Albufeira

Entrevista com Desidério Silva, candidato independente à Câmara Municipal de Albufeira: «Estou adaptado e preparado para ser diferente e para melhor»

Entrevista conjunta ao PlanetAlgarve e ao jornal Notícias de Albufeira

Desidério Silva foi autarca eleito pelo PSD e esta candidatura é um movimento de cidadãos independentes. Porquê esta candidatura fora do partido?

Eu estive durante muitos anos no PSD mas entendi que às vezes os partidos são importantes mas não são tudo nas nossas vidas e quando tu chegas a um momento em que, de certo modo, contribuíste também para alguns resultados positivos no partido e queres criar aqui uma relação para poderes colaborar mais, ajudar mais, com disponibilidade total por uma causa, e essa causa é Albufeira e as pessoas com que eu toda a vida trabalhei, houve alguma, para não dizer muita resistência naquilo que era tentar aproveitar algumas ideias de uma pessoa que esteve 15 anos na vida autárquica, mais 6 anos na presidência do Turismo do Algarve, onde as dinâmicas, as expetativas e as abordagens que fazemos veem trazer mais conteúdos, acrescentar mais conteúdos ao nosso saber.

E quando sais de uma instituição como é o Turismo do Algarve e queres pôr a experiência adquirida ao serviço de uma terra e de uma causa e as coisas não foram muito bem vistas nesse sentido, a ideia e a estratégica seriam outras mas, assim, entendi, até porque muita gente me abordou, dizendo que há outras formas, outros, caminhos, não há só a mesma estrada, há outras maneiras de chegar lá, podem ser mais difíceis e trabalhosas mas são também mais aliciantes.

Nesse contexto, entendi que havia aqui a possibilidade de constituir um movimento de cidadãos independentes em Albufeira. Havia a possibilidade de fazer uma candidatura completamente diferente daquelas que eu já tinha feito, e tinha ganho, e, portanto, houve aqui um conjunto de situações que acabaram por permitir esta minha disponibilidade para avançar com um projeto independente, uma candidatura independente num movimento de cidadãos independentes que, no contexto atual, faz sentido, já anunciei a minha candidatura e, portanto, estou por aí.

3 mandatos como autarca de Albufeira, obra conhecida e reconhecida por toda a gente, seguiu-se a presidência do Turismo do Algarve que permite ter uma perspetiva diferente. Essa perspetiva regional permite acrescentar algo de novo a esta candidatura por Albufeira?

Vem acrescentar muito de novo. Durante os 15 anos que estive ma câmara de Albufeira e 11 como presidente, o foco era Albufeira e mesmo o foco regional não era muito forte. Era Albufeira, Lisboa e as entidades com que tinha de trabalhar mas houve áreas nas quais, como eu não tinha os contatos, não me permitiu fazer essas abordagens. Estava muito focado no território Albufeira.

O Algarve dá-me uma experiência de ver a região no seu todo. Depois, vejo a posição de Albufeira no contexto da região. Então, nos 6 anos que presidi ao Turismo do Algarve, fui vendo muitos concelhos terem iniciativa, criarem uma dinâmica muito forte e via  uma Albufeira que não acompanhava essa dinâmica. Albufeira representava 42% do turismo do Algarve, ou seja, na minha intervenção no Turismo do Algarve, 42% era sobre Albufeira.

Portanto, mesmo no Turismo do Algarve continuei a trabalhar por Albufeira que continuou a estar sempre no meu foco. Essa experiência permitiu-me ver Albufeira no contexto regional, naquilo que é a perceção que os mercados têm sobre a região e sobre os municípios.

Não basta dizer que temos uma marca forte ou que o nosso concelho é o melhor. O que importa é que as pessoas, no contexto nacional e internacional, olhem para Albufeira e vejam se realmente é como nós dizemos ou se é como eles pensam. Neste momento, os mercados olham para os municípios e procuram vários fatores, não é só o sol e a praia, que os convençam a escolher o destino em função de várias ofertas diversificadas.

Dantes as pessoas vinham e ficavam no hotel e agora o hotel é apenas a base para que as pessoas possam ir para a praia, para o campo, andar de bicicleta, praticar skate, andar por aqui e por ali e toda essa oferta que está no território é escolhida em função daquilo que eles entendem ser o melhor destino, a melhor relação qualidade/preço.

Portanto, o que eu percebi é que há municípios que procuraram dinâmicas diferentes e que Albufeira ficou um bocado acomodada no contexto regional. Albufeira deixou de ser a primeira escolha e isso é preocupante para um município com uma carga turística como Albufeira.

