Maria da Graça Carvalho acompanhou trabalhos de reposição dunar e enchimento artificial de areia numa empreitada de 14,5 milhões de euros que abrange cinco praias críticas

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Foi a bordo da draga holandesa de tecnologia avançada que labora há várias semanas que a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, visitou este sábado as praias do concelho de Loulé para acompanhar os trabalhos de reposição dunar e enchimento artificial de areia — uma intervenção estratégica para combater a erosão e proteger um dos ativos mais valiosos da região.
Com um investimento total de 14,5 milhões de euros, a empreitada, que permitirá devolver 30 metros ao areal ao longo de 7 quilómetros, abrange cinco praias críticas, fustigadas pelos temporais dos últimos anos. Segundo a governante, o balanço é francamente positivo: das cinco zonas previstas, três delas, as praias do Trafal, Vale do Lobo e Garrão, já estão concluídas. Dos 1,4 milhões de metros cúbicos de areia previstos, restam apenas 600 mil metros cúbicos para finalizar as intervenções em Quarteira e Forte Novo.
“Uma obra essencial para a economia e para a região”
“Esta é uma obra essencial para defender estas praias da erosão, protegendo as habitações, os estabelecimentos e toda a zona envolvente”, sublinhou a Ministra após a visita à draga responsável pela operação. “Temos um objetivo ambiental, mas também económico e social. Se não fizermos esta injeção todos os anos, corremos o risco de deixar de ter estas praias, que são importantíssimas para a economia da região. É um prazer para todos os algarvios e para todas as pessoas que aqui habitam e que visitam ter acesso a esta maravilha de praias”, afirmou Maria da Graça Carvalho.
Conclusão prevista para maio… ou antes
Embora a conclusão estivesse inicialmente prevista para o final de maio, a Ministra revelou que, se as condições meteorológicas se mantiverem favoráveis, os trabalhos poderão ser antecipados em algumas semanas, para meados do mês, garantindo que todas as praias estarão prontas a tempo do início da época balnear, a 1 de junho.
A governante explicou que a injeção de areia é a solução mais eficaz, uma vez que, mesmo que parte seja levada pelo mar, o sedimento permanece no sistema natural. No entanto, alertou para o impacto das alterações climáticas, que poderão fazer com que este processo tenha uma menor longevidade: “Se antigamente estas intervenções eram feitas com maior espaçamento, agora, após três invernos rigorosos, o intervalo reduziu-se para cerca de 10 anos”.
Remoção de pontões e consolidação de arribas
Além do enchimento de areia, o plano para o litoral do concelho de Loulé inclui a remoção de dois pontões e o prolongamento de outros dois, cujo projeto poderá estar concluído no próximo ano. Serão realizadas também na costa algarvia intervenções urgentes de consolidação de arribas, que deverão arrancar ainda antes da época balnear.
A Ministra do Ambiente reforçou o compromisso do Governo em dotar o litoral de maior resistência e resiliência, assegurando a continuidade de intervenções urgentes para proteger o território e a economia regional.
Telmo Pinto: “Temos a garantia que teremos um verão tranquilo”
Satisfeito por finalmente ver as areias repostas nas praias do concelho, o presidente da Autarquia de Loulé, Telmo Pinto, afirmou: “Temos a garantia que teremos um verão tranquilo!”
Dessalinizadora: “Processo irreversível”
Nesta passagem pela região, Maria da Graça Carvalho anunciou o arranque dos trabalhos da dessalinizadora, “um processo irreversível”, que poderá avançar já na próxima semana. “A evolução da quantidade de chuva no Algarve vai diminuir entre 15 e 25% nos próximos anos, num cenário até 2050. As secas extremas serão cada vez mais frequentes. Além de todos os projetos e medidas na luta contra a seca, como fim de linha existe um projeto que é a dessalinizadora, a maior segurança de abastecimento de água que o Algarve tem. Será usada em casos extremos”, notou, lembrando que só os concelhos de Loulé e Albufeira consomem 40% da água do Algarve.
O Governo prometeu continuidade e celeridade. O Algarve, que vive do turismo e do mar, aguarda agora que as obras terminem e que o verão devolva às praias a normalidade que os temporais levaram.
Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve


