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Crédito ao Consumo: Tudo o Que Precisa de Saber

O aumento da inflação não abrandou o crédito ao consumo. Este pode ser um efeito do baixo poder de compra? Sabe os cuidados a ter para pedir um crédito?

Quando já se fala que o próximo aumento salarial que está previsto em 2023, não acompanha a inflação atual, questionamo-nos como vão ser os próximos anos a nível de poupança ou mesmo o pagamento de despesas inesperadas.

Por outro lado, este pode ser um sinal do porquê do crédito ao consumo ter disparado nos últimos meses. Como existe uma perda do poder de compra, e as situações inesperadas não deixam de acontecer, o aumento da procura por crédito rápido pode ser justificado desta forma.

No programa “boa moeda, má moeda” do Observador, encontramos referência que só em Fevereiro de 2022 foram realizados 128 mil contratos de crédito ao consumo. Como este é um tipo de crédito com taxas elevadas, juntámos algumas medidas a ter em conta no momento de pedir um crédito pessoal.

Evite Propostas de Crédito Fácil

Não existem soluções de crédito fácil, muito menos aquelas que tanto são sugeridas através das redes sociais ou por mensagem privada. Este é um ponto de partida que deve ter em conta para não cair nas mãos de um esquema que só oferece problemas.

O Banco de Portugal regula quais as entidades que podem de facto conceder crédito,e diretamente na entidade reguladora pode consultar todas as instituições que pode confiar. Caso precise de uma solução praticamente na hora, as instituições financeiras que estão autorizadas pelo Banco de Portugal, disponibilizam também soluções de crédito rápido, e fazem-no dentro das recomendações legais.  

Escolha a Finalidade Certa

Quando pede um crédito pode reparar que por norma existem várias finalidades de crédito: obras, férias, despesas gerais, automóvel, formação, etc. O principal motivo é que os bancos consideram que nem todas as situações têm a mesma prioridade.

Assim, criaram várias categorias de crédito, com condições diferentes e que se adequam aos casos mais comuns que as entidades financeiras costumam financiar. Isto permite a todos os clientes aplicarem finalidades certas consoante o motivo, e assim, obterem melhores condições de crédito.

Considere a TAEG Em Vez da TAN

Caso esteja a analisar várias propostas de crédito ao consumo, vai encontrar principalmente dois tipos de taxas: a TAN (Taxa Anual Nominal) e a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetivos Globais).

A TAN reflete apenas as taxas de juro de um empréstimo, e é por isso, mais baixa que a TAEG. Isto porque, a Taxa Anual de Encargos Efetivos Globais inclui outras despesas, como por exemplo comissões de abertura ou impostos, e também reflete as taxas de juro do empréstimo. Assim, a TAEG é a taxa que representa um custo mais verídico do empréstimo.

Olhe para o MTIC da Simulação

Visto que já sabe que tem de utilizar a TAEG, vai perceber que esta taxa anda de mão dada com o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC).

É que as taxas de juro nos empréstimos, vão naturalmente influenciar quanto vai pagar na sua prestação mensal e também o montante total do financiamento.

Assim, o MTIC é nada mais, nada menos, que o valor total que vai pagar pelo empréstimo.

Ora, esta é uma taxa que é incluída nas simulações de crédito e que lhe permite comparar diferentes propostas e, evitar gastar mais do que realmente pode.

Não Ultrapasse a Sua Taxa de Esforço

Já deve ter ouvido falar da taxa de esforço, mas sabe na realidade o que é?

Atualmente os bancos consideram que o valor que tem alocado para créditos não pode ascender os 30% do seu orçamento. Esta é a recomendação do Banco de Portugal para que as pessoas consigam manter a sua qualidade de vida, mesmo pedindo um financiamento.

Para além disso, quando pede uma simulação de crédito, os bancos vão analisar se tem outras responsabilidades financeiras através do seu mapa de responsabilidades, quais os seus rendimentos e quanto lhe sobra depois de pagar todas as despesas. Este procedimento permite salvaguardar o banco de casos de incumprimento e de sobre-endividamento por parte dos clientes.

Não Acumule Créditos

Pedir cartões de crédito e créditos pessoais, é na realidade tão simples que se pode tornar uma tentação para tapar qualquer buraco. Este é um grave problema que pode resultar num amontoamento de dívidas sem retorno.

Pior que isso, será pedir um crédito para pagar outro crédito. Neste caso, pode sempre optar por um crédito consolidado que permite juntar vários créditos num só, ou então pedir uma reestruturação das suas dívidas.

Compare o Máximo Possível

O mercado mudou completamente e existem soluções credíveis em instituições mais pequenas ou mesmo em bancos completamente digitais. É possível recorrer ainda a intermediários de crédito que analisam e sugerem o crédito mais adequado para o seu caso, sem que tenha de pagar qualquer valor por este serviço.

Atualmente deixa de fazer sentido pedir uma única simulação de crédito só porque tem uma proximidade com o gestor do banco ou porque é cliente da mesma entidade há vários anos.

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