Algarve

Iniciativa Liberal Faro acusa ARS Algarve de falta de respeito e noção

O partido exige explicações à delegada de saúde regional, Ana Cristina Marques Guerreiro

A menos de 12 horas do início de mais uma semana escolar, as famílias algarvias dos concelhos de Albufeira, Faro, Loulé, Olhão e São Brás de Alportel, são apanhadas de surpresa com o comunicado da ARS Algarve, onde se informa sobre a suspensão das aulas presenciais do 1º e 2º Ciclo, nestes cinco concelhos algarvios, com efeito a partir desta segunda-feira.

Em pleno domingo, durante a hora do jogo do Euro 2021, entre Portugal e a Bélgica, a mais alta entidade de saúde pública algarvia decide colocar a circular este comunicado que se tornou rapidamente viral nas redes sociais. Um comunicado que irá influenciar drasticamente a vida de milhares de algarvios e que preferíamos que fosse mentira.

Em defesa de todos os algarvios afetados por esta ação inaceitável, a Iniciativa Liberal de Faro exige explicações à delegada de saúde regional, Ana Cristina Marques Guerreiro, e ao Ministro da Educação, que no mesmo horário assistia ao jogo da selecção nacional, em Sevilha.

Importa saber qual o fundamento científico por detrás desta decisão e se existiram alterações graves ao ponto de se tornar conhecida uma decisão destas através das redes sociais na noite de domingo.

“Perdeu-se o respeito, perdeu-se a noção. Foram usadas as redes sociais num momento geral de “distração”, para “informar” sobre uma medida com tamanho impacto. De quem é a responsabilidade?” afirma Cláudia Vasconcelos, coordenadora da Iniciativa Liberal de Faro.

Estas medidas são mais uma vez baseadas no RT, que segundo as autoridades, no Algarve é o mais elevado do país. A Iniciativa Liberal de Faro questiona com base em que números. Todos os municípios, em particular o de Albufeira e Loulé, fizeram saber que o valor base do número de habitantes está completamente descontextualizado da realidade atual. Mais uma vez o desgoverno, a desorientação e a falta de critérios estão a levar a região à loucura.

As aulas do 1º e 2º ciclo estavam previstas terminar dia 8 de Julho.

Ontem, a 10 dias do final do terceiro período, os alunos ficam mais uma vez impedidos de terminar o seu ano escolar nas salas de aula. Mais uma vez, abrem-se as lacunas entre as famílias com mais ou menos possibilidades. Há famílias sem computador (ainda que tenham sido prometidos), há famílias sem Internet e acima de tudo, sem possibilidade de acompanhamento destas crianças. A Iniciativa Liberal questiona como podem os pais gerir a sua vida pessoal e profissional perante um desgoverno e desorientação permanente. Falamos de uma região com diversas empresas de serviços, que não conseguem estar em teletrabalho.

Em pleno Verão, quando tínhamos alguma possibilidade de recuperar um pouco dos números dramáticos da economia da região, mais uma vez estamos a sofrer cuidados paliativos. Não se organizou nem se preparou e agora vemos as autoridades a correr atrás do prejuízo.

Questionada hoje sobre estas medidas, a delegada regional de saúde afirmou «Sentimos que tínhamos de fazer qualquer coisa». Disse ainda que a ideia era ter a proposta antes mas que tudo leva o seu tempo.

Nisto acredito que todos concordamos. Também as famílias precisam de tempo para fazer face a estas medidas, mas não o tiveram.

O Algarve tem registado um aumento crescente de casos, é um facto. E todos queremos evitar uma nova vaga na região. Mas não serão estas medidas soltas o caminho, muito menos baseadas numa necessidade de “fazer alguma coisa” quando não se sabe o quê.

Deveria a esta altura já existir um plano, mas não existe. As aulas foram prolongadas por mais 2 semanas para tentar reduzir o impacto das duas semanas de interrupção letiva de 25 de Janeiro a 5 de fevereiro, forçada pelo encerramento das escolas e para ajudar a colmatar possíveis falhas durante o período das aulas online, ora, forçar as crianças a voltar a este regime sem conhecimento prévio, em nada os ajudará.

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