«A Cultura deixou de existir nesta terra»

Essa experiência no Turismo do Algarve o que pode valorizar para Albufeira enquanto autarca?

No Turismo do Algarve, tive contatos a nível nacional mas também com os operadores, as agências de comunicação, as companhias aéreas e, portanto, a minha ideia é muito fundamentada na experiência vivida nesse período, onde o Algarve atingiu números extremamente importantes.

Nesse aspeto, acho que também deixei registo de coisas bem fortes, coisas boas, em tanta coisa que se fez. Por outro lado, é preciso também ter um olhar diferente porque o momento atual não é propriamente o mesmo.

Agora, no contexto da pandemia, o que temos que fazer é começar a mexer naquilo que foi a baixa do protagonismo de um destino e trabalhá-lo numa oferta diversificada, numa reestruturação e requalificação de um modelo de negócio. é preciso que haja aqui a perceção, por parte de quem nos visita, que após a pandemia, que há de acontecer, as pessoas querem saber o que é que Albufeira tem para oferecer.

Aí, há coisas a fazer. Naturalmente, não posso abrir já o jogo todo mas com certeza que haverá formas de intervir e envolver toda a gente para que haja uma oferta cada vez mais diversificada, com mais qualidade e, o mais importante, aquilo porque eu sempre me debati na Região de Turismo, a questão da sazonalidade. Não é só sol e praia, também temos o barrocal, temos de fazer uma aposta muto forte nas questões culturais. A Cultura é uma coisa que deixou de existir nesta terra e a Cultura é algo fundamental para que a marca Albufeira possa ser protagonismo.

Além disso, à uma questão crucial que é a preocupação com as questões sociais. Não podemos ter pessoas a viver com dificuldades e problemas porque isso acaba por não ser motivador para prestarem serviços. Ou seja, segurar os empregos mas, ao mesmo tempo, dar-lhes condições.

A câmara está a fazer trabalho, é importante valorizar esse trabalho mas o importante é quando lá chegar, como espero, pegar naquele levantamento e perceber até que ponto poderemos reforçar cada vez mais aquilo que está a ser feito porque isso é fundamental, o apoio às empresas, o apoio às famílias naquilo que são as contas mensais.

Todo o modelo de financiamento que a câmara tem que seja visto não como uma despesa mas sim como um fator de apoio que permita um retorno económico para o concelho. Para além disso, há muita coisa por fazer, objetivos que quero consolidar.

Uma coisa é certa: esta candidatura tem uma visão global sobre o território onde procurarei mais valor acrescentado, que haja uma retoma da marca Albufeira como era antes de eu deixar a câmara que possa trazer mais negócio, mais estabilidade e mais sustentabilidade. São fatores fundamentais. A minha experiência adquirida e acumulada permite-me falar dos temas e dos assuntos de uma forma muito clara e objetiva, sem ter medo dos nomes nem dos temas.

No dinamismo de alguns concelhos, como referiu, foi a criação de grandes eventos e festivais consolidados que ficam para sempre, independentemente de quem assuma os destinos dos municípios. Albufeira não criou nenhum que tenha ficado…

O Fim de Ano ficou. Os outros não. Eu tenho as ideias mas, quando fiz a minha apresentação e dei a minha primeira entrevista, dei 4 ou 5 ideias e já foram atrás delas e tentar replicá-las como se fossem ideias novas de outras candidaturas. Portanto, não vou revelar essas ideias mas uma coisa é certa: quem me conhece sabe que a questão da valorização de Albufeira nunca esteve em causa. Em matéria de eventos, temos de ser muito objetivos. Temos de criar um ou dois eventos de referência mas também temos de tomar conta dos nossos, ou seja, pôr a nossa gente nas atividades culturais. Na música, na dança, no canto, no teatro, pô-los a terrem o seu papel ativo na comunidade. não podemos só trazer gente de fora se não tivermos aqui os nossos sem poderem trabalhar, sem poderem participar nas atividades culturais. Tem de haver um envolvimento total da comunidade e depois haver uma ou outra situação que possa promover o nome, promover a imagem e ser vista como um investimento com um retorno e não como uma despesa. Isso são fatores que têm de ser tidos em conta e que eu, obviamente, pretendo fazer.

«Albufeira tem de ser um concelho onde cada um saiba as posturas que deve ter»

Entre os fatores que as pessoas procuram num destino, o que surge à cabeça é a Segurança. O que pode ser feito em termos de segurança, designadamente em espaços de animação noturna como a Baixa e a Oura?

