Faro

Laranjeiras do largo da Sé de Faro – Parte II

O Presidente da C. Municipal de Faro enviou ao Glocal Faro o  oficio nº 10009, que anexamos, onde é suposto responder às diversas questões que, desde 11 de Agosto, temos  levantado sobre o arranque das laranjeiras que se encontravam no corredor central do Largo da Sé Catedral, em Faro.

Faro – Largo da Sé

Neste ofício,  o presidente da C.M. apresenta uma nova informação que contradiz as informações que anteriormente tinha feito: (…) “à descoberta de todo um emaranhado de vestígios que indiciam a existência de uma autêntica cidade subterrânea do tempo da ocupação romana debaixo da Catedral. Informar-vos que o projecto que temos em elaboração para o local não contemplará a plantação de árvores no local das laranjeiras doentes, de modo a que as raízes não conflituem com  o património “enterrado”.” (…).

Estranhamos esta justificação já que a C.M de Faro, anteriormente, deveria ser conhecedora dos resultados das últimas escavações conhecidas neste local – as mais recentes e rigorosas  foram realizadas nos anos 30 do século passado  (1933,39 e 40). E também deveria saber que, à data das escavações, no local das laranjeiras arrancadas havia árvores, como se pode comprovar com fotografias da época.

Lembramos que na ocasião “a Câmara de Faro garantiu que as seis laranjeiras não foram cortadas, «tendo sido apenas retiradas do local, após relatório técnico, para tratamento, por se encontrarem identificadas como estando em mau estado». Segundo a autarquia, as árvores «serão recolocadas em breve no espaço público, caso este tratamento surta efeito».  https://www.sulinformacao.pt/2020/08/camara-de-faro-diz-que-laranjeiras-do-largo-da-se-nao-foram-cortadas-e-estao-em-tratamento/

 Quanto aos documentos ou informações solicitadas pelo GlocalFaro, neste ofício nada é dito.

É  de recordar que a Sé Catedral de Faro está classificada, desde 1995, como imóvel de interesse público e, como tal, beneficia “de uma zona especial de proteção (ZEP) de 50 metros na sua envolvente; a ZEP assegura o enquadramento paisagístico do bem imóvel e as perspetivas da sua contemplação, abrangendo os espaços verdes que sejam relevantes para a defesa do respetivo contexto. Qualquer intervenção em área da ZEP carece do parecer vinculativo da respectiva DRC .” – Lei 107/2001, de 8 de Setembro

Neste enquadramento os documentos que o Glocal faro solicitou foram os que se seguem:

a) os critérios técnico-cientificos que sustentaram a decisão de arrancar as laranjeiras, incluindo uma cópia do relatório técnico que fundamentou o arranque alegando problemas fitossanitários das laranjeiras

(b) outras situações idênticas, em que tenham sido deslocadas árvores para fazer tratamento em local diferente e posteriormente voltarem a ser colocadas no local

c) o projecto em estudo para o Largo da Sé.

d) pedido de autorização apresentado à Direcção Regional da Cultura para remoção das laranjeiras do Largo da Sé

e) parecer positivo da Direcção Regional de Cultura do Algarve para essa intervenção.

O Glocal Faro solicitou igualmente à Direcção Regional da Cultura (DRC) o pedido de autorização que a C.M lhe tenha hipoteticamente apresentado para remoção das laranjeiras do Largo da Sé e o) parecer positivo da Direcção Regional de Cultura do Algarve para essa intervenção. A DRC não respondeu

Quanto às considerações que no ofício o presidente da C.M.  faz sobre o empenho do seu executivo na defesa e consolidação dos espaços verdes, lembramos-lhe a Carta Aberta que recentemente lhe endereçamos sobre o projecto que aprovou para a Mata do Liceu (carta que não recebeu nenhuma resposta), bem como os problemas e morte de árvores que tem acontecido com as podas drásticas que tem sido feitas por todo o concelho ao longo do seu mandato; ou a não cedência de espaços abandonados para serem transformados em espaços verdes; ou ainda a quantidade de árvores novas que acabam por morrer por falta de manutenção; ou o não cumprimento da resolução da A. Municipal relativa à  elaboração de uma listagem de todas as árvores, do seu estado fitossanitário previamente a qualquer intervenção nas mesmas.

Veja em anexo:

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