A Fundação António Aleixo (FAA) assinalou ao longo do dia de hoje, 31 de Maio, o Dia Mundial do Acolhimento Familiar, com uma sessão denominada “Ser Família de Acolhimento, e porque não”, que decorreu no Centro Autárquico de Quarteira, com apresentação de Nelson Horta.
A jornada começou com o visionamento da história “Ninhos”, da autoria de Daniela Pinheiro, Educadora de Infância da Associação Poeta Aleixo.
Seguiu-se a Sessão de Abertura com as intervenções de Maria Helena Gomes, do Conselho de Administração da Fundação António Aleixo; Cláudia Bramão, Diretora do Núcleo de Infância e Juventude do Centro Distrital de Faro da Segurança Social; Telmo Pinto, Presidente da Junta de Freguesia de Quarteira; e Ana Machado, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Loulé.
Maria Helena Gomes começou por agradecer a presença de todos, “a quem lançamos o desafio Ser Família de Acolhimento, e porque não?, o desafio mais recente que a FAA decidiu enfrentar. De facto, a FAA, que no passado dia 25 comemorou 28 anos de existência, tem desenvolvido, ao longo destes anos, respostas várias. Umas, de caráter permanente e outras de cariz temporário, sempre ao serviço da comunidade, fazendo incidir a sua ação desde a 1.ª infância à velhice e procurando apoiar as famílias em diferentes vertentes, como se pode constatar pelas diversas respostas que tem vindo a apresentar: Serviço de Apoio Domiciliário; Centro Comunitário de Quarteira; Cantina Social; Loja Social; Creche Meninos do Aleixo, em Quarteira e Espaço Infantil, em Loulé; Educação Pré-Escolar; Gabinete de Inserção Profissional; Gabinete de Apoio ao Desenvolvimento Local, em parceria com a Associação Poeta Aleixo, com duas vertentes: Casulo, como encubadora de projetos de empreendedorismo e inovação e Loulé Sem Fronteiras, um projeto de acolhimento a migrantes; o Programa Incorporo; o Acompanhamento Social, a Oficina Mar Vivo, uma iniciativa de formação profissional de profissões ligadas ao mar, que já terminou; o Projeto PROLE, que também terminou agora; o Projeto Caminhos, em parceria com a Associação Poeta Aleixo; diversas formas de apoio à formação e ainda o Banco de Ajudas Técnicas e, desde novembro de 2022, o Acolhimento Familiar, desafio que nos trás aqui hoje. É uma resposta que conta com uma equipa muito dinâmica, muito entusiástica mas muito ciente das dificuldades do trabalho que têm pela frente e que não tem medo de se questionar. Esta equipa tem dado passos significativos no processo de divulgação da medida, no estabelecimento de parcerias, o esclarecimento de dúvidas, na conquista de possíveis famílias de acolhimento. Essa equipa é constituída por três pessoas: a Marilita, que coordena, a Catarina e a Cláudia, essas três pessoas corajosas que aceitaram o desafio. A sessão comemorativa do Dia do Acolhimento Familiar, a que vamos dar início, é com certeza mais um desses passos desafiantes. O sucesso da medida Acolhimento Familiar depende muito da forma como as diferentes etapas do percurso forem percorridas e do conhecimento e reflexão, sobretudo do que está em jogo. Que esta sessão possa ser mais um contributo para isso”.
Cláudia Bramão considerou ser “muito significativo estarmos aqui todos, no dia em que se comemora o Acolhimento Familiar, para refletir sobre este tema, que é para todos nós um tema muito caro e, ao mesmo tempo, desafiante, particularmente para aqueles que trabalham com a proteção das crianças e jovens. Penso que hoje é um dado assente que o estabelecimento de vínculos afetivos na infância é absolutamente essencial para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças. É de facto a família o espaço ideal para o desenvolvimento desses vínculos afetivos e o Acolhimento Familiar dá-nos isso mesmo, enquanto medida de promoção e proteção, permite às crianças e jovens em perigo um contexto familiar alternativo, sempre que, por razões várias, o afastamento da sua família biológica, ainda que temporário, seja inevitável. Isto de facto é um benefício imenso. É muito importante. Daí que esta medida tenha vindo a ganhar cada vez mais expressão em vários países da Europa. Em Portugal, ela ainda não está suficientemente implementada e há, até, assimetrias a nível do país, com maior incidência de acolhimentos no Norte e menor no Sul. Basta lembrar que, das cerca de 6000 crianças referenciadas em Portugal, estão em acolhimento familiar apenas 3,5%. Na região do Algarve, das 332 atualmente, número que varia de dia para dia, apenas 3 estão em famílias de acolhimento. Portanto, esta é uma realidade que temos de inverter e criar condições para que todas as crianças, particularmente as mais pequenas, até aos 6 anos, que é aquilo que a lei estipula, se tiverem que ser acolhidas, que seja em famílias, os tais Ninhos de que falava o vídeo que vimos no início. Famílias que sejam cuidadoras, afetuosas, com rotinas consistentes que permitam a essas crianças recuperar o seu bem-estar e criar vínculos seguros que sejam determinantes para a sua vida segura. No sentido de impulsionar a medida do Acolhimento Familiar, o Instituto de Segurança Social tem vindo a estabelecer acordos de cooperação com várias entidades e em boa hora, na nossa região, fez este com a Fundação António Aleixo e também com a AIPAR – Associação de Proteção à Rapariga e à Família. Estou certa que, deste trabalho conjunto, será possível termos aqui uma alteração na realidade no Acolhimento Familiar na nossa região. Para concluir, esperamos que iniciativas como estas e outras, locais ou nacionais, possam criar uma sensibilização e dar um maior conhecimento e a importância desta medida do Acolhimento Familiar para, paulatinamente, irmos criando no nosso país uma cultura de Família de Acolhimento, que ainda não está implantada. Crescer e viver em família é um direito de todas as crianças mas é também, neste momento, uma prioridade que temos que procurar concretizar”.