Nós temos que pensar uma coisa: Quando se escolhe um destino, há duas questões fundamentais que é a Segurança e a Saúde. A Segurança tem de ser um trabalho muito forte com a GNR e todas as entidades que têm competência para intervir no território e no espaço público e, obviamente, cuidar das pessoas e dos bens. Aí, há um trabalho muito forte a fazer, não só com a GNR de Albufeira mas também com o Comando em Faro, com o qual tenho uma boa relação em função da experiência no Turismo do Algarve, sem esquecer a Proteção Civil e a Polícia Municipal.

Por outro lado, temos de dotar todas essas forças envolvidas com os instrumentos necessários à garantia dessa segurança, ou seja, regulamentos, normas, posturas, instrumentos que possam ter nas mãos para que possam intervir de acordo com as regras. Albufeira tem de ser um concelho onde cada um saiba as linhas com que se cose, as posturas que deve ter.

Portanto, tem de ser criado um conjunto de normas, de regras, de posturas que possam ajudar o trabalho das forças de segurança, até porque estes tempos são diferentes e há questões que têm de ser reajustadas à realidade atual.

Na Saúde, já na altura eu me batia muito na questão do Centro de Saúde de Albufeira que não dá resposta aos residentes e aos visitantes. Na altura, com a ARS Algarve, deixei a possibilidade da cedência de um terreno anexo ao Centro de Saúde para uma ampliação das instalações ou para a construção de um Centro de Saúde novo, se assim o entendessem, mesmo num outro sítio, com certeza que encontraríamos uma solução.

Depois saí e hoje o Centro de Saúde continua igual, a única diferença é que tem lá uns contentores. Independentemente dos médicos e de todos os recursos humanos que lá trabalham, é preciso fazer um esforço muito grande porque, como todos sabemos, as instalações físicas não dão as respostas que deviam dar. Portanto, Saúde e Segurança são duas questões fundamentais onde eu estou focado e procurarei resultados práticos e objetivos para melhorar essas áreas.

Albufeira tem alicerçado a atração turística basicamente na Baixa e na Oura. Esta candidatura tem a intenção de criar uma maior descentralização para outros pontos?

Neste momento, estamos a 6 meses das eleições. Tenho já todas as minhas equipas completas para as juntas de freguesia de Albufeira/Olhos de Água, Ferreiras, Guia e Paderne.

Uma das coisas que eu lhes estou a pedir é que pensem as freguesias no seu todo, no território e que criem um conjunto de ideias, uma estratégia para a freguesia, coisa que não existe atualmente em nenhuma das freguesias, para que, em colaboração com a câmara, possamos intervir e colocar em cada freguesia aquilo que seja o mais importante para cada uma, em termos das pessoas que lá vivem e da valorização da própria freguesia.

Esse é um contexto que está agarrado e já me deram alguns dados concretos para cada freguesia que gostariam de ver concretizados. Por outro lado, há aqui uma coisa importante: os presidentes de junta, quando são eleitos, e já tive essa experiência porque já ganhei as freguesias todas em 2009, não podem ser apenas pessoas preocupadas com as questões administrativas, que se preocupam e muito bem com as pessoas.

É preciso também insistirem à câmara e a outras entidades para que façam obra, que intervenham e que tenham objetivos em cada freguesia.

Confesso que, depois de 8 ou 9 anos, não vejo aqui nenhuma novidade nesta matéria. Aliás, os dados estão aí.

Uma exigência desta candidatura é que as freguesias devem fazer o trabalho de casa e serem exigentes perante o poder central que, neste caso, é a câmara.

Têm que ter ideias e ser chamadas a intervir e as minhas equipas estão todas a trabalhar em pleno em projetos objetivos para um programa que em breve será apresentado.

«As obras que foram feitas nos meus mandatos precisam de ser conservadas»

Ao longo dos 11 anos enquanto autarca, muitas grandes obras foram feitas. Albufeira precisa de mais alguma?

Claro que precisa. Albufeira precisa de obras mas precisa de outra coisa: que conservem as que fiz. As obras que foram feitas nos meus mandatos precisam de ser conservadas, tratadas, arranjadas, pintadas, precisam de manutenção. São tantas que não consigo ver todas mas o que vejo é muitas dessas obras descuradas.

