Exposição que cruza arte, ecologia e território encerra a 25 de abril, depois de meses a desafiar o olhar do público sobre a relação entre humanidade e crise ecológica

A Galeria Municipal Trem – Manuel Baptista, em Faro, prepara-se para encerrar a exposição “Chão Comum: Terraphilia”, da autoria da artista Susana de Medeiros. Inaugurado a 5 de fevereiro, este projeto artístico e de investigação despede-se do público no próximo dia 25 de abril de 2026, oferecendo nestas últimas semanas uma oportunidade única para refletir sobre a relação entre a humanidade, o território e a crise ecológica contemporânea. Uma reflexão que, neste contexto de emergência climática, se torna não apenas pertinente, mas urgente.
Um barco de sementes como metáfora de cuidado e deslocação
A mostra desenvolve-se através de um conjunto diversificado de obras, que incluem esculturas, instalações, desenhos e livros-objeto. Nestas peças, Susana de Medeiros cruza materiais recolhidos em diferentes contextos geográficos com elementos de origem industrial, criando um diálogo visual sobre o solo que nos sustenta. A peça central da exposição — um barco que transporta sementes — assume-se como uma poderosa metáfora de deslocação e cuidado, simbolizando a possibilidade de germinação de novas formas de habitar o mundo e a urgência de uma coexistência mais harmoniosa entre seres humanos e não-humanos. O barco, frágil e carregado de futuro, navega entre o que somos e o que ainda podemos ser.
Conversas “Construção do Comum” com especialistas
Para enriquecer esta fase de encerramento, o programa inclui duas conversas sob o mote “Construção do Comum” , que reúnem especialistas de renome para debater as temáticas da obra.
- Dia 18 de abril, às 17h00 | Museu Municipal de Faro
Com o arquiteto e investigador Miguel Reimão Costa e o antropólogo Pedro Prista. Uma conversa sobre arquitetura, território, paisagem e as formas como habitamos — e maltratamos — o solo que nos acolhe. - Dia 24 de abril, também às 17h00 | Galeria Municipal Trem
Com Mirian Tavares e Ana Isabel Soares, culminando numa visita orientada pela própria artista, Susana de Medeiros. Será o momento final de imersão na exposição, com a curadoria da própria criadora, que conduzirá o público pelos significados mais profundos de cada obra.
Promovida pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve, pelo CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação e pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a exposição conta com o apoio estratégico do Município de Faro e do Museu Municipal de Faro. Trata-se de um convite final à comunidade para redescobrir o “chão comum” que partilhamos, num momento em que a reflexão sobre o território e a sustentabilidade se torna mais premente do que nunca.
Horários e visita
A exposição pode ser visitada na Galeria Municipal Trem – Manuel Baptista no seguinte horário:
- Terça a sexta-feira: das 11h30 às 18h00
- Sábado: das 10h30 às 17h00
- Encerra ao domingo e à segunda-feira
A entrada é livre. As conversas são abertas ao público, sem necessidade de inscrição prévia.
Sobre a artista
Susana de Medeiros é artista plástica, professora e investigadora. Leciona na Licenciatura em Artes Visuais da Universidade do Algarve desde 2007. Integra o Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC). É doutorada em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A sua prática artística situa-se na interseção do desenho, da instalação e de práticas colaborativas, explorando as relações entre as artes visuais, a antropologia e a ecologia. Paralelamente à sua produção artística, desenvolve projetos curatoriais, educativos e comunitários, colaborando com instituições culturais e programas de criação artística em diferentes contextos.
Sobre os oradores
Dia 18 de abril
Miguel Reimão Costa é professor na Universidade do Algarve, licenciado e doutorado em Arquitetura pela Universidade do Porto. É investigador no Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP) e membro da direção do Campo Arqueológico de Mértola (CAM), com diversas linhas de investigação sobre a arquitetura na Península Ibérica, Magrebe e Próximo Oriente, a partir da colaboração com colegas da arqueologia e da história, da antropologia e da paisagem.
Pedro Prista, antropólogo, é doutorado pelo ISCTE em 1994. É Investigador Associado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, tendo sido Professor Auxiliar no Departamento de Antropologia do ISCTE (entre 1984 e 2023). Tem trabalhado sobre processos de mudança na sociedade portuguesa, sobretudo emigração, turismo e transformações associadas à mudança climática, e ainda em projetos culturais de ligação entre patrimónios, museus, educação, políticas de cultura e práticas de criação artística.
Dia 24 de abril
Ana Isabel Soares é doutorada em Teoria da Literatura pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2003) e ensina na Universidade do Algarve desde 1996 (Professora Associada). É investigadora no CIAC, tendo publicado sobre cinema português e as relações dessa arte com a literatura. Escreve regularmente para a revista Umbigo.
Mirian Tavares é professora Catedrática na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. Entre 2009 e 2025, coordenou o CIAC. Teve um papel determinante na estruturação da oferta formativa em Artes na UAlg, através da criação da Licenciatura em Artes Visuais, do Mestrado em Processos de Criação (em parceria com a PUC-SP) e do Doutoramento em Média-Arte Digital, que dirige. Coordena a Coleção Processos de Criação (Edições CIAC). A sua atuação articula investigação, criação e território, com forte impacto no Algarve, contribuindo para a consolidação de um ecossistema sustentável de criação e literacia cultural.
Até 25 de abril, a Galeria Trem é um lugar de pensamento, emoção e território. Um “chão comum” onde arte, ciência e cidadania se encontram. Não falte à despedida.


