Algarve

Covid-19 | FRAPAL defende conteúdos online e ensino à distância

A FRAPAL compreende que, dada a situação atual do país e os consequentes prolongamentos do estado de emergência, não existe outra hipótese que não seja passar pela aplicação de conteúdos online para finalizar o ano letivo. No entanto, a FRAPAL tem duas grandes preocupações: a primeira – e mais sensível -, acesso ao ensino superior; a segunda, o método e conteúdos de ensino à distância.

Acesso ao ensino superior

Preocupados com as candidaturas dos alunos do 12.º ao ensino superior, sugerimos que seja efetuado um levantamento dos conteúdos lecionados por todas as escolas do ensino público e privado de forma a garantir que os conteúdos avaliados nos exames são apenas aqueles que foram devidamente lecionados presencialmente a todos aqueles que se querem candidatar ao ensino superior. Só assim entendemos estarem garantidos os mecanismos para uma avaliação e candidatura justas ao acesso ao ensino superior. A alternativa poderia passar por adiar os exames, na possibilidade de o ME conseguir garantir a possibilidade de voltarmos a ter as escolas abertas e terminar o ano letivo, mesmo que um pouco mais tarde, dotando as escolas de todas as medidas preventivas para evitar um novo surto da COVID-19.

Método e conteúdos de ensino à distância

Conhecendo a realidade do Algarve – e sabendo de antemão que não existem condições tecnológicas nos lares de alguns alunos para garantir os requisitos mínimos necessário para um ensino à distância-, propomos que o governo procure fazer um levantamento das condições dos lares dos portugueses e aja junto das empresas tecnológicas do nosso país criando uma parceria, e garanta o acesso gratuito a um banda larga, por tempo limitado, e um tablet para apresentação de conteúdos a todos aqueles que não reúnam as condições. Só desta forma conseguiremos ter a certeza de um dispositivo de uso exclusivo por aluno, reduzindo assim as diferenças económicas e garantindo uma equidade no acesso ao ensino.
Não menos importante que garantir as condições de ensino à distância será fazer um levantamento de que conteúdos devem ser lecionados, pois acreditamos que, com a flexibilização curricular, os currículos de cada escola, cada agrupamento estão muito fragmentados, mas o importante é cumprir o currículo por todos.
O ME deverá, com alguma urgência, definir a sua estratégia, definir regras e propor o uso a nível nacional de plataformas uniformes, não esquecendo de formar os professores e alunos na sua utilização.
Reconhecemos que os alunos – ou, pelo menos, uma parte deles – estão hoje em dia cada vez mais aptos a usar novas tecnologias, mas não existindo no currículo do 1.º ciclo com conteúdos de Tecnologias de Informação e Computadores, não conseguimos garantir uma qualidade de ensino à distância. Sabendo que é possível, com alguma facilidade, recuperar conteúdos no 1.º ciclo. Por isso, pensamos que não será premente – ou uma prioridade – a conclusão do ano letivo para o ensino pré-escolar e 1.º ciclo. Os alunos dos níveis de ensino menos críticos devem ser avaliados tomando em consideração apenas as avaliações até ao momento e deveremos iniciar o próximo ano letivo seguinte mais cedo e compensar os conteúdos eventualmente em falta neste ano.
Acreditamos que, a partir do 2.º ciclo, os alunos já possuam alguma capacidade para lidar com computadores, tablets, mas estamos convictos de que não será o suficiente para dominar alguma das plataformas adotadas pelos agrupamentos. O 3.º ciclo e o secundário, por outro lado, já terão condições para se adaptar com menos dificuldade e olhar para esta nova era, para este desafio, e fazer um esforço para conseguirmos ultrapassar os meses que se avizinham.
Preocupa-nos saber que 2/3 da população do Algarve não tem conhecimentos e capacidade para se substituir aos professores, muito menos os avós, que muitas vezes são os cuidadores nesta fase, para que os pais consigam manter os empregos. Os conteúdos terão que garantir a autonomia dos alunos, mas não descurando o facto que temos que criar conhecimento, uma tarefa muito complexa no tempo que nos espera.
Na conjuntura atual, e sabendo que muitos se encontram em modo “Teletrabalho”, não cremos que seja possível um encarregado de educação acompanhar um aluno em tempo letivo sem prejudicar o seu nível de desempenho laboral, ou prejudicar o seu aluno na sua educação. Assim, o ME terá de definir um calendário e horários capazes de manter harmonia entre trabalho e escola; entre a família e as responsabilidades escolares/laborais simultâneas.
Defendemos ainda, para os alunos com NEE, a criação excecional de um regime para que um dos progenitores (ou cuidadores) se mantenha em casa sem perda de regalias salariais de modo a poder ser o interface entre as instruções escolares e o seu educando, já que os alunos com NEE manifestam, em muitos casos, um défice acrescido no domínio da tecnologia.
Estamos preocupados com os mecanismos de avaliação, ainda inexistentes, nomeadamente com os ciclos de ensino onde terá que existir uma escolha dos alunos, ou em momentos de transição de ciclos que sejam mais exigentes.
Talvez seja tempo de refletir se os exames do 9.º ano sejam realmente importantes neste ano excecional.
Deve ser encarado este resto de ano letivo como uma aprendizagem para uma educação mais tecnológica, dotando os alunos e os professores de mecanismos para usar num futuro próximo, amadurecendo ideias e aprendendo com este período-piloto. Fica a questão.

Equipa da FRAPAL
O presidente, Nuno Sousa

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