Podemos fazer novas obras mas temos também de valorizar as que já estão feitas. É natural que haja necessidade de mais creches, jardins de infância, lares, mais equipamentos sociais. É preciso lembrar que eu deixei o terreno para um equipamento social da AHSA e ainda nada foi feito; deixei um terreno e projetos feitos para a Nuclegarve e ainda nada foi feito; deixei um terrenos nos Olhos de Água e estão agora a fazer lá um equipamento social; em Paderne, deixei um terreno para habitação social e só agora é que está a arrancar.

Ou seja, várias coisas que foram preparadas e que estão agora a fazer. Outra coisa necessária são as ciclovias. É uma obra mesmo necessária. Mas também é preciso que tratem das que já estão feitas desde 2010. Pelo menos, que as recuperem e as ponham a funcionar e não vejo isso.

É importante a criação de um trilho pedonal entre a Falésia e os Salgados com dois objetivos: criar zonas de mobilidade para as pessoas passearem e, por outro lado, para proteger as falésias. São questões que têm de ser agarradas e acauteladas. Depois temos a questão do Giro que tem de ir a todo o lado. Implementei o Giro em 2004, depois levei-o té às Ferreiras e a sua rede tem de ser alargada a todo o concelho.

Aí, também com a possibilidade de os estudantes, os idosos e os restantes residentes terem passes gratuitos ou a preços simbólicos, conforme o caso porque o Giro é um meio de mobilidade que, em primeiro lugar, tem de servir aqueles que aqui residem e, depois, estar ao serviço dos visitantes.

No combate às alterações climáticas, alguns municípios têm estratégias de ação, incluindo a criação de zonas de descarbonização. A candidatura Desidério Por Albufeira tem preocupações ou objetivos nessa matéria?

Na apresentação da minha candidatura, foi dito claramente que um dos objetivos é criar um grupo de trabalho muito específico para as questões das alterações climáticas. Essa é uma área que ninguém pode deixar para trás. É uma área muito sensível onde é preciso trabalhar, pensar e repensar muto e com certeza que criaremos as condições para melhorar a sustentabilidade ambiental no Concelho de Albufeira.

«Devido à limitação de mandatos, no Turismo do Algarve podia continuar a fazer por Albufeira durante mais tempo»

Ninguém questiona a obra feita que deixei nem a minha postura mas há aqui 2 situações que gostava de esclarecer:

Uma, tem a ver com a minha saída da câmara. Há meia dúzia de pessoas quentam passar a mensagem de que eu abandonei a câmara. Portanto, é preciso deixar bem claro que, em setembro de 2012, fui chamado à Região de Turismo, na altura presidida por Nuno Aires, colocando em cima da mesa a questão de eu, em outubro seguinte, poder assumir a presidência da RTA.

Respondi que estava na câmara e que ainda tinha mais quase um ano de mandato. Foi-me dito que, em outubro, poderia haver um consenso na região de eu poder vir a ser o presidente da RTA, tendo em conta o trabalho feito em Albufeira.

Falei com o meu vice-presidente, falei com o presidente da Assembleia Municipal e houve um conjunto de prós e contras em relação à minha saída. Eu estava a 10 meses de acabar o meu terceiro mandato e já não me podia recandidatar à câmara por limite de mandatos, pelo que houve aqui a possibilidade de ir para Faro, permitindo-me que grande parte da minha ação fosse por Albufeira face aos 42% que Albufeira representava no contexto do turismo na região.

Por outro lado, o meu n.º 2 estava a par de tudo e em condições de assegurar o resto do mandato. Que fique bem claro que não renunciei a mandato nenhum. Pedi a suspensão do mandato, o que permitia, em qualquer momento, regressar ao mesmo cargo. A renúncia é que é o abandono, o que não aconteceu, deixando, ao mesmo tempo, a garantia de funcionamento da câmara nos meses seguintes até à conclusão do mandato.

Por outro lado, a minha saída da câmara tinha outro propósito maior: devido à limitação de mandatos, na Região de Turismo do Algarve podia continuar a servir Albufeira durante mais tempo. Essa é uma clarificação que gostaria de aqui deixar.

«Havia um investimento brutal que estava a acontecer em Albufeira numa altura em que, de repente, se dá uma quebra abrupta das receitas em virtude da crise financeira internacional»

Outra questão que quero esclarecer tem a ver com a história da câmara falida. Em 2012, quando deixei a câmara, em virtude da crise económica, todas as câmaras estavam em dívida e com dívidas muito fortes. Ainda hoje encontrei um artigo no Correio da Manhã, um artigo de 2012, referindo que em 2012 a câmara de Albufeira tinha uma dívida de milhões, onde o vice-presidente na altura veio dizer que aquela dívida tinha a ver com os 42 milhões de euros a menos na receita nos anos de 2009 e 2010.

