Faro

Museu Municipal de Faro forma professores para ensinar Património Cultural Imaterial nas escolas

Curso acreditado pelo Ministério da Educação reúne três dezenas de docentes da região para explorar contos, saberes-fazer, festas religiosas e práticas tradicionais de cura

Museu Municipal de Faro acolhe a 4.ª edição do curso de formação de professores, iniciado no passado dia 22 de abril e dedicado, este ano, ao tema do Património Cultural Imaterial (PCI), uma área fundamental para a valorização das identidades, das práticas culturais e da memória coletiva, frequentemente invisível nos currículos escolares, mas essencial para a compreensão do que somos como comunidade.

A ação, acreditada pelo Ministério da Educação, numa parceria entre o Município de Faro e o Centro de Formação da Ria Formosa, decorrerá entre os dias 22 de abril e 1 de julho, reunindo cerca de três dezenas de docentes provenientes de diversos agrupamentos escolares da região, do pré-escolar ao ensino secundário, de professores de história aos de expressões, de educadores a bibliotecários.

Um programa multidisciplinar com especialistas convidados

Ao longo de várias sessões, o curso promoverá a partilha de conhecimentos e a reflexão em torno de múltiplas dimensões do Património Cultural Imaterial, contando com a participação de especialistas e investigadores convidados: antropólogos, historiadores, museólogos, arquitetos, artesãos e detentores de saberes tradicionais.

Entre os temas em destaque encontram-se:

  • enquadramento legal do PCI (Convenção da UNESCO de 2003, leis nacionais e regionais);
  • As estratégias de mediação cultural em museus e escolas;
  • Os contos e o património oral (narrativas, lendas, provérbios);
  • arquitetura tradicional e os saberes-fazer (construção em taipa, adobe, pedra, xisto);
  • As festas religiosas e profanas (as romarias, as procissões, os círios);
  • turismo e o PCI: como conciliar preservação e desenvolvimento económico;
  • Os museus etnográficos e as coleções de cultura material;
  • traje tradicional (do Algarve, da Beira, do Minho) e as práticas tradicionais de cura (benzeduras, ervanárias, parteiras).

Uma ferramenta para levar o PCI para a sala de aula

Esta iniciativa insere-se na missão do Museu Municipal de Faro de promover o conhecimento, reforçar a articulação entre os conteúdos letivos e os recursos museológicos e afirmar os museus como espaços privilegiados de aprendizagem, pensamento crítico e cidadania, dirigidos tanto a professores como a alunos. O curso não se esgota nas sessões teóricas: os professores são desafiados a construir projetos práticos que possam aplicar nas suas escolas, desde a recolha de testemunhos orais nas comunidades locais até à criação de exposições temporárias sobre ofícios em vias de extinção.

Com um trabalho de preparação exigente e assente numa forte rede de parcerias (com universidades, associações culturais, juntas de freguesia e outras entidades), este curso tem vindo a afirmar-se como uma iniciativa de referência, contribuindo para o prestígio do Museu e da autarquia, bem como para o reforço das ligações com a comunidade educativa. Esse impacto tem-se traduzido, nomeadamente, no aumento da procura por visitas guiadas e no desenvolvimento de novas ações educativas em colaboração com escolas e docentes — prova de que a formação de professores é um dos investimentos culturais mais rentáveis a longo prazo.

Museu como espaço de formação e de encontro

O Museu Municipal de Faro demonstra, com esta 4.ª edição, que os museus podem (e devem) ser muito mais do que espaços de guarda e exposição de objetos. São espaços de formação, de debate, de cocriação de conhecimento. E quando abrem as suas portas aos professores, multiplicam o seu impacto: cada professor formado chega a dezenas, centenas de alunos. E cada aluno, ao descobrir o património imaterial da sua terra, descobre também um pouco mais de si mesmo.

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