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Aprovado primeiro tratamento para a dermatite atópica moderada a grave em Portugal

Novo medicamento inovador, disponível a partir de 1 de outubro de 2019, traz esperança aos cerca de 34 mil portugueses com esta doença

O Infarmed aprovou o financiamento do dupilumab, primeiro medicamento especificamente desenvolvido para tratar a dermatite atópica (DA) moderada a grave, uma doença inflamatória da pele crónica sem cura, altamente debilitante e que afeta cerca de 34 mil doentes no nosso país1.

O dupilumab é um tratamento biológico inovador responsável pela inibição das interleucinas IL13 e IL4, responsáveis pela inflamação crónica do Tipo 2 que está na base da DA. O tratamento foi aprovado pela Agência Europeia do Medicamento em setembro 2017 e já está disponível para profissionais de saúde e doentes na maioria dos países europeus.

“É com enorme satisfação que recebemos esta notícia numa data que coincidiu com o  Dia Mundial da Dermatite Atópica, uma efeméride dedicada a sensibilizar para o enorme impacto emocional, físico e social que esta doença tem na vida das pessoas e das suas famílias. Acreditamos que o dupilumab representa uma esperança para as pessoas com dermatite atópica moderada a grave que até ao momento não dispunham de tratamento e que será uma opção terapêutica que pode melhorar a saúde e a qualidade das suas vidas a longo prazo.”, diz-nos Francisco del Val, Diretor Geral da Sanofi Genzyme.

Até à data, as opções terapêuticas para a forma mais grave da DA não eram suficientes para controlar a patologia e não podiam ser usadas de forma continuada devido sobretudo aos efeitos secundários. Pela primeira vez, os doentes com resposta inadequada ou não ilegíveis para tratamento com imunossupressores poderão ter acesso a um medicamento biológico específico para o tratamento da sua doença, que demonstrou uma elevada eficácia e um perfil de segurança adequado.

Sobre o dupilumab

Anticorpo monoclonal humano que atua especificamente na inibição da sinalização hiperativa de duas proteínas essenciais, IL-4 e IL-13, consideradas fatores importantes na inflamação persistente subjacente na DA e outras doenças alérgicas ou atópicas.

O dupilumab oferece maior controlo da doença inflamatória crónica permitindo minimizar o prurido, a vermelhidão, a secura da pele, a coceira e as erupções cutâneas.

O medicamento é administrado através de duas injeções subcutâneas no início do tratamento e uma repetição a cada catorze dias, melhorando o controlo da dermatite atópica”

Sobre a dermatite atópica

A patologia afeta cerca de 1-3% da população adulta, e cerca de 15% a 20% das crianças e adolescentes1. Em Portugal, segundo o estudo Nostradamus2, estima-se que existam cerca de 34 mil doentes com DA moderada a grave e destes, cerca 12.5 mil pessoas apresentam DA grave, representando 16% dos adultos com dermatite atópica.

  • A DA inadequadamente controlada é responsável por um forte impacto físico, emocional, psicológico e socioeconómico.
  • A DA moderada a grave é caracterizada por surtos e erupções cutâneas imprevisíveis que podem cobrir grande parte do corpo e provocam prurido intenso e persistente, vermelhidão, lesões e fissuras, crostas e exsudação. Estes sintomas são muitas vezes causadores de perturbações do sono, ansiedade e depressão.

Dados de um estudo europeu realizado pela EFA (European Federation of Allergy and Airways Diseases Patient’s Associations):

  • 1 em cada 4 pessoas sente incapacitada para lidar com a vida
  • 23% não têm uma visão optimista sobre a sua vida
  • 28% das pessoas vivem todos os dias com prurido (comichão) na pele
  • 38% declara-se prejudicado no trabalho por causa da sua pele.
  • 45% das pessoas confessa que a dermatite atópica influenciou os seus relacionamentos, vida sexual e hobbies
  • 51% das pessoas tentam esconder a doença

Pode aceder ao estudo Aqui

  1. Estudo da EFA;  Adermap  (http://www.adermap.pt/);
  2. Estudo Nostradamus

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