Nacional

Frente Unitária Antifascista e a notícia relativa aos 37 arguidos neonazis em solo nacional

Dia Internacional contra a Homofobia celebra-se hoje

Por um artigo no Diário de Notícias de ontem, dia 16 de Maio de 2020, chega-nos o relato de que o Ministério Público constituiu arguidos 37 neonazis portugueses, por crimes de ódio envolvendo grande violência, incluindo tentativas de homicídio, ofensas à integridade física qualificadas, posse de armas de fogo ilegais, injúrias, ameaças, e associação criminosa, actos dirigidos contra negros, muçulmanos, homossexuais, comunistas e militantes antifascistas.

A notícia foi recebida com surpresa e indignação, mas não da nossa parte. O movimento antifascista português leva já vários anos a lançar alertas sobre o perigo e florescimento destes grupos em território nacional e internacional. Surpreende-nos, sim, a repentina indignação de alguns grupos, em especial partidos da esquerda parlamentar, que de repente se viram confrontados com uma realidade que têm vindo consistentemente a negar, descartando os nossos alertas, acusando-nos de “exagero, dramatismo”, e classificando-nos de folclore político e de “caçadores de fantasmas”.

Desde 2016, o movimento antifascista português tem-se reconstruído e reorganizado, crescendo numa multiplicidade de núcleos e movimentos pelo país, que em 2017 se juntaram, formando a Frente Unitária Antifascista. A FUA surgiu da necessidade de organização e cooperação, partindo do reconhecimento e consciência de que a extrema-direita nacional e europeia estava a ganhar espaço, e representava um perigo escondido em terreno fértil. Organizamo-nos numa pluralidade de núcleos, associações e movimentos em estreita cooperação, partilhando informação, organizando debates, grupos de análise e manifestações, com monitorização digital e intervenção directa.

Quatro anos passaram, durante os quais muitos avisos foram lançados, denunciando o crescimento e multiplicação de organizações paramilitares ligadas à extrema-direita e movimentos neonazis. Muitas ações, manifestações e contra-manifestações foram levadas a cabo. Muitos avisos e comunicados. Muitas reflexões e reuniões. Muitos apelos públicos, e muitos gritos de alerta.

Nestes quatro anos, temos feito oposição e denúncia ao racismo, ao protofascismo, à xenofobia e à discriminação, em intervenções que por vezes resultaram em ameaças e agressões aos nossos militantes e activistas.

Desde 2016, núcleos antifascistas lançaram mais de uma dezena de comunicados sobre as movimentações de grupos de extrema-direita e neonazis em Portugal, incluindo ataques a minorias e activistas.

Em 2019, antifascistas portugueses abafaram um protesto do partido de extrema-direita PNR contra a presença de um político e activista brasileiro em Coimbra. Também em 2019, foi organizada uma manifestação em Lisboa, protestando contra a realização de uma conferência que reunia os principais elementos de milícias e grupos paramilitares neonazis europeus, da qual resultou uma petição com mais de 9000 assinaturas, entregue na Assembleia da República. Temos estado, e continuamos a estar, na linha da frente da luta contra o racismo, a xenofobia, a LGBTQ+fobia, e qualquer tipo de discriminação.

Em 2019, a Europol lançou um relatório alertando para a ação terrorista de três grupos de extrema-direita em Portugal: os Blood & Honour, os Hammer Skins, e o Nova Ordem Social. Em 2020, vemos-lhes somados os Soldiers of Odin. De todos os alertas e intervenções, a resposta que sempre obtivemos de todos os partidos com assento parlamentar foi o silêncio. E mais grave: o desinteresse, o descrédito, e a recusa em reconhecer a importância da mobilização antifascista em Portugal, acusando-nos de exagero e alarmismo, e desencorajando os seus militantes – muitos dos quais também são nossos activistas, a participar na luta contra o racismo e o fascismo.

Sempre convidámos – e continuamos a convidar, sublinhando a importância da presença e participação da esquerda em cada debate, cada reunião, cada manifestação. Para a Frente Unitária Antifascista, o levantamento de forças fascistas no panorama nacional e internacional tem sido estudado com atenção e preocupação, pelo que reiteramos neste comunicado o apelo à união das forças progressistas, incluindo todos os partidos à esquerda, e todos os movimentos sociais, políticos, partidários ou ideológicos que prezam a liberdade, a justiça, e o combate a qualquer tipo de discriminação.

Quando fechamos os olhos ao racismo, ao populismo demagógico, à xenofobia clara ou encapotada, à discriminação, ao branqueamento do fascismo e à violência, somos coniventes, e cedemos terreno ao ódio. As consequências da desvalorização estão à vista: a extrema-direita já tem assento parlamentar, e os movimentos crescem, multiplicam-se, e ganham apoio. Temos de ser intolerantes para com a intolerância.

Recusamo-nos a abandonar esta luta, e apelamos à cooperação, participação e união de todos e todas que vêem esta causa como sua, independentemente da sua filiação política e diferenças ideológicas. As guerras fratricidas à esquerda não se podem sobrepor ao objectivo comum. O nosso inimigo é comum! Ajudem-nos a construir a resistência. Apoiem os vossos núcleos locais. Responsabilizem os vossos dirigentes partidários. Juntem-se à acção, e não deixem que o silêncio e a inércia permitam que a extrema-direita cresça em Portugal. Ajudem-nos a construir este movimento.
A luta continua, em cada bairro e em cada rua!

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Frente Unitária Antifascista

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