Telmo Pinto deu “os parabéns pela iniciativa e, reconhecendo tudo aquilo que a Dr.ª Helena falou sobre os projetos da Fundação António Aleixo mas também das instituições locais, direi que nós vivemos 10 anos de pandemia em que tivemos praticamente 3 crises em que são sempre as famílias mais fragilizadas e as crianças que sofrem com tudo aquilo que se vai passando. É de extrema importância instituições como a nossa, mas é com políticas conjuntas com a junta e a câmara que se tomam grandes decisões e que podem fazer a diferença nas famílias e é esse o trabalho que temos desenvolvido. Por isso, cumprimento a Marilita, a Catarina e a Cláudia mas também todos os técnicos da Ação Social com que tenho trabalhado ao longo destes 9 anos porque são eles, no fundo, que conhecem as pessoas e os seus nomes e essas pessoas, à medida que se vai centralizando mais a gestão autárquica, tornam-se números e quando se conhecem as pessoas é diferente perceber as suas necessidades, pelo que cumprimento todos os envolvidos e as instituições locais pelo trabalho que têm vindo a desenvolver mas quero deixar aqui uma ressalva que é muito importante: É verdade que vão sempre existir famílias fragilizadas e é verdade que estamos aqui a trabalhar num projeto interessantíssimo. Em Espanha, ouvi aqui no grupo de trabalho que são cerca de 70% ou 80% da resposta dada e nós temos uma percentagem residual. Portanto, não podemos deixar de continuar a lutar para que os números iniciais existam e com qualidade”.
Ana Machado começou por dizer que “hoje é um dia que faz o meu coração ficar apertadinho. A Sónia Almeida disse-me que, no Concelho de Loulé, existem 1492 crianças a viver no limiar da pobreza extrema. Isto quer dizer que há que arregaçar as mangas e há que fazer muito. Portanto, é preciso agarrar estas duas oportunidades e agradecer à FAA por todo o trabalho que faz e pela resposta que temos pronta e à Marilita, à Catarina e à Cláudia, relativamente às Famílias de Acolhimento. Um turbilhão de sentimentos pululam dentro deste peito. Este tema é tão caro. Portanto, Sónia Almeida (Coordenadora Nacional da Garantia para a Infância) e Famílias de Acolhimento estão intimamente ligadas. Obrigado por cá estar”.
Seguiu-se o I Painel – O Superior Interesse da Criança – Paradigmas e Perspetivas, com moderação de Raquel Melo Medeiros, Psicóloga Clínica e Terapeuta Familiar no CHUA e com as seguintes intervenções:
- Sónia Almeida – Coordenadora Nacional da Garantia para a Infância – Plano Nacional da Garantia para a Infância
- Cristina Fangueiro – Ex-Provedora da Casa Pia de Lisboa
- Raquel Trindade – Diretora Executiva da Resposta Social do Acolhimento Familiar da Casa Pia de Lisboa com o tema “Acolhimento Terapêutico na Casa Pia de Lisboa – das Estruturas Residenciais ao Acolhimento Familiar
- Maria Helena Gomes – Presidente da CPCJ de Loulé com o tema “A Importância da Medida de Acolhimento Familiar como Medida de Promoção e Proteção”
Pelo meio houve um momento de Coffee Break pelos alunos do curso de Cozinha e Pastelaria da ESLA
À tarde, teve lugar o II Painel – O Superior Interesse da Criança – Medidas de Colocação: que Impactos? com moderação de Ana Machado, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Loulé, com os seguintes oradores:
Marisol Anselmo, Médica Pediatra, com o tema “A Importância de Crescer numa Família para o Desenvolvimento Global da Criança
João Pedro Gaspar, Psicólogo, Presidente da Plataforma P.A.J.E. – Apoio a Jovens Ex-Acolhidos, com o tema “Consequências a Longo Prazo: Transição e Pós Acolhimento
Rui Godinho, Diretor de Infância e Juventude e Família da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e membro da direção da Pro Child – Colab com o tema “A Experiência da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa na Implementação do Acolhimento Familiar”
A sessão foi encerrada pela Equipa de Acolhimento – Famílias Aleixo (Marilita Santos – coordenadora, Catarina Almeida, psicóloga e Cláudia Loução, assistente social).
Desde Novembro de 2022 que a Fundação António Aleixo tem o projeto “Acolhimento Familiar – Famílias Aleixo”.
O objetivo passa por promover o acolhimento familiar de crianças até aos 6 anos, sendo responsável pela resposta nos concelhos de Loulé, São Brás de Alportel, Olhão, Albufeira, Lagos, Monchique, Vila do Bispo e Aljezur.
Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve




























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