Nacional

Associação Portuguesa de Dislexia pede ao Estado mais investimento na educação inclusiva

Alunos com dislexia são 10% da população escolar

No âmbito do Dia Mundial da Dislexia, que se assinala a 10 de outubro, a DISLEX – Associação Portuguesa de Dislexia apela ao Estado para a necessidade de contratação de mais profissionais especializados para as escolas, de forma a que os alunos com dislexia possam ser melhor avaliados e acompanhados sem prejudicar as suas notas, algo que ainda não acontece na maioria das escolas do país.

Para Helena Serra, presidente da DISLEX – Associação Portuguesa de Dislexia, “as escolas, no caso de alunos com dislexia, mobilizam em geral apenas medidas universais (adaptações em sala de aula), uma situação que deixa os alunos desprotegidos e que faz com que as aprendizagens empobreçam e que as notas negativas se multipliquem. Apenas num número muito reduzido de casos, a Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva decide pela implementação de medidas seletivas para além das medidas universais. As medidas seletivas são fundamentais, uma vez que a maioria destes alunos podem precisar de apoio psicopedagógico, de adaptações curriculares e de reforço das aprendizagens”.

“Apesar da desvalorização a que assistimos no que refere ao investimento em medidas específicas, os números falam pela necessidade de mudança. Os alunos com dislexia representam 10% da comunidade escolar e, infelizmente, continuamos a assistir a um cenário em que a maioria das escolas do país não aplica medidas específicas para melhorar o acompanhamento a estes alunos. Tudo isto implica maior investimento em educação inclusiva de qualidade, o que significa, por exemplo, a contratação de profissionais especializados para as escolas em número suficiente para efetuar a avaliação diagnóstica e a intervenção específica junto dos alunos com dislexia”, conclui.

A dislexia é uma disfunção neurológica, que se manifesta ao nível da dificuldade de aprendizagem da leitura, em pessoas com inteligência normal ou acima da média. Quem sofre de dislexia tem de fazer um esforço acrescido para distinguir letras, formar palavras e compreender o seu significado. Os alunos que têm estas dificuldades não são preguiçosos, pouco inteligentes ou imaturos, nem têm necessariamente problemas visuais ou de postura. Requerem um tratamento terapêutico atempado e apoios específicos no processo de ensino-aprendizagem, para conseguir ter sucesso. Ainda que esteja relacionada com a aprendizagem da leitura, a dislexia pode ter consequências noutras áreas académicas e a nível emocional e comportamental. É frequente a comorbidade com outras perturbações: perturbação específica da linguagem, discalculia, disortografia, descoordenação motora, défice de atenção com ou sem hiperatividade, alterações do comportamento, perturbação do humor, perturbação de oposição e desvalorização da autoestima.

A dislexia afeta 600 milhões em todo o mundo e é mais comum do que se julga, afetando caras mundialmente conhecidas que se destacaram na comunidade e que evidenciam o lado positivo da patologia, nomeadamente Einstein, Picasso, Da Vinci, Agatha Christie, Van Gogh, Churchill e Spielberg.

Sobre a Dislex – Associação Portuguesa de Dislexia

A Associação Portuguesa de Dislexia foi fundada, em 2000, no Porto, e tem como principais objetivos a promoção da investigação na área da dislexia; a formação de profissionais com vista a uma maior capacitação dos contextos educativos e a intervenção com crianças, jovens e adultos disléxicos.

Mais informações sobre dislexia em: http://www.dislex.co.pt ou em facebook.com/associacaoportuguesadedislexia.

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