Opinião

Um olhar sobre a exposição fotográfica de Nuno Graça, “QuarteirÀdentro” – Por João Carlos Santos

Artigo de Opinião de João Carlos Santos

João Carlos Santos

A primorosa e substanciosa exposição fotográfica “QuarteirÀdentro” da autoria do fotógrafo quarteirense Nuno Graça, consagra-o de forma fidelíssima enquanto a “Grande Lente de Quarteira”. No entanto, antes de passar a uma abordagem mais crítica e construtiva sobre a obra que nos apresenta nesta graciosa exposição, devo elevar em tom de mais sincero agradecimento o precioso convite que me fora feito aquando da inauguração desta magnífica resenha fotográfica sobre Quarteira.

Encontrando-me em vésperas de partida para uma competição internacional de Atletismo, recebo uma chamada do nosso companheiro Nuno Graça, convidando-me a estar presente no ato de inauguração da sua exposição na Galeria da Praça do Mar. Sensibilizado pelo convite, expressei a minha satisfação pela lembrança, sob promessa de uma visita mais cuidada e atempada de forma a fruir na sua totalidade da mensagem e do impacto visual que a mesma encerra. Este foi o meu compromisso perante um autêntico e provado agente cultural quarteirense que por via do seu modo de vida tem conservado para a posteridade aspetos que no futuro serão  fundamentais para perceber a vida de Quarteira neste dealbar de século.

Sobre a exposição, o primeiro aspeto que salta à evidência é o som… O som do Mar, incessante, escachoador que nos dá as boas-vindas a esta cápsula de sentidos, a este limiar finito que se abre à contemplação e à profundidade do nosso olhar pelas janelas temporais que polvilham de forma espaçada as paredes da galeria.

A lente de Nuno Graça convida-nos a uma viagem singular a conjuntos de Património Cultural edificado que nos educam e despertam para uma identidade local à qual muitos de nós não estamos despertos pela falta de um discurso espacial e cultural, que o advento desta exposição tenta cumprir ao oferecer uma via de acesso a esse entendimento. A exposição “QuarteirÀdentro” só por si é um património material e imaterial que leva a refletir Quarteira.

Desde a coletânea de azulejos policromados que espelham o nosso radioso sol e iluminam as nossas ruas com uma claridade única, aos becos escondidos que nos escapam ao olhar quotidiano mas que guardam histórias imemoriais. Ou até às belas vistas panorâmicas diurnas e noturnas que cimentam com as raízes da pertença o nosso lugar no Mundo e a solene religiosidade que nos cura e estimula o amor e o respeito ao próximo. Boa, esta terra de Quarteira.

Por fim, o Mar, a Pesca, a azáfama da doca, a vida que decorre envolta em braços de pedra, seguros e que entram Mar adentro, protegendo e salvaguardando os pertences dos Pescadores. O Mar calmo, revolto, sem dono ou comando, que cobre com a dilacerante ronceana as pedras dos molhes onde espelham as faces queimadas e as mãos cortadas do sal, precipícios escavados pela dureza da vida.

Em suma, Nuno Graça consegue-o e partilha-o, esse entendimento maior da alma de Quarteira, uma alma que anseia ser descoberta, valor maior de um povo que sempre fez por si, pois sempre soube aquilo que queria, viver numa terra farta cujos olhares se fundem com o limiar Atlântico. Poderia partilhar fotos da exposição mas desafio-o a ir à Galeria da Praça do Mar e a sentir Quarteira. Obrigado Nuno.

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