Faro

BE Faro: «Para uma verdadeira solidariedade é urgente conhecer a realidade da crise na cidade»

Enfrentar a Pandemia defendendo os Serviços Públicos e as Classes Trabalhadoras

A assembleia concelhia do Bloco de Esquerda de Faro, realizada no passado dia 10 de julho, concluiu que permanece o estado de alerta no concelho.

Alerta no que respeita à situação sanitária, que, não se tendo agravado substancialmente, a continuação do estado pandémico torna indispensável que as regras de segurança sanitária se continuem a respeitar sem relaxamento.

Estado de alerta também na atividade económica do concelho, a qual continua em regressão e com sinais de agravamento. O desemprego no mês de maio voltou a aumentar, numa tendência fortemente oposta à dos anos anteriores.

É provável que no mês de junho, cujos números ainda não estão disponíveis, o desemprego continue a crescer em Faro. Há esperança que em julho e agosto abrande um pouco, mas e após o Verão? Com certeza a quebra vai ser ainda maior.

E estes são apenas os números dos pedidos de emprego registados no Centro de Emprego. Há muitos escapam ao novo método de apuramento dos números do desemperro, outros que nem se registam, outros que não são contabilizados por estarem em cursos de formação, outros também por fazerem “part-times”, ou pequenos horários parciais, ou trabalhos de ocasião em empresas de trabalho temporário.

A isto juntam-se os trabalhadores cujas empresas estão em “lay-off” e que recebem apenas dois terços do salário, ou menos. Ou que estão com salários em atraso, ou sujeitos a outros abusos patronais. Umas vezes pela grande dificuldade de pequenos patrões, mas outras também pela ganância sem escrúpulos de quem, mesmo neste tempo de aflição, não tem pejo em arrecadar o máximo de lucros, nem que seja à custa de despedir a eito.

Todos estes casos estão presentes no nosso concelho. Correm pelas mesas dos cafés e pelo diz-que-diz. Mas continuam ausentes, na esmagadora maioria, da Comunicação Social e das estatísticas das entidades responsáveis. 

É ilustrativo o exemplo do “lay-off” pois é nula informação existente sobre o concelho de Faro. Nas páginas oficiais ou das entidades que a isto se dedicam, apenas no Pordata existe o transitório número nacional de empresas que pediram o “lay-off” até julho – 114.304. Mais nada consta de útil e capaz, nem aí, nem na Segurança Social, no IEFP, no INE, na ACT.

Nenhum valor existe sobre o Algarve. E sobre Faro, nem pensar! 

E o panorama é o mesmo quanto ao número de empresas encerradas, em definitivo ou transitoriamente, trabalhadores despedidos, trabalhadores precários, por conta própria, informais… E quantos com cortes de salários ou em atraso? E como está o pagamento dos subsídios de desemprego e os outros subsídios? E os outros apoios decretados pelo governo, sejam aos trabalhadores sejam às micro e pequenas empresas?

Não se sabe no conjunto do Algarve e ainda menos se sabe em Faro. Sabe-se que somos a região mais atingida e que as perspectivas são de se agravarem os problemas. Mas os números e as situações concretas, concelho a concelho, não se sabe!

O mesmo no que respeita às carências das classes trabalhadoras, as necessidades alimentares, as rendas de casa, ou prestações por pagar, mais a água, a luz, o gás, as comunicações, os lares e as creches em atraso. Quantas são estas situações? Quantas famílias, quantas pessoas, estão em grandes dificuldades, ou até com a corda na garganta?

Esta era a falta de conhecimento existente no início de junho, sobre a qual o Bloco de Esquerda de Faro tomou então posição pública. No essencial, a falta de informação mantém-se. 

A falta de informação fiável torna difícil a ação dos diversos poderes e organizações públicas ou privadas, e torna impossível dar passos seguros para alterar o este estado de coisas.

Procurando dar o seu contributo para mudar o estado em que estamos, o Bloco de Faro, interpelou o Presidente da Câmara, na Assembleia Municipal do passado 26 de junho, sobre o ponto em que se encontra a aplicação das “Medidas excepcionais Covid-19” decididas pela autarquia.

No mesmo sentido, foi feito o envio formal de um pedido de informação sobre todas essas medidas. E vai ser pedida uma audiência ao presidente Câmara a fim de essa temática ser abordada.

Por outro lado, o Bloco de Faro está envidando esforços junto das principais entidades envolvidas nos diferentes aspectos da quebra económica e social do concelho, para obter uma informação mais rigorosa e pormenorizada sobre a real situação existente.

Face à Pandemia é necessário por ao mesmo nível a crise sanitária e a crise económica e social, defender o SNS, a escola e os demais serviços públicos, proteger o trabalho e os rendimentos das classes trabalhadoras.

Bloco de Esquerda de Faro

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