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CARTA ABERTA | ANJE desafia empresários a colocarem-se na linha da frente da transformação económica e social

O Orçamento do Estado para 2022 foi aprovado em votação final global. Ainda que não reflita inteiramente um alívio de impostos para as empresas e algumas medidas de apoio para mitigar os impactos económicos da guerra, temos agora de assegurar uma conjuntura que abra boas perspetivas de transformação económica e social do país, a partir de um modelo de desenvolvimento inteligente, sustentável e inclusivo.

A inflação, por exemplo, já era o principal risco para a economia mundial antes da guerra na Ucrânia. Agravou-se. Para as empresas, a subida da inflação representa um agravamento significativo dos seus custos, obrigando muitas delas a esmagar as margens de lucro, por não conseguirem impor preços mais elevados. Para as famílias, a inflação é um imposto escondido que reduz o seu poder de compra, sobretudo se os salários não são atualizados em consonância com a evolução dos preços.

Os jovens empresários têm seguramente uma palavra a dizer neste processo de transformação do país, na medida em que representam a face mais empreendedora, inovadora e cosmopolita da sociedade portuguesa. Da ANJE e dos seus Associados esperam-se iniciativas que promovam um Portugal moderno e competitivo, como fizemos em diversas ocasiões no passado.

Gostaríamos, pois, que se juntassem a nós num grande esforço de mobilização em torno das propostas públicas da ANJE para a retoma do país. É por aqui que o futuro tem de passar:

  • Incentivos fiscais diferenciados em sede de IRC para empresas que valorizem os salários ou acelerem a transição energética, digital e verde;
  • Redução da burocracia e otimização dos serviços da Administração Pública, através da capacitação dos recursos humanos, da digitalização dos processos e da descentralização de competências; 
  • Novos instrumentos de capitalização das empresas; designadamente no quadro do Banco Português de Fomento;
  • Melhores condições, designadamente fiscais, para criação de emprego e aumento dos salários pelas empresas;
  • Escrutínio público, transparência processual, celeridade decisória e implementação desburocratizada na execução dos novos fundos europeus.
  • De acordo com os dados divulgados pelo Eurostat, a energia estava mais cara 39,2% no mês passado na Zona Euro, em comparação com os valores do ano passado. A situação é preocupante e vem juntar-se ao facto de o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) português estar a avançar muito lentamente. É certo que, como já referimos, o futuro terá de passar por um controlo rigoroso da implementação dos projetos. No entanto, é imperativo garantirmos também a agilidade, de forma que os apoios cheguem rapidamente à economia e permitam ao país cumprir os prazos de execução do PRR.

A instabilidade causada pela persistência da crise sanitária e, sobretudo, o inesperado eclodir da guerra na Ucrânia não ajudam, por si só, a explicar a baixa execução do PRR. Mas o país precisa de reagir rapidamente. Está em causa um apoio estrutural de grande importância para a recuperação económica após a fase crítica da pandemia e para assegurar um nível de crescimento acima da média europeia, retomando a convergência com a zona euro.

E não nos podemos esquecer que é nossa obrigação estar na linha da frente da transformação económica e social do país. Os empresários devem saber aproveitar as oportunidades de financiamento criadas pelos novos fundos europeus e as possibilidades de modernização competitiva abertas pela revolução digital, a descarbonização da economia, os avanços tecnocientíficos e o desenvolvimento do potencial humano.

É este o repto que fazemos a todos os associados, acrescentando que a ANJE não deixará de estar ao lado dos projetos e investimentos que pretendam realizar nos tempos mais próximos. Temos uma nova identidade institucional e vamos lançar novos serviços, canais de comunicação (AppANJE), iniciativas de promoção empresarial e programas de formação.

A nova ANJE vai abarcar toda a cadeia de valor do empreendedorismo: identificação de talento nas escolas, mentoria e aceleração de negócios, formação para executivos, apoios à transição energética, digital e verde das PME e iniciativas para internacionalização de empresas.

O futuro está nas mãos de todos.

Alexandre Meireles, Presidente da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários  

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