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Lagos aprova concurso de 20 milhões para modernizar “A Onda”: nova rede terá 11 linhas e 96% de cobertura territorial

Autarquia aposta na eletrificação da frota e no reforço de horários, com primeiros autocarros às 6h00 e regresso até à 1h00 nas linhas que servem a restauração e hotelaria

A Câmara Municipal de Lagos aprovou a abertura de concurso para a aquisição de serviços externos destinados ao serviço público municipal de transporte de passageiros por um período de sete anos. O investimento, no valor de mais de 20 milhões de euros, visa garantir a continuidade e modernização do funcionamento d’A Onda, conforme previsto no Plano Estratégico para os Transportes Municipais aprovado em 2025. Um passo decisivo para tornar a mobilidade no concelho mais acessível, sustentável e adaptada às reais necessidades da população e dos visitantes.


Um modelo de gestão que equilibra público e privado

O estudo, apresentado em meados do ano passado, identificou as necessidades de mobilidade da população, a evolução do transporte público face às exigências da mobilidade elétrica e as necessidades de ajustamento à rede já existente, assim como os vários cenários de gestão, respetivas vantagens e desvantagens. A decisão acabou por recair no modelo de prestação de serviços, considerado o mais equilibrado por manter na esfera municipal a autonomia de decisão nas matérias determinantes para a qualidade da resposta, como a definição da rede, horários e tarifário. Este modelo permite assegurar o interesse público, distribuir mais equitativamente os riscos da operação e garantir a atratividade para os operadores privados.

O processo de concurso mereceu parecer favorável da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), entidade competente para verificar o cumprimento dos regulamentos e legislação aplicável, um selo de conformidade essencial para a legitimidade e transparência do procedimento.


Rede reformulada: 11 linhas e cobertura territorial praticamente total

Entre as principais alterações está a reformulação da rede de transportes urbanos de Lagos que passa a ser constituída por 11 linhas, com destaque para:

  • a criação da Linha 11, destinada a servir melhor as povoações de Espiche e Almádena;
  • a alteração da Linha 8 (Monte Ruivo, Cotifo e Arão);
  • alargamento a zonas de expansão urbana da cidade com carência de transporte público, como é o caso da Atalaia, Quinta da Boavista, Porto de Mós e Camilo/Ponta da Piedade.

A nova rede passa, assim, a ter uma cobertura territorial praticamente total, com mais de 96% da população a residir a menos de 400 metros de uma paragem de transporte público coletivo de passageiros. Um número que transforma Lagos num dos concelhos do Algarve com melhor acessibilidade ao transporte público de proximidade.


Horários reforçados para servir residentes e turistas

Os horários são também reforçados, através do alargamento do horário de verão que passa a abranger os meses de junho a setembro, para ir ao encontro do aumento da procura na época de maior afluência turística ao concelho e da criação de mais horários, em especial nas linhas que servem as zonas rurais.

A pensar sobretudo na população em idade ativa que trabalha no setor da restauração e hotelaria e vive fora da cidade, algumas linhas (2, 3, 4 e 6) terão o primeiro autocarro a circular por volta das 6h00 da manhã e o regresso entre a meia-noite e a 1h00, uma resposta concreta às necessidades de quem começa a trabalhar cedo ou acaba o turno já depois da meia-noite, especialmente na época alta.


Frota elétrica: 65% no arranque, 100% em 2030

Outra das novidades visa tornar a rede ambientalmente sustentável, ao nível da emissão de gases com efeito de estufa. Para isso está prevista a renovação do material circulante, sendo que no início do contrato 65% da frota a afetar ao serviço terá de ser constituída por veículos movidos a energia elétrica, substituindo-a gradualmente com o objetivo de chegar a 2030 com 100% de autocarros elétricos. Uma aposta clara na descarbonização dos transportes públicos, alinhada com as metas climáticas nacionais e europeias.


Operação e receita: o que está em jogo

Os serviços a contratar pelo município incluem as componentes inerentes à operação, como:

  • a frota de autocarros a afetar ao transporte;
  • os recursos humanos (motoristas e outros);
  • o sistema de bilhética e faturação;
  • a manutenção e limpeza dos veículos;
  • a instalação e funcionamento dos postos de venda.

Já a receita da venda dos bilhetes e passes continuará a reverter para o município, que assume o custo social deste serviço, uma vez que a receita apenas cobre parcialmente as despesas de funcionamento d’A ONDA. A aposta no transporte público é, assim, um investimento na coesão territorial, na igualdade de oportunidades e na qualidade de vida, não um negócio para dar lucro, mas um serviço público essencial.


Com esta decisão, Lagos dá um passo firme para um futuro de mobilidade mais inclusiva, verde e eficiente. Resta agora aguardar as propostas dos operadores e, dentro de alguns meses, ver as novas linhas e os novos autocarros elétricos a circular pelas ruas da cidade e das freguesias rurais. A Onda vai chegar mais longe e com menos ruído e poluição.

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