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Refinaria de Sines | Portugal pode beneficiar com o navio encalhado no Canal do Suez

Está na ordem do dia o navio encalhado no Canal do Suez que está a atrasar a transação de mercadorias e já está igualmente a provocar o aumento do preço do petróleo.

O Canal de Suez é uma das vias marítimas mais importantes do mundo e um dos grandes focos da economia do Egito. É o eixo de união entre o Oriente e Ocidente (tem 163km de extensão). Fica situado em terras do Egito, no istmo que une a África à Ásia.

Com a extensão de 195 quilômetros, permite que embarcações naveguem da Europa à Ásia sem terem que contornar a África pelo cabo da Boa Esperança. Antes da sua construção, as mercadorias tinham que ser transportadas por terra entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho.

Com a Guerra dos Seis Dias, em 1967, o canal permaneceu fechado até 1975.

Assim, a rota pelo oceano Índico, passando pela África do Sul, ou seja, pelo Cabo da Boa Esperança, voltou ser mais utilizada para transportar o petróleo do Oriente Médio, apesar de ser bem mais longa, logo, encarecendo o preço do crude.

Nesse trajeto, o primeiro ponto que atingem na Europa é Portugal. O Chefe do Governo de então, Marcello Caetano, viu aí uma boa oportunidade para o País, aceitando a proposta da iniciativa privada, dando luz verde à construção da refinaria de Sines. A autorização foi dada em 1971 pelo Decreto-Lei 479/71, promulgado em Conselho de Ministros e promulgado pelo Presidente da República de então, Américo Thomaz, em concretização do plano petrolífero e petroquímico estabelecido no despacho ministerial de 16 de Outubro de 1970. Representava, na época, o maior empreendimento do setor que jamais se realizara no País, ombreando com a da grande maioria de unidades similares que se encontravam, na altura, instaladas em todo o Mundo.

A sua localização foi escolhida por se tratar de um porto de águas profundas (50 metros de profundidade), o que viria a tornar este porto na mais movimentada rota mundial de petroleiros.

Desígnios do destino, a partir de 1975, o Canal de Suez foi reaberto para todas as nações do mundo mas a refinaria de Sines só viria a iniciar a sua laboração em 1978. Com a reabertura do canal do Suez, a mega refinaria portuguesa nunca chegaria a ser utilizada para a finalidade com que foi concebida: exportação para o mercado mundial numa conjuntura internacional de expansão do consumo de produtos petrolíferos. Após as crises do petróleo, a refinaria de Sines acomodou a sua produção às necessidades do mercado doméstico, atualizando o nível tecnológico do seu aparelho por forma a torná-lo competitivo em cenário de crise.

Esta unidade industrial estratégica, muito importante na atividade económica do país, está estrategicamente localizada em Sines, a 150 quilómetros a sul de Lisboa, na mais movimentada rota mundial de petroleiros, o porto de Sines.

Agora, o navio encalhado no canal do Suez fecha novamente o caminho para as petroleiras, o que irá por certo semear o pânico no mundo capitalista, agitando freneticamente as bolsas de todo o mundo e encarecendo os preços do petróleo sabe-se lá para que níveis.

Se tal ocorrer, ora aqui está a nossa boa oportunidade agora renovada. A refinaria de Sines poderia assim ser o primeiro porto onde os petroleiros chegam, depois de contornarem o Continente Africano. O crude chegaria a Sines em bruto e sairia refinado para todo o mundo. Portugal não tem petróleo mas esta é a possibilidade que mais se aproxima.

Agora, resta esperar se de facto o canal fica bloqueado muito tempo e se efetivamente o Governo de Portugal e a Galp, atual detentora dos direitos de exploração da refinaria, vejam esta janela de oportunidade e não a deixam escapar. Não seria nada mau para Portugal que o canal se mantivesse fechado o tempo suficiente para o país recuperar um pouco os prejuízos que estão a ser causados pelos efeitos da pandemia ao nível do Défice, da Dívida Pública e na balança externa e, já agora, para que os portugueses conhecessem algum período de prosperidade.

Por: Jorge Matos Dias, administrador do PlanetAlgarve

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