Loulé

Lacerda Sales em Quarteira na inauguração da rede de desfibrilhadores automáticos externos do Concelho de Loulé

  • Projeto pioneiro na Europa e talvez no mundo
  • Município aposta na assistência imediata a vítimas de paragem cardíaca

No âmbito do “Coração Seguro” foi inaugurada em Quarteira a rede de desfibrilhadores automáticos externos, com 61 equipamentos e mais de 1600 operacionais

A Rede Concelhia de Desfibrilhadores Automáticos de Loulé já está no terreno e ontem, numa cerimónia presidida pelo Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, teve o seu momento simbólico inaugural com a ativação de um dispositivo no Estádio Municipal de Quarteira.

Este será um dos pontos do concelho de Loulé onde ficará um dos desfibrilhadores automáticos externos (DAE), equipamentos que poderão prestar assistência a qualquer vítima de paragem cardíaca, nos minutos iniciais, antes da chegada dos meios de emergência médica. Mas a grande inovação do projeto-piloto “Algarve Coração Seguro” – que tem em Loulé o território onde está mais avançado -, passa precisamente pelo envolvimento da população já que os cidadãos estão a receber formação para poder utilizar estes dipositivos.

“Um programa construído para e com as pessoas”, como referiu Nuno Marques, presidente do ABC – Algarve Biomedical Center, parceiro do Município de Loulé e do INEM nesta iniciativa. Para levar por diante as ações, foi também hoje celebrado um acordo específico entre as duas entidades ligadas à área da saúde para a ativação dos operacionais de Desfibrilhação Automática Externa (DAE) pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM.

Até ao momento já receberam formação por parte do INEM mais de 1600 operacionais e foram incluídos em espaços estratégicos, do interior ao litoral do concelho, 61 desfibrilhadores. A escolha dos pontos de implementação foi baseada em duas variáveis, permitindo criar “a matriz ideal”, por um lado as zonas mais distantes e isoladas, onde a prestação de socorro demora mais tempo a chegar e, por outro lado, os espaços com maior concentração demográfica. Como tal já dispõem de DAEs edifícios camarários, juntas de freguesia, recintos desportivos, salas de espetáculos, entre outros espaços públicos. Também todas as viaturas da Proteção Civil, dos Bombeiros e da GNR estão já equipadas com estes desfibrilhadores.

Numa segunda fase, pretende-se aumentar para 180 os equipamentos existentes e para 3000 as pessoas que tenham capacidade de operar os dispositivos.

“Se fizermos os rácios por cada 100 mil habitantes, eu poderia dizer que este se torna talvez o concelho mais seguro em termos europeus. Duvido que haja outro que tenha este nível de rácio e operacionais disponíveis de desfibrilhação automática externa. Esta forma de atuação é única e, não tenho dúvidas, que vai ser a chave que vai salvar vidas”, sublinhou o presidente do ABC.

Através do sistema de geolocalização, com uma simples aplicação no telemóvel dos operadores, desenvolvida por uma empresa informática local, será possível identificar a pessoa que recebeu formação que se encontra mais próximo da vítima, permitindo que preste socorro antes da chegada do INEM.

Como adiantou Nuno Marques, só no Algarve, em 2019, houve mais de 1100 ocorrências do género. Uma vez que em todo o mundo a taxa de sucesso é baixa, a solução poderá passar mesmo pela criação desta “rede pré pré-hospitalar, já que os 8 minutos seguintes são decisivos para que a vítima se salve, sem qualquer sequela neurológica. “Sabemos que estamos a ativar pessoas devidamente habilitadas para estarem a fazer o suporte básico de vida e a utilizar os desfibrilhadores automáticos. Enquanto a viatura do INEM vai a caminho estamos a pôr outras pessoas da população num ato de cidadania a ajudar uma vítima que teve uma ocorrência e que pode ser qualquer um de nós”, considerou Nuno Marques.

“Poder ter todo um dispositivo pensado, organizado e no terreno para situações em que a diferença entre a vida e a morte significa poucos minutos, é de facto um projeto de enorme importância para o município de Loulé”, disse Vítor Aleixo, presidente da Autarquia, em relação a mais uma área em que Loulé mostra estar na dianteira. Este responsável realçou ainda o envolvimento da rede de cidadãos neste projeto de “inegável importância para a saúde pública do concelho. É a comunidade a assumir que tem de cuidar dela própria. Isto é de uma inovação e de uma importância extraordinária porque os cuidados que devemos ter, podem, além das instituições que têm que fazer o seu trabalho, envolver os próprios cidadãos”.

Em terras algarvias, o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde felicitou este projeto como “mais um excelente exemplo do indiscutível trabalho intersectorial”. No âmbito do programa nacional criado em 2009 no que concerne ao suporte básico de vida associado à desfibrilhação automática externa, Lacerda Sales sublinhou o “aumento notório em Portugal do número de equipamentos disponíveis”, quer em espaços públicos (3132 equipamentos em 2416 espaços), quer em viaturas de emergência médica (cerca de 1200), bem como no aumento do número de operadores formados (mais de 25.800) e da utilização de DAEs perante situações em que tal é necessário.

“Tudo isto acontece graças a este esforço coletivo que nos tem permitido continuar a melhorar a capacidade de resposta e a taxa de sobrevivência”, realçou este responsável do setor da saúde, anunciando que em 2020 foram realizadas mais de 8.820 utilizações deste tipo de equipamentos. Já este ano prevê-se que esse número atinja as 10.000 utilizações.

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