Opinião

A identificação dos doentes é o principal desafio no tratamento da Insuficiência Cardíaca

Artigo de Opinião de Paulo Bettencourt, Internista e Coordenador do NEIC

Dr. Paulo Bettencourt

Dia Mundial do Coração assinala-se a 29 de setembro

Vivemos um período em que a comunidade médica reconhece a importância de tratar todos os doentes com Insuficiência Cardíaca. Nos últimos anos temos assistido a revoluções no tratamento desta doença, com ganhos muito significativos em termos de qualidade e quantidade de vida nos nossos doentes com esta condição crónica.

Em Portugal, a estimativa dos doentes com Insuficiência Cardíaca é de entre os 250 e 350 mil doentes. Sabemos que uma grande proporção destes doentes está identificada e a sua maioria, quando seguida em consultas dedicadas, usufrui da melhor terapêutica e dos ganhos a ela associada.

Contudo, existe ainda um número significativo de doentes em que a Insuficiência Cardíaca não esta identificada. A sinalização destes doentes é um desafio importante para a comunidade médica. As diferentes sociedades científicas, assim como outras entidades com responsabilidade, estão a encetar todos os esforços para que estes doentes sejam identificados e possam usufruir das melhores soluções. Há atualmente um esforço de divulgação da Insuficiência Cardíaca, quer para clínicos, quer para a toda a população, o qual visa sensibilizar para esta necessidade. Só com a identificação adequada dos doentes podemos intervir para providenciar mais e melhor qualidade de vida.  

É espectável que nos próximos anos o número de doentes com Insuficiência Cardíaca aumente significativamente. Esta é uma condição tipicamente dos idosos e perspetiva-se que, com a continuação do envelhecimento populacional em Portugal, com o melhor controlo de fatores de risco cardiovascular, assim como dos doentes com enfarte do miocárdio (condições que precedem habitualmente a Insuficiência Cardíaca), o número de casos identificados desta doença seja cada vez maior.

No nosso país, temos vindo a refinar a organização do sistema de saúde, no sentido de criar redes de referenciação para a abordagem destes doentes. Todos concordam que o tratamento destes doentes deve ser realizado por clínicos com competência nesta área específica. Perspetivamos que nos próximos anos sejam criados programas de Insuficiência Cardíaca, nomeadamente processos organizados de acompanhamento destes doentes que envolvam equipas multidisciplinares e os diferentes patamares de cuidados de saude. Esta esperada e querida organização será a chave para que todos os doentes com esta condição possam usufruir, em cada momento, da melhor estratégia numa visão centrada no doente.

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