Eu também tenho aqui as contas e entre 2007 e 2011 houve quebras brutais de receitas na câmara de Albufeira.

Não obstante, mesmo nessa altura, estava em construção à entrada da cidade o Parque Verde e a entrada da Avenida dos Descobrimentos, o prolongamento do Eixo Viário até à Balaia, a Escola do 1.º Ciclo de Vale Pedras, arranjos envolventes a Vale Pedras, a construção do Pavilhão Desportivo Municipal de Albufeira, a EB2/3 da Guia, o Pavilhão Desportivo da Guia, a comparticipação na construção da EB de Albufeira, ou seja, um investimento brutal que estava a acontecer numa altura em que, de repente, se dá uma quebra abrupta das receitas em virtude da crise financeira internacional.

Portanto, o que havia era obra feita, muita obra feita e muita falta de receita previsível quando os investimentos começaram. São dois temas que têm estado a ser lançados de má fé mas que não mexem nada com a minha integridade nem com a minha capacidade de gerir as coisas.

Este é um processo que vejo com muita naturalidade e a questão dos independentes quer dizer uma coisa muito simples: poder gerir as coisas e continuar o serviço por Albufeira sem haver a necessidade de ser através dos partidos.

A divisão de votos à direita pode abrir caminho ao PS: «Não há política sem riscos»

Aproveitando essa deixa, vamos terminar como começámos: Nos últimos mandatos, Albufeira tem sido um município maioritariamente gerido pelo PSD. Esta candidatura independente liderada por si, que veio dessa área, uma candidatura muito forte, não há aqui o risco da divisão de votos à direita, abrindo caminha a uma eventual vitória do PS?

A política sem risco é uma chatice, como já dizia Sá Carneiro e eu sou um grande defensor de Sá Carneiro. Agora, a política feita de estratégias e pensamentos, nunca me adaptei a isso. Tenho uma ideia, um projeto e uma convicção, não vou deixar de assumir isso.

Estamos em tempo de eleições. Cada candidato usa os argumentos que tiver; procura convencer as pessoas a votarem nele, tenta convencer que, se as coisas não foram feitas em tempo útil, não é agora que vão ser feitas à pressa; outros tentam convencer que têm mais dinâmica do que aquilo que parece.

Portanto, estejam à vontade. Já não penso fazer carreira política. Neste momento, tenho 140 pessoas agarradas às 4 juntas de freguesia, à câmara municipal e à assembleia municipal. Gente de todos os quadrantes políticos.

A minha prioridade é Albufeira, levantar Albufeira acima dos níveis da imagem que já teve.

Não vejo cultura na minha terra. Não vejo uma dinâmica forte da marca Albufeira que já esteve em patamares elevados e essa é a perceção de quem está de fora.

Outra coisa que quero fazer é valorizar muito os recursos humanos dos serviços administrativos e, obviamente, criar as condições para que os munícipes possam ter respostas em tempo útil para que, nesse contexto, o município fique a ganhar.

Em suma, esta não é uma candidatura contra nada nem contra ninguém, é uma candidatura por Albufeira. Quem concorda comigo e entende que eu ainda tenho condições para dar uma volta a isto, estou aqui. Quem entender que deve continuar na mesma e ter outra ideia, a democracia é assim mesmo.

No 25 de Abril estava em Santarém com Salgueiro Maia e tenho um sentimento daquilo que deve ser a valorização das coisas e o respeito pelos outros.

Portanto, estou à vontade neste processo e sempre com um objetivo prioritário: sempre fui um homem de contato com as pessoas. Sinto-me bem com as pessoas, sempre com muito respeito pelas pessoas.

Não se pode fazer tudo o que cada um quer mas há uma coisa que pelo menos podemos fazer: explicar às pessoas porque é que não se pode fazer e nesse registo não tenho nenhum problema.

Sempre tive prioridades nas questões sociais, no apoio às instituições, à criação de clubes e de associações. Só quem tem memória curta é que não se lembra do que eu fiz enquanto estive à frente da câmara.

Tenho a noção de que nada é igual mas estou adaptado e preparado para ser diferente e para melhor. Até para corrigir alguns erros que por ventura tenha cometido.

Por: Jorge Matos Dias – PlanetAlgarve/Jornal Notícias de Albufeira

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