas concessões, o que faz travar o investimento dos operadores atuais. Mesmo assim, o grupo Solverde indica que em breve irá adquirir mais máquinas de slots, um dos jogos mais populares e que atrai mais apostadores ao casino.

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