Algarve

Movimento Determinante: Carta aberta sobre a abertura de uma valência para reabilitação de doentes covid-19 no Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul

Carta aberta aos portugueses

É com desagrado e estupefação que a Associação Movimento Determinante ficou a saber que o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul (CMR Sul) acaba de abrir uma valência para reabilitação de doentes COVID-19. Não por estas pessoas não terem direito a uma reabilitação especializada, mas por essa valência abrir à custa de outros, igualmente dela necessitados, a quem essa reabilitação tem sido recusada e a quem tem sido igualmente adiada a entrega de ajudas técnicas e materiais de apoio.

Com efeito, existe uma preocupante lista de espera, que rondará os 5 meses, de pessoas com lesões recentes medulares (LM), traumatismos crânio-encefálicos (TCE), acidentes vasculares cerebrais (AVC), entre outras patologias, a aguardar por vagas constantemente proteladas e, consequentemente, com a sua reabilitação final seriamente comprometida por falta de intervenção médica e terapêutica oportuna. Como é que essas pessoas vão entender que uma ala que não foi reaberta para elas o seja agora e exclusivamente para reabilitação de doentes COVID?

Já não é a primeira vez que o CHUA (Centro Hospitalar Universitário do Algarve) utiliza o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul para colocar utentes do Hospital de Faro sem as referidas patologias, quando dispõe de unidades de reabilitação nos seus hospitais, incluindo o de Faro e o de Portimão.  Também não se compreende que os doentes que tiveram COVID passem à frente dos doentes em lista de espera, que precisam de assistência e tratamento para poderem vir a ter (ou manterem) alguma qualidade de vida. Mas como esses não tiveram COVID, não é importante! Afinal, são só uma minoria social de quem muito se fala, mas de quem muito poucos querem saber.

Somos uma associação de defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiência e dos seus familiares e cuidadores, com experiência própria sobre as consequências da falta de intervenção médica e terapêutica na altura adequada. Defender a dignidade do CMR Sul e dos doentes que dele necessitam é uma das nossas formas de intervenção social para uma sociedade democrática. Para nós, não há doentes de primeira nem de segunda, como também não há portugueses de primeira nem de segunda. E para si?

São Brás de Alportel, 8 de março de 2021

A direção da Movimento Determinante