Saúde

Optometristas escrevem carta aberta à Ministra da Saúde

A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO), em carta aberta dirigida à Ministra da Saúde, apela a uma intervenção urgente para resolver a incapacidade de resposta do país na prestação de cuidados de saúde da visão.

Carta aberta a Marta Temido, Ministra da Saúde:

O número de pessoas que sofrem de cegueira e de deficiência visual aumentou em 51% e 92%, respetivamente, entre 1990 e 2020. A principal razão para este aumento é a incapacidade de resposta da prestação de cuidados para a saúde da visão. Este é o alerta de Stuart Keel e Alarcos Cieza, da Organização Mundial de Saúde, publicado na The Lancet Global Health. O erro refrativo não tratado é a maior dentre as causas de deficiência visual e cegueira evitável. É emergente responder às centenas de milhares de portugueses que sofrem de deficiência visual e cegueira evitável, nas catastróficas listas de espera do SNS, com verdadeiros cuidados primários para a saúde da visão.

Apela-se à sua intervenção para enfrentar esta emergência de saúde nacional, mobilizando todos os recursos disponíveis no país e implementando as recomendações da Organização Mundial de Saúde, com o melhor conhecimento científico na área.

São mais do que conhecidas as dificuldades do Serviço Nacional de Saúde em assegurar cuidados para a saúde da visão. Seja pela exclusão dos Optometristas, seja pela inexistência de cuidados primários para a saúde da visão, ou ainda pela ausência de planeamento ou visão de futuro, sendo que ninguém pode ficar indiferente a tanto sofrimento.

Apela-se à marcação de uma audiência com caráter de extrema urgência com a APLO para discutir qual a forma de remover as perversas barreiras de acesso aos cuidados para a saúde da visão no Serviço Nacional de Saúde.

Apela-se à constituição, pelo Ministério da Saúde/Comissão Parlamentar de Saúde, de um grupo de trabalho verdadeiramente inclusivo, com a participação de todos os grupos de prestadores de cuidados para a saúde da visão, associações de utentes e até organizações internacionais que possam contribuir com transparência, idoneidade e conhecimento.

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