Cerimónia no Largo do Centro Autárquico evocou valores da liberdade e da democracia com hastear da bandeira, largada de pombos e exposição de testemunhos de quem viveu Abril de 1974

Todas as fotos e vídeos no Facebook do PlanetAlgarve.
A Junta de Freguesia de Quarteira assinalou esta manhã o 52.º aniversário da Revolução dos Cravos, com uma cerimónia evocativa dos valores da liberdade e da democracia. A iniciativa começou às 09h00, no Largo do Centro Autárquico, e uniu a comunidade num momento de memória coletiva e celebração cívica, num dia em que o sol se fez sentir sobre Quarteira como se quisesse também ele festejar.
Hastear da bandeira e largada de pombos
A cerimónia teve início com o tradicional hastear da bandeira ao som do Hino Nacional, interpretado por Lígia Pereira, e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, e do vice-presidente David Pimentel, do presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, João Romão, e demais membros do executivo, bem como dos representantes das várias bancadas partidárias na Assembleia de Freguesia de Quarteira, num momento de união política que demonstra que Abril conseguiu o que poucos regimes conseguiram: que adversários políticos possam celebrar juntos a liberdade que os une.
Seguiu-se a largada de pombos ao som de “Grândola Vila Morena” , de Zeca Afonso, canção que serviu de senha às forças militares na madrugada do 25 de Abril de 1974 e que se tornou o símbolo maior da Revolução. Um momento de forte carga simbólica, em que os pombos brancos a voar sobre Quarteira representaram a paz, a esperança e a liberdade conquistada há mais de meio século e que, como os pombos, deve ser sempre cuidada para não fugir.
Como já é tradição, foram também oferecidos cravos vermelhos à comunidade, com a colaboração dos Escuteiros de Quarteira – Agrupamento 1052. O cravo vermelho, que dá nome à Revolução, foi distribuído a todos os presentes, num gesto simples mas profundo de homenagem àqueles que tornaram possível o fim da ditadura e o início de um regime democrático. Muitas pessoas levaram os cravos para casa, outras colocaram-nos na lapela, pequenos gestos que, somados, fazem a memória perdurar.
Exposição “O Passado que nos deu voz”
Nesta mesma manhã, foi inaugurada no Largo do Centro Autárquico a exposição “O Passado que nos deu voz” , composta por testemunhos de cidadãos da freguesia que viveram o 25 de Abril de 1974. São memórias reais, de gente anónima que sentiu na pele a mudança: o medo, a esperança, a alegria contida e, depois, a explosão de liberdade. Depoimentos que nos recordam que Abril não foi um facto distante: foi vivido por pais, avós, vizinhos, e que os seus ecos ainda hoje nos definem como povo.
Uma das histórias mais comoventes é a de uma senhora que, em Abril de 1974, tinha 17 anos e vivia num lar de estudantes em Lisboa. Lembra-se de acordar com o barulho dos tanques e de, horas depois, ver as pessoas na rua a distribuir cravos. “Nunca mais esqueci a sensação de que algo imenso estava a acontecer”, confidenciou. Histórias como esta, anónimas, mas poderosas, são o verdadeiro tecido da memória coletiva.
Posteriormente, entre 27 de abril e 15 de maio, a mostra estará patente em vários edifícios da Junta de Freguesia de Quarteira (Centro Autárquico, Edifício Sociocultural, entrada da Galeria da Praça do Mar e Praça da Fruta), podendo ser visitada durante o horário de funcionamento dos respetivos espaços. Uma oportunidade para que todos, especialmente os mais jovens, possam conhecer e refletir sobre o passado que lhes deu voz — e que, por isso, têm a responsabilidade de não deixar morrer.
Um convite à participação e à memória
As comemorações do 25 de Abril em Quarteira são organizadas pela Junta de Freguesia, com o apoio do Município de Loulé. Num tempo em que a liberdade é muitas vezes tomada como garantida, iniciativas como esta lembram-nos que ela foi conquistada com coragem, que deve ser celebrada com alegria e, acima de tudo, defendida com vigilância. Porque Abril não é só uma data no calendário. É um compromisso diário com a democracia, com a justiça e com a dignidade humana.
Ao longo da manhã, os participantes dispersaram-se com cravos na mão, sorrisos na cara e a certeza de que, apesar de tudo, vale a pena celebrar Abril. Em Quarteira, como em todo o país, a liberdade voltou a estar em festa. E que assim continue por muitos e bons anos.
Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve
Categorias:Quarteira


