Loulé

Vítor Aleixo: «Fórmula de cálculo para o rácio de casos positivos covid-19 está errada e penaliza fortemente o Algarve»

Na sequência das medidas anunciadas na quinta-feira pelo Conselho de Ministros, que determinaram, designadamente, que o Município de Loulé não avança no processo de desconfinamento, voltando a aplicar-se as regras que estavam em vigor na semana passada, a Câmara Municipal de Loulé emitiu de imediato um Comunicado e, na tarde de sexta-feira, o autarca louletano Vítor Aleixo convocou uma conferência de imprensa junto ao Aquashow Park Hotel, onde reforçou a posição do município face ao erro da fórmula de cálculo para o rácio dos casos positivos de covid-19 por 100 mil habitantes.

Relativamente à região do Algarve, esses números são inflacionados porque integram os casos positivos de turistas nacionais e estrangeiros no total da população residente sem serem residentes, daqui resultando números errados e penalizadores para a economia da região, onde a população aumenta consideravelmente na época balnear, sem que esse acréscimo seja contabilizado na fórmula de cálculo.

Vítor Aleixo começou por agradecer “aos empresários aqui presentes. É uma representação muito significativa, uma amostra de peso das atividades económicas do nosso concelho. Também quero agradecer a presença dos dois presidentes de junta das duas freguesias mais marcantes do Concelho de Loulé do ponto de vista da atividade turística: o presidente da junta de Quarteira, Telmo Pinto e o presidente da junta de Almancil, Joaquim Pinheiro Pinto“.

O autarca louletano passou ao assunto do dia: “Como todos sabem, o Município de Loulé, ontem mesmo, após o anúncio das últimas medidas anunciadas pelo governo, o Município de Loulé reagiu imediatamente e, através de comunicado, se pronunciou. Manifestou a sua discordância e lamentou as consequências das decisões tornadas públicas que afetam fortemente a atividade económica da região que, como sabem, é fundamentalmente o turismo, muito dependente da atividade turística, que dá um contributo importantíssimo para o PIB nacional.

Nesse comunicado, chamámos a atenção para o erro que persistentemente tem vindo a ser repetido pelas entidades de Saúde para calcular o rácio de casos positivos. Desse erro, resulta fortes consequências, como esta que estamos a viver, de regressão das regras de confinamento que estão hoje em vigor na nossa região.

Nós tínhamos, há uma semana atrás, uma situação que, não sendo boa, era, apesar de tudo, aceitável e permitia ao tecido empresarial do concelho alimentar alguma esperança para o futuro. Agora, com a regressão decretada, o sentimento é de enorme preocupação e nós queremos chamar a atenção à autoridade de saúde pública nacional e ao governo que basta apenas calcular da forma que entendemos correta esse mesmo rácio e os números serão totalmente diferentes. Não é justo que, ponto n.º 1, aqueles casos que sejam detetados aqui no Concelho de Loulé – e o exemplo para Loulé pode ser estendido a todos os municípios do Algarve -, bastava que esses casos de turistas onde fossem detetados, não fossem contabilizados aí mas sim nos seus locais de residência.

Por outro lado, não nos parece aceitável que casos positivos detetados em turistas estrangeiros que se encontram na nossa região, e nós queremos turistas estrangeiros e cada vez mais, que sejam contabilizados porque o devem ser mas que esse número não incorpore a população. Ou então, se esses casos são contabilizados para o rácio regional, nesse caso, o denominador não deve ser apenas a população residente mas sim alargado aos turistas que se encontram na região em cada dia em que são apurados os casos positivos (isto irá reduzir os casos por 100 mil habitantes, refletindo a realidade de forma mais eficaz). Essa contabilização até é fácil de se fazer porque todas as unidades hoteleiras sabem, ao dia, quantos são os residentes estrangeiros que estão a ocupar as suas unidades hoteleiras. Bastava reunir diariamente esses números e comunicá-los por exemplo à RTA ou às câmaras municipais que, por sua vez, transmitiriam esses dados para a autoridade de saúde regional e nós, de certeza absoluta, iríamos registar uma incidência muito menor. Nós somos, neste momento, um concelho de risco muito elevado e não tinha que ser assim. Bastava apenas fazer uma correção na forma de cálculo.

Por outro lado, queria pedir ao governo e à autoridade de saúde pública que façam um esforço grande no sentido de acelerar a vacinação no nosso concelho e na nossa região. Isso seria uma medida muito positiva porque permitiria transmitir um aumento do sentimento de segurança e aumentar a resiliência da região face à pandemia. Até porque o Algarve, um pouco incompreensivelmente, está abaixo da média nacional e devia ser o contrário. Devia estar acima da média nacional porque nós somos a região mais aberta e mais exposta à circulação de pessoas com a Europa e com o mundo. Por isso estamos mais expostos ao aumento do número de casos.

Voltando à forma de cálculo: Se esta não for alterada, nós temos hoje os municípios de Loulé e de Albufeira nesta circunstância muito penalizadora para a atividade económica destes dois concelhos mas já temos Lagos em alerta e, na próxima semana, muito provavelmente iremos ter mais concelhos a regredir. Esta situação não pode continuar, tem de ser alterada.

Numa altura em que mais de 3 milhões de portugueses estão já vacinados, numa altura em que os casos mais críticos que acorrem aos hospitais já não pressionam tanto as estruturas de saúde, já não se justificam medidas regressivas. É altura de olhar mais para a economia porque há condições objetivas para que assim se faça. Uma comunidade e uma economia bloqueadas e sem horizontes à vista, não vai funcionar bem. Atenção que há grande preocupação e enorme angústia por parte dos empresários do Concelho de Loulé e é preciso que alguma coisa seja feita para alterar esta situação.

O Algarve não aguenta outro período de restrições à retoma gradual da atividade económica. Portanto, queria terminar com este alerta para que rapidamente que seja alterado e mudado aquilo que tem de ser alterado e mudado. Não percamos mais tempo, não deixemos para mais tarde”.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Categories: Loulé, Quarteira, Saúde, Turismo