Loulé

PAN LOULÉ: «Mais um grito de socorro da Natureza»

Acordamos do confinamento mais pobres em muitos aspectos. Em muitos lugares do mundo, a Natureza ficou mais rica e bela mas no parque Natural da Ria Formosa, zona do Ancão, centenas de pinheiros foram abatidos juntamente com a mata envolvente, levando com ela toda a sua biodiversidade, um paraíso que abrigava centenas de espécies e que agora desaparece.

Junto às dunas, na primeira linha, nasceu um parque de estacionamento para cerca de meio milhar de viaturas, à custa do abate de árvores de grande e médio porte, com aprovação da Câmara Municipal de Loulé e da APA (segundo a CML), que consideraram correto a impermeabilização de um solo dunar.

Logo ao lado e em segunda linha, cerca de 30% das árvores foram abatidas e devastada toda a vegetação que servia de abrigo a diferentes espécies. Segundo o proprietário, o ICNF foi informado, que, aparentemente, também deverá ter concordado. 

Agora restam algumas máquinas ainda presentes e um silêncio gritante de quem não teve voz, animais e toda natureza, para melhor se defenderem destas práticas humanas. 

O PAN Loulé sente-se envergonhado com limpezas desta natureza no concelho, e mesmo quando o Presidente de Câmara se diz muito preocupado com as questões ambientais e que vai obrigar à reposição de árvores, consideramos que a Câmara tem tido oportunidades não aproveitadas para mostrar o que significa proteger árvores de grande porte, tão importantes para capturar dióxido de carbono e gerar oxigénio. 

A somar, está a ser construído um passadiço na zona litoral do concelho, para promover o aumento da circulação de pessoas nestas zonas, que passam a poder observar uma natureza cada vez mais fragilizada e artificial, quando se devia pensar em como alcançar exatamente o oposto.

O PAN considera que não são necessárias mais construções como parques de estacionamento ao estilo urbano e intervenções como passadiços à entrada de praias e restaurantes para promover o turismo ou a atividade física moderna e pede que se repense a forma como ainda se continua a menosprezar a fauna e flora responsáveis pelas paisagens que tanto se deseja rentabilizar.

Enquanto isso, resta-nos pedir desculpa às nossas crianças, por termos permitido virem a ter cada vez menos natureza para contemplar, respeitar e defender.

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