Albufeira

Loulé, Albufeira, Faro, Olhão e Tavira promovem Programação Cultural em Rede em 2020/21 com propostas diversificadas

Depois da experiência de 2011/12 com o projeto “Movimenta-te”, que teve como ponto alto o envolvimento direto das comunidades nos espetáculos “Paris, Praia do Havai” e “Vale”, cinco municípios do Algarve Central voltam a desenvolver uma rede de programação cultural – “Central Artes” – que foi apresentada esta segunda-feira, no Auditório do Solar da Música Nova, em Loulé.

Serão 11 espetáculos nacionais e internacionais, 1 programa de base comunitária e 40 workshops que, no período de 2020 a 2021, terão lugar em vários pontos dos concelhos de Loulé, Faro, Albufeira, Tavira e Olhão, “em diversos contextos e com vários formatos”, como explicou Dália Paulo, diretora municipal da Câmara de Loulé e coordenadora deste projeto que resultou de uma candidatura ao CRESC 2020, num investimento de perto de 400 mil euros.

O “consórcio” Eventors’ Lab e Spira, duas entidades que já estiveram à frente de eventos realizados no concelho de Loulé como o LUZA – Festival Internacional de Luzes ou a recente Bienal Ibérica do Património Cultural, foi o vencedor do concurso internacional lançado para a programação desta rede, garantindo a direção artística e os conteúdos.

Como referiu a coordenadora do “Central Artes”, “esta é a segunda geração dos projetos Algarve Central, que começou em 2016. Trata-se de um projeto muito interessante de cinco municípios que pensam este Algarve Central em rede, que pensam a nossa identidade através das artes”. Assim, para esta responsável da área cultural, “trabalhar em rede hoje não faz sentido se ela não estiver agarrada ao território, às gentes, se não pensarmos o que é que queremos transformar com esta programação cultural”.

A abrangência das manifestações artísticas representadas neste programa é uma das notas dominantes, com a Dança, Música, Teatro, Novo Circo, Literatura, Performance ou Manualidades a marcarem presença nesta “Central Artes”.

Depois dos sucessos dos projetos comunitários “Paris, Praia do Havai” e “Vale”, que tiveram uma forte participação das populações locais, pretende-se agora que esta volte a ser uma “programação arrojada, que vai deixar sementes e que toque as pessoas”. “Vamos fazer um pouco daquilo que já tínhamos começado na primeira geração da Algarve Central. Queremos voltar a chamar as pessoas ao palco, para que elas possam sentir outra vez o que é um processo de criação”, considerou a diretora municipal de Loulé.

Para Dália Paulo, esta programação “fará, certamente, toda a diferença” no que concerne a candidatura de Faro a Capital Europeia da Cultura 2027.

Da parte da direção artística, destaca-se o mote desta programação: “Cultura da Sustentabilidade”, que estará patente em todos os espetáculos e workshops propostos. “Iremos trabalhar a sustentabilidade de vários pontos de vista, quer do ponto de vista alimentar, da cultura local, da arquitetura local… Tentamos conjugar a sustentabilidade nestas várias dimensões com o que nos é dado no caderno de encargos: trazer a Música, a Dança, as Artes Circenses. Tentamos trazer uma linha condutora para esses espetáculos, fomos à procura de companhias que trabalhassem essas artes”, frisou a responsável da Eventors’ Lab, Ana Fernandes.

O anfitrião desta cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, salientou as virtudes do trabalho em rede: “juntos valemos muito mais do que isolados, o que tem vindo a ser demonstrado não só na cultura mas também noutras áreas e projetos”. “O Algarve atingiu um nível de maturidade e desenvolvimento que precisa, cada vez mais, de se capacitar, no sentido de se projetar no país, como um conjunto de municípios que sabem e cultivam uma atitude colaborativa, e esta programação é mais um exemplo disso”, disse Vítor Aleixo. O autarca louletano falou ainda da importância desta rede dentro “da génese e do clima que se vai criando para que a candidatura de Faro possa ser bem-sucedida”.

Para a diretora regional de Cultura, Adriana Nogueira, as temáticas inerentes a este projeto são de extrema importância para o desenvolvimento da região, nomeadamente a conservação, proteção, promoção e desenvolvimento do património cultural e natural, a promoção turística e realização de eventos culturais. “Apesar de tudo isto ser transversal, sentimos a individualidade de cada município”, considerou, referindo ainda a integração da área da literatura na arte.

Por seu turno, Carlos Cruz, da CCDR Algarve, falou dos cerca de 800 projetos apoiados pelo CRESC Algarve, sendo que a área da cultura e das indústrias criativas é uma das importantes para este programa. “É importante que os resultados e a sustentabilidade existam para que o nosso crédito perante a União Europeia seja uma alavanca para outras iniciativas e investimentos na área cultural”, considerou.

Da parte da Câmara de Albufeira, a vice-presidente Ana Pífaro referiu a importância de trabalhar em rede para se alcançar “uma região mais forte e mais capaz de divulgar o que tem de bom para oferecer, não só aos seus residentes mas também àqueles que nos visitam”, destacando o papel essencial da cultura na luta contra a sazonalidade.

Paulo Santos, da Autarquia de Faro, adiantou que “nesta área da cultura havia uma clara vontade política de se programar em rede e olhar o território para além das fronteiras do município”. Este responsável referiu o Algarve 365 que, tal como o Algarve Central, tem sido “uma pedra no charco”. Quanto à candidatura farense a Capital Europeia da Cultura, Paulo Santos foi perentório ao afirmar que “sem os municípios, a Direção Regional de Cultura, a Universidade do Algarve e a Região de Turismo, não faria sentido nenhum avançar-se para processos destes”.

