Opinião

COVID-19 | Entende, Mundo, há uma solução perfeita mas é impraticável!

Artigo de Opinião de Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Jorge Matos Dias – administrador do jornal online PlanetAlgarve

Na conferência de imprensa diária de hoje com a Ministra da Educação e a Diretora Geral da Saúde, uma jornalista perguntou à ministra se estava arrependida de não ter tomado outras medidas para evitar o surto da COVID-19.

Entendamos de uma vez por todas: Todos estamos em risco. Se um dia destes surgir um caso positivo de alguém numa conferência de imprensa que possa contagiar outros dos presentes vamos acusar o Governo por fazer conferências de imprensa?

Claro que há uma solução perfeita: Parar tudo em todo o mundo. Esta solução é impraticável.

– Os profissionais de saúde são um fator de risco por tratarem pessoas infetadas e os casos de infetados vão surgindo. Vamos criticar os sistemas de saúde por estarem a permitir que os profissionais de saúde sejam infetados?

– Há setores da atividade económica que têm de continuar a funcionar, os funcionários e os clientes correm risco de infeção. Vamos acusar os governos de todo o mundo por não terem fechado tudo?

– As forças de segurança têm de vir para a rua fiscalizar o cumprimento das medidas de emergência. Estão sujeitos a contágio e a contagiarem outras pessoas, designadamente os seus familiares. Vamos acusar os governos de todo o mundo por colocá-los na rua?

– Os carteiros têm de continuar a distribuir a correspondência. Estão sujeitos a infeção e a contagiarem outras pessoas. Vamos acusar os governos de todo o mundo por não terem acabado com a distribuição de correio?

– Uma das recomendações é evitar o contato entre as pessoas. A solução perfeita é cada pessoa ficar isolada individualmente. Esta solução é impraticável. Mais uma vez o risco de infeção e contágio existe. Relações sexuais são outro risco de contágio. Alguém acredita que o sexo vai ficar suspenso durante meses?

Os exemplos nunca mais acabam. A solução perfeita existe mas é impraticável. O vírus tem um processo evolutivo próprio, tal como a doença. A única coisa a fazer é tentar minimizar o número de casos. O papel mais importante cabe a cada um de nós. Apesar das medidas adotadas pelos governos, são muitas as pessoas que continuam a ignorar as recomendações, desafiando o destino, desafiando a sorte, pondo em risco todos os que os rodeiam. Não ficam em casa, andam na rua por desobediência mas a aplicação de multas não evita que fiquem infetados e contagiem outras pessoas que, por sua vez, poderão infetar outras pessoas numa espiral de contágios interminável. O risco existe. Há uma solução perfeita: Abater todos quantos desobedeçam. Esta solução é impraticável.

As soluções perfeitas, igualmente impraticáveis, aplicam-se a outras doenças:

– Doenças graves e mortes derivadas do tabagismo. A solução perfeita é acabar com o tabaco. Solução impraticável. As plantas continuam a existir na Natureza. Sabemos que pode ser fatal, o aviso está em todas as embalagens de tabaco mas as pessoas continuam teimosamente a desafiar o destino;

– Doenças graves e mortes derivadas do alcoolismo. A solução perfeita existe: proibir o consumo de álcool. Solução impraticável. Tudo o que destila resulta numa solução alcoólica. As pessoas sabem o risco que correm e muitas continuam a consumir bebidas alcoólicas em excesso. Mais uma vez desafiam o destino;

– Mortes por doenças cancerígenas. A solução perfeita é acabar com a produção dos bens alimentares com partículas cancerígenas. Neste caso, cabe aos governos proibir a sua produção. Interesses económicos parece falarem mais alto. As pessoas sabem quais são mas continuam a consumi-los, desafiando o destino. Os exemplos nunca mais acabam.

O novo coronavírus que provoca a doença COVID-19 é o fenómeno mais assustador desde a II Guerra Mundial. Os governos vão tomando as medidas que entendem ser as mais adequadas.

Em alguns casos, medidas atempadas podiam evitar casos graves como em Itália, Espanha e outros países onde a situação está descontrolada, tal como em outros países onde teimosamente os seus governantes só a muito custo, perante as evidências, vão agora tomando medidas, demasiado tarde, descurando a segurança dos seus cidadãos.

No caso de Portugal, continuam a surgir opiniões que defendem que todas as medidas deviam ter sido tomadas logo no início, incluindo a declaração do Estado de Emergência. Mais uma vez recordo: O vírus tem uma evolução própria, tal como a doença COVID-19. Os casos iriam surgir na mesma, com certeza em menor número, mas surgiriam. O  temor continuaria nas pessoas, que continuariam a pedir mais medidas. Se já todas tivessem sido tomadas, o que se faria agora? E nos próximos dias? O comportamento das pessoas seria imprevisível e de consequências trágicas, seguramente.

Portanto, e reportando-me agora para o caso de Portugal, entendo que as autoridades do nosso país têm vindo a tomar as medidas mais adequadas, sensatamente, tendo em conta o conhecimento científico atual sobre esta situação completamente nova, sobre a qual todos os dias vamos apreendendo coisas novas.

Há que não entrar em pânico e confiar nas nossas instituições. Aliás, tendo em conta os casos de Portugal, comparativamente a outros países europeus, o nosso SNS vai mostrando ao mundo aquilo que vale, apesar das profundas críticas de que é alvo diariamente. Quanto mais temos mais exigimos e isso é positivo mas haja um pouco de bom senso. Da minha parte, tem toda a minha admiração, o meu reconhecimento é é, para mim, motivo de orgulho.

Por outro lado, quanto mais tratarmos de nós, menos o SNS precisa de nos tratar. É esse o caminho e depende de cada um.

Relativamente ao COVID-19, muito tem sido feito mas muito ainda deverá ser feito. Em Portugal e no mundo.

Em suma, há uma solução perfeita para tudo mas, na maior parte dos casos, impraticável. É o que acontece com o coronavírus e a COVID-19. O Planeta está a virar uma página nova, com muita dor, um tremendo desafio para os seres humanos que muita coisa terão de reaprender. Lidar com a morte é uma delas. Precisamos mais do que nunca de todas as nossas forças, físicas e mentais, para podermos lidar com toda esta dor de proporções ainda desconhecidas.

Não se esqueçam: Vivemos no Planeta Terra, isto não é o Paraíso. Mas depende de nós se for parecido.

NOTA: Esta opinião é baseada nos meus conhecimentos e não pretende ser uma verdade absoluta. Não sou cientista e seguramente haverá quem possa contra argumentar com fundamentos mais válidos. Todas as críticas são bem vindas.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Categories: Opinião, Saúde