Algarve

RTP destacou a nova atração turística e cultural do Algarve, o Paço Episcopal de Faro e a sua imponente azulejaria (com fotos e vídeo)

O Programa da RTP2, 70×7, dedicou a sua emissão do último domingo, 18 de agosto, ao Paço Episcopal de Faro, numa visita guiada pelo próprio bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, numa descrição histórica irrepreensível e apaixonante, reveladora do grande conhecimento da história do edifício, das obras de arte que encerra e sobretudo da sua magnífica azulearia, até aqui afastada dos olhos do grande público mas agora disponível aos olhos de todos.

Recordamos que o Paço Episcopal de Faro abriu em abril as portas ao público para visitas. Segundo a reportagem da Folha de Domingo na abertura do edifício, que é um dos mais representativos da arquitetura chã no Algarve, o bispo do Algarve explicou a decisão de abrir a sua casa ao público. “A abertura do Paço a visitas obedece a um imperativo de ordem cultural, possibilitando a quem o desejar o conhecimento deste património que acompanha a cidade de Faro nestes últimos 340 anos. Não fazia sentido continuar a verificar-se um empobrecimento cultural provocado pela impossibilidade de o conhecer e de o desfrutar”, afirmou D. Manuel Quintas.

O bispo do Algarve lembrou que o propósito de disponibilizar o Paço Episcopal para visitas foi por si manifestado publicamente aquando da abertura da “Exposição para a Difusão do Conhecimento – Núcleo Histórico da Imprensa de Gutenberg e do Pentateuco de Faro”, patente na antiga capela do edifício em novembro de 2018. “Não foi um caminho fácil, nem de pouca monta, pelas intervenções que foi necessário realizar no sentido de criar as melhores condições para acolher os visitantes, atendendo ao cuidado, ao respeito e quase veneração que esta casa secular nos merece”, considerou.

Nos primeiros meses de 2019, o edifício esteve em obras de restauro ao nível da caixilharia e do gradeamento das janelas e também dos pavimentos que foram recuperados mas há uns anos já tinha sido alvo de uma intervenção mais complexa de recuperação dos painéis de azulejo, paredes e cantarias muito danificados no primeiro piso, devido a humidades e ao salitre. A cobertura e as fachadas também tinham sido recuperadas no ano 2000.-

Após admirar o átrio com os seus painéis recortados de azulejos, o painel alusivo à virtude teologal da caridade na sala à direita e o painel tardo-barroco, alusivo às restantes duas virtudes teologais – Fé e Esperança – e às virtudes cardeais – Prudência, Justiça e Fortaleza – no patamar de descanso das escadarias de acesso ao piso nobre, o visitante entra nas três salas superiores designadas “Sala da Unidade da Igreja” (primeira), “Galeria dos Bispos” (segunda) e “Antiga Sala do Trono” (última).

Na segunda, para além de um conjunto de pinturas de alguns dos bispos cuja ação foi mais significativa, desde a transferência da sede do bispado para Faro (1577), é possível admirar, uma mitra e um báculo centenário, que D. Manuel explicou ter pertencido a D. António Barbosa Leão, bispo do Algarve entre 1907 e 1919, e uma maquete de uma estátua de D. Marcelino Franco, seu sucessor entre 1920 e 1955. Na terceira sala, estão expostos, para além de um conjunto de pinturas da coleção de arte sacra do Paço Episcopal, alguns exemplares de imaginária de pequeno porte, nomeadamente de Cristo, São Gonçalo de Lagos, São Sebastião e Santo António.

“O que pusemos nas salas não é para distrair dos azulejos. O mais importante são os azulejos. Quisemos compor o ambiente”, justificou o bispo do Algarve, destacando a importância do conjunto azulejar do século XVIII de enorme riqueza cromática, mandado fazer por D. Frei Lourenço de Santa Maria, bispo do Algarve entre 1752 e 1783, quando reedificou e ampliou o edifício construído entre 1581-1585 por D. Afonso Castel-Branco, bispo do Algarve durante aquele período.

“A temática destes azulejos deve-se, em meu entender, a dois acontecimentos ocorridos durante a vigência episcopal de D. Frei Lourenço de Santa Maria: o terramoto de 1755 – que obrigou à reedificação do Paço Episcopal, da qual estes azulejos são testemunho – e outro a que eu chamaria «terramoto» também, «terramoto» pessoal, sofrido por este bispo nos seus confrontos com o Marquês de Pombal”, afirmou, lembrando que o prelado chegou a estar exilado da diocese durante quatro anos e que os azulejos, de autoria atribuída a Domingos de Almeida, “refletem a comunhão do bispo do Algarve com o papa”.

O vigário geral da Diocese do Algarve destacou que a abertura do edifício aconteceu primeiramente “por vontade do bispo” com apoio de uma equipa técnica da Câmara e do Museu Municipal de Faro. “Entendeu por bem, de há uns anos a esta parte, preparar esta casa para a abrir ao público, mesmo pondo em causa a sua privacidade”, realçou o cónego Carlos César Chantre, destacando que a iniciativa ocorreu num contexto de disponibilização do património diocesano ao público. “Começou com a abertura da antiga capela, agora passa para a própria residência do bispo e o atual bispo sonha que a antiga Tipografia União há de ser um dia o Museu da Imprensa. Queiram os responsáveis que mandam, ajudar-nos para que esse sonho se torne realidade”, afirmou.

“Para pôr um património destes de pé e abrir ao público não é fácil. É preciso conservar e para isso é preciso gastar dinheiro, dinheiro que a diocese não tem. Gostaria a diocese e o bispo que as pessoas pudessem entrar livremente na casa, mas a verdade é que não temos dinheiro para manter. Então os turistas vão ter de pagar qualquer coisa para que isto continue aberto ao público”, prosseguiu.

O ingresso para a visita de segunda a sábado, das 10h às 13h e das 14h às 18h, custa 2,5 euros, sendo a visita gratuita até aos 14 anos. Para grupos superiores a 15 pessoas, o valor é de 2 euros por pessoa e os estudantes até aos 25 anos e os visitantes com mais de 65 anos pagarão o mesmo valor.

O vigário geral lembrou que “o Estado usurpou” o edifício em 1913 – entregando-o à Marinha que chegou a instalar no espaço da antiga capela um ginásio militar – e que a sua devolução à diocese ocorreu apenas na década de 1960.

Por: Jorge Matos Dias /PlanetAlgarve com Folha de Domingo

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