A Programação

O programa do “Central Artes – Programação Cultural em Rede” arranca já na próxima semana, no dia 14 de março, no Mercado da Ribeira, em Tavira, com um espetáculo diferenciador e surpreendente com os austríacos The Vegetable Orchestra, que se apresentam com instrumentos musicais produzidos com vegetais frescos, criando um universo musical esteticamente único. No final haverá uma sopa comunitária distribuída ao público, confecionada com os vegetais utilizados no espetáculo. Este momento inaugural será antecedido por uma visita a cada um dos municípios participantes onde o público será convidado a trabalhar os vegetais locais, como explicou Ana Fernandes da Eventor’s Lab. Assim, a construção de instrumentos com vegetais originará também um workshop em cada um dos municípios envolvidos: dia 12 de março, em Albufeira e Loulé, dia 13 de março, em Olhão e Faro, e dia 14 de março, em Tavira.

Em maio arrancam os 5 espetáculos nacionais, no território de cada um dos parceiros, antecedidos de workshops. “Serão as próprias companhias e os artistas a trabalhar com a comunidade”, sublinhou Ana Fernandes.

O primeiro acontece no Cineteatro Louletano, a 12 de maio, com “A presença das formigas”, um trio que aborda a música tradicional e popular portuguesa com influências do jazz, música erudita e músicas do mundo. Será antecedido por um workshop de canto tradicional português.

As atenções voltam-se para Faro no dia 16 de maio, com a Companhia Instável a proporcionar “Percursos pela Arquitetura”. Com o intuito de encontrar uma forma de diálogo com espaços urbanos em que a arquitetura, as histórias e os destinos por eles oferecidos sejam o ponto de partida para a criação, os “Percursos pela Arquitetura” consistem na construção de pequenas peças coreográficas através da exploração de diversos locais e contextos não formais para a Dança. O público encontra aqui a possibilidade de descobrir e estabelecer novas relações com o espaço habitado. Antecede este momento um workshop de “Dança Contemporânea em espaços urbanos”.

Celina da Piedade sobe ao placo do Auditório Municipal de Albufeira, dia 23 de maio, para um concerto em que o acordeão é protagonista. Numa viagem pelas memórias da música de raiz portuguesa e um sentir mais moderno e universalista, a artista desenha uma música cheia de alma e de personalidade que, no palco, ganha com a sua formidável presença. Antes do concerto decorrerá um workshop de cante alentejano.

A performance/instalação “Passagem”, pela companhia PIA Projetos de Intervenção Artística, vai passar pelo Jardim da Igreja de S. Francisco, em Tavira, a 30 de maio, mas antes haverá um workshop das atividades circenses, aberto ao público em geral. Trata-se de uma performance que conta a história de “Quatro velhos viajantes que caminham por entre um universo de objetos suspensos, onde através das memórias do passado, que lhes embrulharam a vida, encontram o início de uma nova jornada”, contemplada por uma Instalação sob forma de “Interferências poéticas, que exploram no lugar comum o que de nele melhor existe, a sua multiplicidade de sensações e sentidos, tornando-a única pelo meio que a envolve, emergindo-a do esquecimento e da rotina, transformando-a num efémero lugar de contemplação”.

Finalmente, esta primeira fase da Central Artes termina com o concerto dos Olivetreedance, a 31 de maio, na Praceta de Agadir, em Olhão, com um dia inteiro dedicado à percussão e a workshops para o público – bateria, percussão corporal, didgeridoo e percussão geral – que terminam com um concerto da banda de “Trance Orgânico” que, em 2020, celebra 15 anos de carreira.

Na segunda fase do projeto, ainda durante o presente ano, haverá um workshop “Pinto-me dançando”, da Mundo Património, projeto da Spira, que irá também percorrer os cinco municípios, com workshops para o público infanto-juvenil e para os adultos: Faro (26 de outubro), Loulé (27 d outubro), Tavira (28 de outubro), Albufeira (29 de outubro) e Olhão (30 de outubro).

Em 2021, a programação será feita entre janeiro e maio. Ao longo do primeiro trimestre haverá um trabalho a ser desenvolvido com a comunidade que culminará com um espetáculo em cada um dos municípios, e no final haverá umas reunião entre todos os participantes para levantamento das conclusões e da abordagem que cada um dos municípios e grupos teve com o trabalho da produção artística. “Agentes Internos”, de Ana Borralho & João Galante, é o nome desta produção que estará a cargo da casaBranca.

Já em maio de 2021, haverá 5 semanas com 5 espetáculos internacionais, todos em áreas diferentes, de companhias diferentes do Brasil, França, Alemanha, Itália e Espanha, quer nas áreas da Dança, Teatro de Rua, Música, cumprindo aquilo que era a “obrigatoriedade” do programa concursal. Também nessa altura, será acompanhado com workshops com a comunidade. A agenda será a seguinte: Faro (30 de abril 2021), Olhão (8 de maio 2021), Albufeira (15 de maio 2021), Tavira (22 de maio 2021) e Loulé (29 de maio 2021).

Para além dos locais habituais de espetáculos como auditórios e teatros municipais, esta programação estará em espaços públicos, e em cada um dos territórios irão trabalhar o mais próximo possível da comunidade.

Relativamente aos workshops que acontecem em 2021, uma parte será dedicada à literatura, e a Central Artes estará nas bibliotecas municipais de cada um dos municípios, pelo menos com dois workshops em cada ano. De referir que todas as iniciativas são de entrada livre. A programação vai estar disponível em http://cineteatro.cm-loule.pt ou www.cm-loule.pt.