- 10 de outubro: Dia Mundial dos Cuidados Paliativos Pediátricos
- 11 de outubro: Dia Mundial dos Cuidados Paliativos

Por ocasião do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos Pediátricos, assinalado a 10 de outubro, sete associações médicas nacionais, lideradas pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), apresentaram um manifesto com 20 reivindicações para responder às graves lacunas no apoio a crianças com doenças graves e incuráveis.
Realidade nacional “preocupante” e sem recursos mínimos
Um inquérito realizado junto de mais de 80% das equipas de Cuidados Paliativos Pediátricos (CPP) revela uma situação crítica:
- Nenhuma equipa tem os recursos humanos mínimos exigidos
- Alentejo e Algarve continuam praticamente sem equipas especializadas
- Apoio domiciliário está acessível em apenas 40% das situações, e de forma limitada
- Formação insuficiente entre psicólogos e assistentes sociais
Além disso, o apoio a recém-nascidos e grávidas (CP peri e neonatais) é incipiente na maioria dos serviços.
“Não podemos continuar à espera”
Cândida Cancelinha, vice-presidente da APCP, sublinha a urgência:
“Os doentes não podem continuar à espera que os cuidados paliativos pediátricos sejam uma prioridade. O que está em causa são crianças com doenças incuráveis, que precisam de ser atendidas agora.”
20 medidas para salvar vidas e dignificar cuidados
O manifesto propõe, entre outras medidas:
- Acesso atempado a equipas especializadas em todo o país
- Cobertura nacional de CPP em todos os serviços de pediatria e maternidades
- Equidade regional em recursos humanos, materiais e organizativos
30 anos de APCP: uma campanha pelo direito universal
A 11 de outubro, Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, a APCP assinala o seu 30.º aniversário com o lançamento da campanha “Cuidados Paliativos: um direito para todos!”.
Catarina Pazes, presidente da APCP, recorda:
“Apesar de a lei portuguesa consagrar este direito desde 2012, as condições para o seu cumprimento continuam por assegurar. Não podemos ficar indiferentes ao sofrimento.”
A campanha junta-se ao apelo internacional “Cumprir a Promessa: Acesso Universal aos Cuidados Paliativos”, reforçando a necessidade de passar das intenções às ações – porque, quando a cura não é possível, o cuidado deve ser garantido a todas as crianças e famílias.
Assinam o manifesto:
APCP, Sociedade Portuguesa de Neonatologia, Sociedade Portuguesa de Neuropediatria, Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Sociedade Portuguesa de Cardiologia Pediátrica e Sociedade Portuguesa de Pneumologia Pediátrica e do Sono.
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