Loulé

Autarquia de Loulé apresenta balanço das ações realizadas no combate à covid-19 que já ascendem a um investimento de 1,7 milhões de Euros

O Presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo, acompanhado dos seus mais diretos colaboradores na área da proteção civil, apresentou ontem, em conferência de imprensa realizada no Cineteatro Louletano, o trabalho que tem sido feito pela Câmara na luta contra a pandemia do novo coronavírus no seu território, não só em termos de ações na vertente da saúde pública, mas também no apoio às famílias e empresas do concelho.

Tal como explicou o autarca, desde o início deste surto pandémico que o Município, antevendo um crescimento do número de casos, canalizou recursos humanos e financeiros para esta crise sanitária, sempre em articulação com várias entidades. Assim, ainda durante o mês de fevereiro, foi criado um grupo de trabalho para acompanhar a situação e a 3 de março foi aprovado o Plano de Contingência do Município de Loulé e as primeiras medidas para fazer face à pandemia.

“Em março e abril temos vindo a tomar várias decisões, sempre com o objetivo de travar a propagação do vírus e de proteger a população”, sublinhou Vítor Aleixo.

Com a aplicação do estado de emergência, que levou ao confinamento social e ao abrandamento da economia, Vítor Aleixo referiu o aumento na ordem dos 45% da taxa de desemprego durante o mês de março no concelho, comparativamente ao período homólogo de 2019, ou seja, mais 1000 pessoas desempregadas, para além do recurso ao lay-off de muitas empresas. Para responder a esta situação, foram tomadas medidas para ajudar a liquidez, tanto dos cidadãos como das empresas, num montante de 2 milhões de euros. Desde logo, a isenção das tarifas fixas aplicadas aos serviços de fornecimento de água, de tratamento de águas residuais e de recolha de resíduos sólidos urbanos para os clientes não-domésticos, o prolongamento do prazo limite para pagamento das faturas de água emitidas durante os meses de abril e maio até ao final do ano ou o alargamento da atribuição do Tarifário Social da Água aos utilizadores domésticos. Foi ainda aprovada a isenção das taxas referentes à ocupação do espaço público e espaço aéreo, bem como a isenção do pagamento de taxas municipais de concessões dos módulos comerciais e das lojas no Mercado Municipal de Loulé e das concessões dos espaços municipais de café e similares. Em matéria de mobilidade, deixaram de ser cobradas as taxas municipais referentes aos transportes públicos urbanos e ao estacionamento.

Ao nível do apoio social, tanto para as famílias como para a franja da população mais carenciada, foi criada a Linha Loulé Solidário, uma iniciativa em colaboração com as juntas de freguesia e a Bolsa Local de Voluntariado que atendeu, até ao momento, 843 pedidos de ajuda. Foram criadas ZAP (Zonas de Apoio à População) em pavilhões desportivos, com capacidade para acolher 250 pessoas que tenham de ficar em regime de isolamento (podendo crescer até às 300 pessoas).

Em Quarteira, foi instalado um Refeitório Social que já serviu 4241 refeições. Um pouco por todo o concelho, foram distribuídos mais de duas centenas de cabazes alimentares entre os dia 25 de março e 20 de abril, numa iniciativa em que a Autarquia tem por paceiros as IPSS, o Banco Alimentar e as juntas de freguesia.

Como resposta a esta crise sanitária, o Município apostou numa vasta campanha de comunicação junto da população, seja através dos tradicionais suportes como outdoors, mupis, folhetos ou spots de rádio mas também de uma plataforma digital, http://covid19.cm-loule.pt, com toda a informação sobre esta temática da Covid-19, nomeadamente as orientações das entidades de saúde e segurança e as medidas tomadas pela Câmara.

O autarca destacou ainda a importância do trabalho de articulação entre várias entidades, nomeadamente do grupo de trabalho criado para acompanhar diariamente a situação, mas também da Comissão Municipal de Proteção Civil, que reúne semanalmente.

Quanto aos casos de contaminados com o novo coronavírus no concelho de Loulé, “à data de hoje, dia 22 de abril”, como sublinhou o autarca, existem 60 casos positivos confirmados, 1 recuperado e 2 óbitos a lamentar, sendo 1 deles referente a um dos utentes do Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime. É neste lar que reside o maior número de casos registados no concelho e a situação mais preocupante, “até por tratar-se de uma população de elevado risco”, como frisou Vítor Aleixo.

No dia 3 de abril eram 21 os casos positivos. No decorrer das últimas semanas, a situação dos casos identificados no lar foi evoluindo, tendo-se registado 1 óbito na semana passada. Hoje em dia, após a realização de novos testes no último fim-de-semana, estão 8 pessoas em recuperação e, a confirmarem-se os resultados obtidos, o número de casos positivos deverá ser bem inferior ao inicialmente registado.

Desde logo, a Autarquia apoiou todo o processo da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime através da transferência dos idosos não contaminados para uma unidade hoteleira em Vilamoura, da cedência de equipamentos de proteção individual, do apoio à descontaminação do 2º piso do lar levada a cabo por uma unidade especial da GNR ou do acompanhamento diário ao nível do estado de saúde dos utentes do lar.

Quanto aos rastreios a utentes e funcionários de todos os lares da região que estão a ser desenvolvidos pelo ABC – Algarve Biomedical Center foram até ao momento, de um total de 14 lares existentes no concelho, realizados 521 testes em 7 lares e apenas em Boliqueime foram testados casos positivos.

No que respeita às ações que têm permitido o apoio aos profissionais de saúde, homens e mulheres que estão na linha da frente do combate à doença, o autarca referiu o contributo da Câmara de Loulé para a aquisição de ventiladores que poderão chegar nos próximos dias à região, com uma participação de 330 mil euros, em articulação com a AMAL. Também num investimento da Autarquia a rondar os 450 mil euros, foram adquiridos materiais de proteção individual como máscaras, gel, termómetros ou óculos.

Em colaboração com o ABC, foi criada uma Linha de Apoio à População que se destina a esclarecer dúvidas sobre os sintomas do vírus, para além do apoio à instalação do Centro de Despistagem à COVID-19 “Drive-Thru”, no Parque das Cidades.

De referir ainda que todos os profissionais de saúde que se encontram a trabalhar nas unidades de saúde familiar e unidades de cuidados continuados do concelho receberam fardas, batas e socas reutilizáveis, material adquirido pelo Município no valor de 16 mil euros, a par do apoio à produção de viseiras, zaragatoas, cogulas e perneiras, “numa mobilização da sociedade civil em colaboração com a Câmara”.

“Todo este conjunto de aquisições soma já um valor que ronda os 1.750.000 euros investidos. A Câmara Municipal de Loulé tem desenvolvido um trabalho intensivo no sentido de minorar os efeitos da pandemia no concelho e irá continuar a estar atenta à situação, prestando apoio à população e às empresas”, considerou o presidente da Autarquia. A pensar no futuro próximo com o fim do confinamento social e o retomar da economia, Vítor Aleixo anunciou que serão duas as frentes em que o executivo municipal irá atuar: em matéria de saúde, para que não haja propagação do vírus e, no combate às consequências sociais e económicos. “Para além das iniciativas já tomadas, estamos a trabalhar noutro conjunto de medidas de apoio às empresas do concelho para, na medida das nossas possibilidades, complementarmos as medidas do Governo com outras iniciativas para minorar os efeitos da crise económica que resultará desta pandemia”, concluiu o responsável deste município que se tem destacado no combate ao novo coronavírus.

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